Há uma história corriqueira que há tempos veicula pela cidade alemã de Meissen, próxima à importante Dresden e berço da famosa manufatura, que durante uma recepção oferecida pelo terceiro rei da Prússia, Frederico II (1712 – 1786), a embaixadores estrangeiros, durante o banquete de gala, um dos serviçais deixou cair uma das peças do imponente serviço de porcelana de Meissen. O serviçal, além de severamente repreendido, foi também castigado, pois o rei prussiano não suportava pensar em ter suas belas peças da referida fábrica perdidas, de tanto que admirava a “Meißner Porzellan”, como é conhecida em sua língua de origem. Lenda ou não, a verdade é que “Meissen” se tornará, ao longo dos séculos, principal sinônimo de qualidade e beleza na arte da confecção de porcelanas. E sua importância não se restringe apenas ao fato de ter sido a primeira manufatura em solo europeu. Os trezentos anos da criação da manufatura de porcelana de “Böttger” que se comemoram este ano de 2007, comprovam a sua importância no mundo das artes, Esta velha nova “senhora” chamada Meissen, realmente, confirma o dito latino: “ars longa, vita brevis”…

 

O rompimento da hegemonia da porcelana chinesa

Quando o domínio exclusivo da técnica da produção de porcelanas restringia-se aos chineses, em um segredo guardado a sete chaves, “Meissen” foi a primeira porcelana da Europa a romper essa hegemonia em 1708, quando o erudito matemático e cientista alemão Ehrenfried Walther von Tschirnhaus (1651 – 1708) descobriu uma fórmula que se assemelhava à pasta dura. Após sua morte repentina e prematura, no desenvolvimento dessa descoberta, o químico e alquimista alemão da corte de Dresden, Johann Friedrich Böttger (1682 – 1719), que atuava junto a Tschirnhaus, começou a dar continuidade ao seu trabalho, razão pela qual é considerado frequentemente, de modo errôneo, como o responsável pela sua invenção. Böttger, incentivado por Augusto II (1670 – 1733) – eleitor da Saxônia e rei da Polônia – teve papel fundamental no desenvolvimento da porcelana européia ao conseguir uma fórmula cujo resultado se aproximava muito à cerâmica chinesa. Extraindo e utilizando uma terra fina e cinzenta das minas de Kolditz, o caulim, e também empregando o alabastro calcinado e o Feldspato, Böttger acabou obtendo a tão sonhada fórmula da porcelana. Contudo, o segredo da sua elaboração ainda não estava por todo descoberto. Foi apenas ao cozer em uma temperatura, até então inusual para quaisquer processos químicos dessas matérias-primas, entre 1.300 e 1.400 graus e durante um período longo de doze horas seguidas, que Böttger finalmente legou à posteridade a primeira porcelana produzida em solo europeu como produto final. Em memorando datado de 28 de Agosto de 1709, enviado a Augusto II, ele anuncia a invenção do “ouro branco”, a porcelana. Esse sucesso certeiro fez com que Böttger, em 1710, de seu laboratório na baixa Saxônia, no castelo de Albrechtsburg, fundasse a primeira fábrica de porcelanas na Europa, específicamente na cidade alemã de Meissen. No início sua descoberta também era um grande segredo compartilhado apenas por alguns poucos empregados que tiveram acesso à sua fórmula e aos seus métodos produtivos. E algumas manufaturas européias, em anos posteriores, surgidas em Viena, Veneza e Nápoles só foram possíveis graças a esses empregados que difundiram a sua descoberta e acabaram fundando novas fábricas.

 

No entanto, como escreveu o economista austríaco Joseph Schumpeter (1883 – 1950), já em pleno século XX, o empresário inovador terá sempre a liderança de seu mercado ao inovar constantemente. Com a manufatura de Meissen, não foi diferente.

 

A incipiente produção da porcelana de Meissen, a partir de sua fundação, começou, então, a atrair um número cada vez crescente de excelentes artistas e artesãos da época que se sentiam compelidos a apresentar suas criações em um produto, há muito, bastante apreciado no Velho Continente, símbolo de status social e riqueza. Entre eles, o primeiro a se destacar foi Johann Gregorius Höroldt (1696 – 1775) que, em 1720, é empregado como o responsável pela pintura das peças.

