O estilo francês “Luís XV” designa um estilo de decoração de interiores e mobiliário que se desenvolve durante o reinado de Luís XV, entre aproximadamente os anos de 1730 e 1750-60 (não englobando todo o período do reinado, que vai até 1774). Este estilo é influenciado pelas linhas fluídas e graciosas do rococó e pelo seu repertório de motivos ornamentais, situando-se entre o estilo “Regência”, onde já dá os primeiros passos, e o estilo “Luís XVI”, que se caracteriza por uma maior rigidez e austeridade. É considerado um dos estilos estéticos franceses de maior impacto, sendo, por isso, alvo dos mais diversos revivalismos ao longo do tempo.

 

A estética

De um modo geral, a estética vai estar a serviço da mentalidade da época, da busca dos prazeres do quotidiano e intimamente ligado à figura feminina, e suas graciosas curvas, a sua maior inspiração. Provavelmente a figura de maior destaque no impulso das artes decorativas deste período seja Madame de Pompadour, amante do rei, que o incentiva a promover a produção artística, como no caso da oficina de porcelana de Vincennes, posteriormente Sèvres, de onde originam muitas das peças usadas neste estilo.

 

Os interiores

Nos interiores, onde o salão se destaca como o espaço de eleição para estar em sociedade, o pé-direito reduz em altura e aplicam-se cores suaves e tons pasteis às paredes. O mobiliário torna-se mais confortável pela redução a uma escala mais humana e as diferentes peças espalham-se por todo o ambiente, convidando ao relaxamento e à intimidade. O mobiliário, que agora não fica apenas mais encostado à parede, relegado a cantos, passa a ter um trabalho mais cuidadoso também nos versos que antes ficavam escondidos ao olhar.

 

A qualidade

Em geral, o trabalho artesanal das corporações deste período é de grande qualidade. Surgem os “menuisiers”, marceneiros que desenvolvem trabalhos em madeira maciça, onde se destacam Jean-Baptiste Tilliard (mestre em 1752), Nicolas-Quinibert Foliot (1706 – 1776), Jean Gourdin e Dellanois e Cresson. Continua-se também a tradição dos “ebénistes” para trabalhos de folheação (folha de madeira) e marchetaria em madeiras exóticas, onde se destacam Jacques Dubois (c. 1693 – 1763) e Jean-François Oeben (1721 – 1763). Nos trabalhos em bronze, que adornam os mobiliários, destacam-se Jaques Caffieri (1678 – 1755) e nos trabalhos em laca, as famílias Martin, criadora do famoso acabamento “Verniz Martin”, e Chavalier.

 

As características

Por fim, as características deste estilo são dadas pela:

 

  • estrutura escultórica de linhas leves e curvas sinuosas, assimetria, fluidez, movimento e elegância;

 

  • alta qualidade de execução com esmerado trabalho na decoração e atenção ao pormenor;

 

  • utilização de madeiras variadas como nogueira, faia, carvalho, pau-rosa, pau-roxo, pau-santo, pau-setim, amaranto, painéis de laca, placas de porcelana e mármore (para tampos) e aplicação de bronzes, pintura e laca oriental (ou a imitação designada Verniz Martin);

 

  • elementos decorativos com inspiração na natureza com motivos vegetais (flor com caule, de representação naturalista ou estilizada, em ramos ou grinaldas, e folhagens retorcidas e enroladas), conchas, rochas, cristas de ondas, curvas em C e S, figuras geométricas e marchetaria de contornos sinuosos.

 

O estilo “Luís XV” é longevo, ainda sendo muito apreciado e imitado até os dias atuais, um sinônimo de quão agradável é esteticamente.

 

 

Dica Literária

MADAME DE POMPADOUR
Christine Pevitt Algrant
Ed. Objetiva, 2005

Esta biografia da lendária amante do rei Luís XV de França oferece uma vívida compreensão sobre a trajetória de uma mulher que se fez sozinha e cuja assombrosa ascensão confundiu os mais experientes e sofisticados de seus contemporâneos. De suas origens modestas na Paris do começo do século XVIII até seu reinado como a incontestável senhora de Versalhes, o livro leva o leitor para os aposentos mais distantes e exclusivos da corte francesa. A autora também mostra a influência da favorita do rei em todo o espectro artístico, como no incentivo à criação da manufatura de porcelana Vincennes, e político da época, inclusive suas relações com os líderes do Iluminismo francês – Voltaire, Rousseau e Diderot. Preparada desde tenra idade para assumir o papel de amante de um homem rico, Jeanne-Antoinette Poisson passou por diversas transformações, do casamento indiferente com um coletor de impostos parisiense até o envolvimento da vida inteira com a elite financeira da França, antes de cativar o próprio rei e ser oficialmente reconhecida como sua amante declarada.

 

 

Antiguidades e obras de arte

José Márcio Viezzi Molfi é fundador da VM Escritório de Arte, antiquário clássico de São Paulo especializado na comercialização de obras de arte e antiguidades; pesquisa, catalogação, avaliação e gestão de acervos; consultoria em “art investment” para colecionadores e instituições públicas e privadas; realização de exposições e leilões de arte e antiguidades, e assessoria em serviços de restauração.

 

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