Rompendo com os cânones rígidos do ensino das artes plásticas na antiga Academia Imperial das Belas Artes, advindos e implementados pelos artistas da Missão Artística Francesa em 1816, Grimm vai ser o pintor que rompe com esses tradicionais métodos de aprendizado na segunda metade do século XIX no Brasil, gerando em torno de si discípulos que o seguirão em seus ensinamentos e ideais.

 

Grimm

Johann Georg Grimm, alemão bávaro nascido em 1846, realizou seus estudos no ambiente de aprendizado rigoroso e exigente da Academia de Artes Plásticas de Munique, mas já muito influenciado pela ascensão do naturalismo romântico através das pinturas a plein air – ao ar livre – e, em especial, pela forte influência da arte italiana na pintura alemã do século XIX. Esses ensinamentos ele levará consigo por toda a sua curta trajetória de vida, produzindo obras de grande beleza e qualidade pictórica, onde o tratamento da luz será sempre elaborado.

 

A chegada ao Brasil

Após deixar a Alemanha em 1871, em viagem por alguns países do Mediterrâneo e Oriente Médio, Grimm chega provavelmente ao Brasil em 1878, sendo contratado para ministrar a cadeira de “Paisagem, Flores e Animais” da Academia Imperial no Rio de Janeiro em 1882. A limitação dos métodos de trabalho restrita ao interior dos ateliers escolares através de questões como luminosidade e observação da realidade no ensino da pintura paisagística, serão alguns dos pontos frontalmente atacados por esse alemão acostumado à rigidez do estudo aliado à inovação do método. A mudança de postura que adquire então no ensino da disciplina começa a despertar o interesse e a atenção dos alunos, arregimentando um grupo que futuramente será identificado com o nome do mestre.

 

O Grupo

Atribui-se a denominação de Grimm ao grupo de jovens artistas de diversas nacionalidades que, egressos da Academia Imperial, permaneceram reunidos durante os anos de 1884 a 1886 no recanto da Boa Viagem, em Niterói, sob a liderança e a orientação do mestre alemão, assistido por um dos membros e discípulo, o também alemão Thomas Driendl. Alguns dos artistas que fizeram parte desse grupo serão fundamentais dentro da história da arte brasileira, dentre eles Antonio Parreiras e Giambattista Castagneto. Os demais membros foram Garcia y Vasquez, Hipólito Caron, Gomes Ribeiro e França Júnior.

 

A pintura ao ar livre

As possibilidades da pintura paisagística in loco promovidas por Grimm e absorvidas entusiasticamente pelo referido grupo de alunos, são marcadas pela diversidade da representação visual criada a partir de um enfoque estritamente naturalista, onde a necessidade de se pintar ao ar livre afasta o maneirismo que afetava, em geral, as produções artísticas de atelier à época. Isso vai fazer uma grande diferença no resultado final das obras produzidas por aqueles pintores. Basta observarmos algumas telas produzidas, exemplarmente, por Parreiras ou por Caron.

Nesse sentido, a contribuição de Georg Grimm na história da arte no país não se restringe apenas à sua forma de pintar, mas sim ao enfoque que ele aplicou ao ato de pintar e à atitude compatível que deveria ser assumida pelo artista profissionalmente: ele, o professor, impondo seus métodos aos demais; ele, o incansável viajante, procurando obsessivamente aproximar-se dos objetos a serem representados em seus trabalhos; ele, o observador incorrigível, tratando da paisagem real e seus aspectos particulares em sua atividade criadora…

 

Um “divisor de água” no ensino da arte no Brasil

Em assim sendo, ao pensarmos na hipótese de Grimm e seu grupo serem o “divisor de águas” na evolução do ensino da arte no Brasil, situando-se entre a rigidez do aprendizado proveniente da Missão Francesa na primeira metade do século XIX e o surgimento do Modernismo na década de 20 do século passado, ela torna-se uma realidade.

Ao falecer, tísico, em 1888, Grimm deixou uma marca indelével na educação das artes plásticas no Brasil ao romper com regras que, até então, na verdade, acabavam apenas por limitar uma melhor qualidade da fatura na produção paisagística nacional.

 

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Hipólito Caron, Vista da Gamboa, Rio de Janeiro-RJ

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Antonio Parreiras, Paisagem Campestre

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França Júnior, Pico da Viúva, Rio de Janeiro-RJ

 

Antiguidades e obras de arte

José Márcio Viezzi Molfi é fundador da VM Escritório de Arte, antiquário clássico de São Paulo especializado na comercialização de obras de arte e antiguidades; pesquisa, catalogação, avaliação e gestão de acervos; consultoria em “art investment” para colecionadores e instituições públicas e privadas; realização de exposições e leilões de arte e antiguidades, e assessoria em serviços de restauração.

 

 

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