 

O logo

Como estava sob as graças reais de Augusto II, a fábrica de Meissen criou seu primeiro logo para diferenciar e divulgar as peças que saíam de sua produção, o famoso “AR”, de Augustus Rex, em homenagem ao seu protetor. Entretanto, seu logo mais famoso, as duas espadas cruzadas inspiradas no escudo de armas da Saxônia, só será introduzido a partir de 1723 pelo supervisor da manufatura, Johann Melchior (1664 – 1731), pintado na superfície, acompanhado das iniciais “K.P.M.” de Königliche Porzellan Manufaktur, “M.P.M.” de Meissener Porzellan-Manufaktur e “K.P.F.” de Königliche Porzellan-Fabrik, e, por volta de 1724, sozinho, com a intenção primordial de proteger sua produção dos falsificadores que, já naquele período, começavam a atuar. Nesse sentido, em decreto oficial de 1731, a marca foi institucionalizada. Contudo, o logotipo da porcelana em azul sob o vidrado (underglaze blue) foi introduzido pela primeira vez por Friedrich August Köttig (1794 – 1864) que descobriu, em 1828, o “azul de Meissen” (Meißner Lasursteinblau), resultando no famoso “azul ultramarino”, em 1829, que irá caracterizar essa cor nas decorações da manufatura. As variações diferentes no estilo das “espadas cruzadas” servem, hoje em dia, para datar as porcelanas da manufatura. É possível que essa marca de Meissen, presente até hoje e tão imitada ao longo desses séculos, seja uma das marcas mais antigas que existe em atividade no mundo.

 

O início da produção

O primeiro tipo de porcelana produzido por Böttger era um material refinado, extremamente duro e de cor vermelha, que ficou conhecido na Alemanha como Böttgersteinzeug (“lama de Böttger”). A técnica enfatizava a claridade e a transparência, ressaltando os detalhes que, adicionados por meio de moldes, eram adornados posteriormente. Estas decorações podiam ser lustradas e brilhosas antes do processo de cozimento. Os trabalhos lembravam as figuras de prata, no estilo barroco, e a cerâmica chinesa. Logo, porém, se começou a elaborar, na técnica da porcelana de pasta dura branca, um tipo especial de porcelana que havia sido desenvolvido pelos chineses já no século IX, que era queimada a altas temperaturas e envolvia uma fórmula que continha caolinita e uma rocha feldespática denominada “petunse”. Esta porcelana de pasta dura poderia ser vidrada e pintada e começaria a ser comercializada em 1713.

 

A mudança resultante dos experimentos de Böttger melhorou sensivelmente a qualidade das peças produzidas, mas a decoração das mesmas ainda deixava muito a desejar. Os primeiros sucessos qualitativos vieram quando ele conseguiu introduzir e fixar a ornamentação dourada cuja técnica consistia na gravação a ouro sobre a peça cozida antes de receber uma segunda queima a menor temperatura. Com a técnica apurada, podia-se, então, aprimorar e requintar as decorações de suas peças. As primeiras ornamentações de esmaltado policromático foram introduzidas por Höroldt em 1723, com a utilização de cores cada vez mais abrangentes que vai marcar o início da denominada “fase clássica” da porcelana de Meissen. Suas pinturas esmaltadas continuam sendo empregadas até os dias atuais e tornaram-se a base da pintura sobre cerâmica. Inicialmente, as decorações eram apenas imitações dos motivos orientais. Em breve, as ornamentações passaram a conter cenas paisagísticas e marinhas minuciosamente detalhadas, dentro do conceito iconográfico, além de representações de animais, motivos florais, cenas galantes e chinoiseries, que gradualmente passaram a ser muito apreciadas. Também dessa fase são os jarrões e jogos para chá que imitavam as decorações japonesas ao padrão “Kakiemon” com motivos florais e de pássaros em tons turquesa, azul escuro, vermelho e preto e que durante anos foram denominados indianische Blumen (flores da Índia) pois acreditava-se que as peças importadas das Companhias das Índias Orientais eram provenientes daquele país. O padrão Meissen de decoração também se distinguiu pela reprodução de pinturas do artista barroco francês Jean-Antoine Watteau (1684 – 1721). Ao longo desses anos, Meissen também produziu porcelanas vidradas coloridas sem nenhuma decoração, comercializadas com outras fábricas para que decorassem as peças.

 

A fama

Logo que começou a usar o laboratório de Albrechtsburg para manter os segredos da descoberta do “ouro branco”, Böttger, como precaução, permitia que apenas alguns poucos trabalhadores peritos tivessem acesso à sua descoberta e conseqüentemente, trabalhassem na elaboração segmentada da porcelana. Mesmo que um trabalhador soubesse alguns dos segredos do processo, estes eram relativos e não diziam respeito ao todo. Por isto, durante alguns anos, Meissen teve o monopólio da produção da pasta dura da porcelana no continente europeu. Contudo, as precauções de Böttger não impediram que seu processo produtivo fosse revelado. Por volta de 1717 a competição se estabeleceu na Europa quando, em Viena, Samuel Stöltzel vendeu a fórmula secreta que incluía o uso do caulim, conhecido como a “lama chinesa”. Já em 1760, aproximadamente trinta fabricantes de porcelana já existiam na Europa. No entanto, a maioria deles produzia a pasta mole de porcelana devido principalmente à falta de depósitos locais da matéria-prima, o caulim.

