Foi na China que a cerâmica surgiu, a partir da descoberta do caulim, matéria-prima básica para a sua produção, tornando o país detentor da maior tradição mundial na fabricação de cerâmica e porcelana. O reconhecido destaque da China neste campo se deve não apenas à beleza e qualidades técnicas dos produtos, mas também à enorme influência que tiveram tanto na Ásia quanto no Ocidente.

 

A cerâmica e as dinastias chinesas

Produzida desde o III milênio a.C., alguns exemplares antigos revelam excelente qualidade e belíssima decoração, mas é apenas a partir da dinastia Han (206 a.C. – 220 d.C.) que tem início uma tradição contínua de fabricação de cerâmica cozida e vitrificada para uso cotidiano. A louça cozida também foi produzida, resultando nos produtos da conhecida Sexta Dinastia (251 – 589) e da dinastia Tang (251 – 589). A dinastia Song (960 – 1279) representou a idade de ouro da cerâmica chinesa, com os famosos fornos, tanto no sul quanto no norte da China. O sudeste do país se transformou no mais importante centro de cerâmica a partir da dinastia Yuan (1279 – 1368).

 

O aperfeiçoamento das técnicas e decorações

Ao longo dos séculos, os chineses foram aperfeiçoando as técnicas e as decorações das peças, desenvolvendo o controle sobre o pigmento azul, de modo que ele pudesse ser utilizado em detalhes pincelados durante a dinastia Ming (1368 – 1644). Neste período, a cerâmica e a porcelana azul e branca alcançaram seu ponto alto, especialmente no século XV desta dinastia. Já na dinastia Qing (1644 – 1911), os esmaltes conhecidos como “família verde” se tornaram populares no reinado do imperador Kangxi (1662 – 1722) e os conhecidos como “família rosa”, no reinado de Youngzheng (1723 – 1735). Os nomes deviam-se às cores utilizadas na ornamentação das peças, geralmente de motivos foliáceos e florais estilizados, ornados com símbolos da cultura chinesa.

 

A importância do século XVIII e os dias atuais

A indústria da cerâmica floresceu neste século, com o complexo de fabricação de cerâmica de Jingdezhen tendo hábeis diretores e desfrutando do patrocínio da corte, especialmente no reinado do imperador Qianlong (1736 – 1795), grande incentivador das artes e colecionador.

 

Desde então, a cerâmica chinesa produzida tem sido vista apenas como hábil imitação dos modelos antigos. Infelizmente, no século XX, muitas são falsificações das cerâmicas antigas. No entanto, a verdadeira cerâmica e porcelana antigas chinesas continuam sendo muito apreciadas e colecionadas no mundo todo, tendo algumas atingido valores consideráveis em pregões mundo afora.

 

 

 

Dica Literária

AS COMPANHIAS DAS ÍNDIAS E A PORCELANA CHINESA DE ENCOMENDA
José Roberto Teixeira Leite
Ed. Fundação Cultural da Bahia, 1986

Este livro é um clássico da bibliografia de antiguidades no Brasil. Teixeira Leite cataloga várias peças de encomendas feitas por titulares do império brasileiro para a aquisição de porcelanas chinesas brasonadas e monogramadas, moda muito em voga na Europa dos séculos XVIII e XIX, e que chegou ao Brasil. Fartamente ilustrado, a obra mostra um pouco do gosto à mesa e à decoração, desde a família imperial brasileira até barões, condes, viscondes e duques que compunham a corte brasileira do século XIX. Livro obrigatório para colecionadores de porcelanas imperiais brasileiras e apreciadores de porcelana em geral.

 

 

Antiguidades e obras de arte

José Márcio Viezzi Molfi é fundador da VM Escritório de Arte, antiquário clássico de São Paulo especializado na comercialização de obras de arte e antiguidades; pesquisa, catalogação, avaliação e gestão de acervos; consultoria em “art investment” para colecionadores e instituições públicas e privadas; realização de exposições e leilões de arte e antiguidades, e assessoria em serviços de restauração.

 

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