Utilizado pelos egípcios na escrita há 2.400 anos antes de Cristo, a palavra papel origina-se do latim “papyrus”, nome dado a um vegetal, a Cyperua papyrus. Entretanto os chineses foram os primeiros a fabricarem o papel como atualmente o conhecemos, e sua criação é atribuída a T’sai Lun, um oficial da Corte Imperial Chinesa, em 150 d.C., quando confeccionou inicialmente papel por meio de polpação de redes de pesca e de trapos e, mais tarde, de vegetais. Grandes descobridores, essa técnica foi mantida em segredo pelos chineses durante quase seiscentos anos.

Contudo a utilização desse suporte na escrita, que foi de utilização quase imediata, não se confirmou ao seu uso corriqueiro nas artes plásticas, sendo sempre subutilizado e sub-valorizado praticamente até o advento formal da Renascença no século XV.

 

A importância de Albrecht Dürer, Leonardo Da Vinci e Michelangelo Buonarroti

Podemos dizer que o uso sistemático do papel na Arte foi verdadeiramente incrementado a partir dos trabalhos que alguns grandes mestres desse período – como Albrecht Dürer, na Alemanha, e Leonardo da Vinci e Michelangelo Buonarroti, na Itália – relegaram à posteridade por meio de seus desenhos realizados em vários materiais. O que inicialmente eram estudos, tornaram-se, posteriormente, obras principais, admiradas e valorizadas. E não apenas restritas aos desenhos, mas também às várias técnicas da gravura. A partir de então, nos séculos posteriores, quase todos os grandes artistas utilizam-se do suporte papel não mais apenas como esboços, rascunhos ou estudos para grandes obras em decorações arquitetônicas ou telas, mas também para realizarem verdadeiras obras-de-arte. O grande artista holandês Rembrandt, no século XVII, através de seus desenhos de finos traços e da técnica da gravura à água-forte, na qual foi mestre, bem como o norte-americano Jackson Pollock, no século XX, que se utilizava de tintas a óleo em suas criações sobre papéis – e não via nem aceitava diferenças com suas obras em tela – são alguns dos ótimos exemplos que se tem dentro da História da Arte ao longo dos séculos. Paralelamente, o ato de colecionar obras artísticas sobre papel foi sendo cada vez mais apreciado ao longo dos séculos seguintes, apesar de ainda ínfima.

 

O papel na produção artística brasileira

No Brasil, seja através dos pintores viajantes dos séculos XVIII e XIX, ou dos modernistas do século XX, exemplares em papel sempre se fizeram presentes na produção artística nacional. Dentre tantos, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti e Oswaldo Goeldi são alguns dos artistas, dentro da produção artística do século passado, que sempre valorizavam seus trabalhos sobre aquele tipo de suporte.

 

O desenho

Diz um dito popular que o papel tudo aceita, mas na história da arte os registros que se têm foram muito diversificados seja em técnica, em qualidade, ou em estilo. O desenho, por aceitação ou convenção, das técnicas artísticas sobre papel é o que talvez apresente o maior número de exemplares significativos apreciados pelos amantes desse tipo de arte. O “prosaico” lápis grafite, utilizado em todos os estilos, muitas vezes esboçando algum projeto de obra maior, e os bastões queimados, o conhecido carvão – tão apreciado pelos artistas venezianos em fins do século XVI para dar efeito de suavidade à obra –, são os materiais mais comumente utilizados por inúmeros artistas ao longo dos anos. Contudo, um outro material de desenho feito de vários tipos de rochas e minerais, o giz, também se faz presente em inúmeros trabalhos. Basicamente de três tipos principais, o giz preto, o giz vermelho – também conhecido como sangüínea – e o giz branco foram utilizados desde os tempos pré-históricos, mas o material só ganhou expressão no século XV, especialmente nas mãos do grande mestre Leonardo da Vinci, que fez muitos desenhos com giz preto e sangüínea. Quanto ao “crayon” e “pastel”, outros dois tipos de material, não se diferenciam muito do giz seja em termos de uso, ou de qualidade. A diferença básica de ambos materiais em relação ao giz é a de que são feitos por processos manufaturados.

 

A gravura

O termo “gravura” é aplicado a vários processos de formar imagens por meio de incisões e talhos em placas ou blocos, principalmente, de metal, madeira e pedra, bem como às estampas que são resultantes desses processos. Os diferentes métodos de gravura influenciam diretamente no resultado final da obra e, consequentemente, no seu estilo artístico.

 

A gravura a buril

Alguns dos principais diferentes métodos empregados ao longo dos tempos por vários artistas plásticos foram a gravura a buril, onde a imagem é entalhada diretamente na superfície de uma chapa metálica, geralmente o cobre, e onde o gravador segura o buril – instrumento pontiagudo – e o conduz à chapa, gravando um talhe em “v” lenta e calculadamente, o que gera uma qualidade de precisão austera e metálica no resultado final. Esse tipo de técnica parece ter surgido nas oficinas dos ourives em meados do século XV, segundo alguns historiadores.

 

A água-forte e a litogravura

Outras duas técnicas de gravura, também muito utilizadas, sempre presentes em algumas obras são a água-forte e a litogravura, ambas diferenciando-se da anterior pelo desenho livre e espontâneo possibilitados pelas técnicas adotadas: em linhas gerais, na primeira a imagem é fixada sobre uma chapa metálica mediante a corrosão por ácido e, na segunda, o método de impressão é pela utilização de soluções químicas que se faz a partir de uma imagem desenhada pelo artista, a lápis ou tinta própria, sobre uma pedra, sendo apenas desenhada sobre a superfície plana de um calcário especial conhecido como pedra litográfica.

 

A xilogravura

Um método também muito empregado, principalmente pelo artista Goeldi no Brasil, que possuía um grande domínio técnico, foi a xilogravura, a mais antiga técnica de gravura, onde o artista desenha uma imagem sobre a superfície lisa e plena de um bloco de madeira de média suavidade entalhando com a faca e as goivas (materiais cortantes) as partes que deverão ser brancas, deixando a imagem projetar-se em relevo, e revestindo, assim, a superfície do bloco com nanquim, onde será impresso na folha de papel.

 

A água-tinta

Por fim, um outro método utilizado com certa freqüência é o da água-tinta que apesar de se fazer pelo mesmo método da água-forte, diferencia-se dela pelo resultado obtido, pois ao invés de produzir linhas, produz áreas tonais finamente granuladas.

 

Um alerta

Seja por meio do registro em desenho ou gravura, o papel do papel na história da arte se faz presente de forma fundamental ao ajudar a indicar, em séculos, o processo de criação de grandes mestres das artes plásticas. Infelizmente, no Brasil, seja por preconceito ou desconhecimento, muitas vezes relacionado ao processo de conservação e manutenção desse tipo de suporte, ele ainda tem sido relegado no mundo do colecionismo a um segundo plano, tanto em termos de valor, quanto em termos de apreciação. Já se faz tarde a necessidade de mudarmos a forma como olhamos para a arte produzida sobre papel…

 

 

 

Antiguidades e obras de arte

José Márcio Viezzi Molfi é fundador da VM Escritório de Arte, antiquário clássico de São Paulo especializado na comercialização de obras de arte e antiguidades; pesquisa, catalogação, avaliação e gestão de acervos; consultoria em “art investment” para colecionadores e instituições públicas e privadas; realização de exposições e leilões de arte e antiguidades, e assessoria em serviços de restauração.

 

 

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