O famoso historiador da arte, o austríaco Ernst Gombrich, costumava dizer que a importância da arte na educação de um indivíduo passava pela necessidade da fruição direta que este deveria ter com a mesma. Nunca entendi muito bem o porquê dessa máxima, até conhecer pessoalmente o esplendor de Versalhes e, aí sim, entender a causa da Revolução Francesa; deparar-me pessoalmente com a tela “A Ronda Noturna” de Rembrandt, no Rijksmuseum de Amsterdam, e, então, compreender porque esse artista é considerado na história da arte o “mestre da luz”. Conhecimentos até então adquiridos por livros na educação formal, se concretizaram de forma inimaginável, propiciando a minha apreensão de uma realidade, que pensava ser distante. Assim ficou claro que a “arte-educação” vinha com a sensibilização e, com esta, eu teria a real noção de sua importância na minha formação como indivíduo e cidadão. Em nossa vida, somos alfabetizados para ler e escrever, mas continuamos “analfabetos” visuais. Olhamos, mas não observamos, desprezando um dos aforismos de Nietzsche de que “Deus está nos detalhes”.

 

Trabalhando com arte e antiguidades há décadas, uma vez me indagaram sobre o que seria, afinal, uma antiguidade. Aquela pergunta me pegou de surpresa. Comecei então a refletir e a tentar sistematizar definições que, na verdade, pela própria abrangência do tema, acabavam sendo apenas definições mesmo. Nesses anos todos – em contatos com clientes, antiquários, leiloeiros, apreciadores, colecionadores e estudiosos – sempre ouvi as mais diversas opiniões e conceitos sobre o tema: algumas apaixonadas; outras teorizadas; e tantas mais, com um certo “ar” preconceituoso, que envolvia a questão subjetiva de valor. A tradição clássica nos ensina, e a verdade é de Platão, que as musas são filhas da mnemósime, ou seja, da memória, o que me faz acreditar que as diversas opiniões são permeadas pelas vivências diretas, e mesmo indiretas, que as pessoas têm, ou tiveram, com as artes e os objetos antigos, em geral.

 

Uma maneira de “olhar” e relacionar-se com esse universo é a de termos a percepção de que os objetos artísticos são imbuídos de significados e significâncias não apenas estéticas, mas também antropológicas, sociológicas, psicológicas, históricas, políticas, sociais, e, principalmente, afetivas. Neste sentido, passam a ser parte integrante do patrimônio de um povo, ou de uma nação, onde o uno projeta o todo. Quando tomamos real consciência dessa questão, pensamos na importância da preservação de um imenso acervo cultural tangível, seja em nível público ou privado, a começar por aquela xícara em porcelana inglesa que pertencia à vovó e que está abandonada em algum canto de nossa casa…

 

Formar e informar para preservar, através do alfabetismo visual, deveria ser o objetivo básico de todos aqueles que atuam diretamente com as artes plásticas e antiguidades, pois ao apreciador cabe a resposta que um amigo, e cliente, deu quando lhe fiz a mesma pergunta que me fizeram: “Antiguidade?!?. Ahhh… Antiguidade para mim é quando observo um belo vaso em pasta de vidro Löetz, com todas as suas formas, cores e nuances, e sinto um prazer orgástico”.

 

“A arte permite o acesso a dimensões não reveladas pela lógica e pelo pensamento discursivo, explorando o poder simbólico, poético e sensível de expressão e comunicação humana.”

 

Antiguidades e obras de arte

José Márcio Viezzi Molfi é fundador da VM Escritório de Arte, antiquário clássico de São Paulo especializado na comercialização de obras de arte e antiguidades; pesquisa, catalogação, avaliação e gestão de acervos; consultoria em “art investment” para colecionadores e instituições públicas e privadas; realização de exposições e leilões de arte e antiguidades, e assessoria em serviços de restauração.

 

 

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