 

O Desenvolvimento artístico

As cores vivas

A primeira encomenda feita à fábrica de Meissen foi realizada por Augusto, o Forte, como era conhecido Augusto II, que requisitou um primeiro projeto para a confecção de vasos ao artista Johann Jakob Irminger. Em 1720, Höroldt, quando ocupa a posição de diretor, introduziu as cores vivas que aumentaram a fama da porcelana de Meissen. As cores de sua palheta usadas, ainda sobre a pasta, foram desenvolvidas por ele e utilizadas até os dias atuais. Höroldt, assim, define o estilo europeu de pintura da porcelana nas décadas seguintes. Também Heinrich Gottlieb Kühn (1788 – 1870) teve importante participação no processo de decoração das peças de Meissen ao testar e inventar o processo de criação de cores e tons em sua rica palheta.

 

As esculturas

O escultor Johann Jakob Kirchner foi outro importante artista que atuou em Meissen, sendo o primeiro a fazer esculturas de porcelana, especialmente miniaturas e efígies de santos no estilo barroco. Seu assistente, à época, era Johann Joachim Kändler (1706 – 1775), que seria o artista-modelador mais famoso da manufatura, fundamental para o total reconhecimento da marca naquela época. Quando Kirchner renunciou em 1733, Kändler assumiu para si a função de mestre dos escultores que atuavam na manufatura. Sob sua orientação, Meissen produziu uma série de pequenas esculturas que representavam freqüentemente cenas da corte e figuras da commedia dell’arte ou comédia italiana, produzindo encantadoras peças dos personagens Arlequim, Colombina, Pierrot e Fanfarrão, explorando todas as possibilidades que os novos materiais ofereciam. A coleção das figuras de animais em grande escala idealizada por Kändler também marcaram época, corroborando para a fama cada vez maior da manufatura e um dos pontos altos na história da produção de porcelanas na Europa. Seu trabalho igualmente se traduziu na produção de esplêndidas miniaturas dentro do estilo Rococó alemão, que acabaram por influenciar a produção de peças de porcelana de todos os concorrentes de Meissen no velho continente. Assessorado por exímios assistentes, entre eles, os Porzellanmodelleurs alemães Johann Friedrich Eberlein (1695 – 1749) e Peter Reinicke, Kändler trabalhou até sua morte, em 1775. Este seu último assistente, muito talentoso, acabou criando uma série de figuras que ficaram conhecidas como “Cris de Paris” (gritos de Paris), ou “figuras de Reinicke”, que representavam vendedores de ofícios e bens.

 

O reajuste da produção para enfrentar os novos tempos

Em 1756, no início da guerra dos Sete Anos, que perdurou até 1763, as tropas prussianas ocuparam Meissen, dando a oportunidade a Frederico II da Prússia de transferir alguns dos artesãos que atuavam na manufatura para criar a Königliche Porzellan-Manufaktur Berlin, a famosa “KPM Berlin”, em 1763. Com a mudança do gosto artístico à época, calcado no incipiente estilo Neoclássico e o apreciado estilo desenvolvido pela porcelana francesa de Sèvres na década de 1760, a fábrica de Meissen teve que reajustar sua produção para enfrentar novos tempos. Após a reorganização de 1763, Christian Wilhelm Ernst Dietrich (1712 – 1774) da Academia de Dresden transformou-se no diretor artístico e o francês Michel Victor Acier (1736 – 1799) no mestre dos escultores. Nesta fase, o artista Johann Carl Schönheit (1730 – 1805) destacava-se como o grande criador de obras em biscuit. Foi a partir deste ano que a prática de registrar o número do molde em livros de inventário começou a ser efetuada na fábrica de Meissen. Sob a direção do político Camillo Graff Marcolini-Ferretti (1739 – 1814), conhecido como conde Marcolini, em 1774, a produção da manufatura foi marcada pela forte influência dos estilos de Sèvres e do Neoclassicismo, como por exemplo as peças feitas em “biscuit” de aparência marmórea. Estes períodos de Meissen ficaram conhecidos como a fase “Acadêmica” e sua identificação se diferencia pela logomarca. Na primeira fase foi introduzido um ponto na marca, se localizando entre as empunhaduras das espadas cruzadas. Por isso esta fase também é conhecida como o período do ponto, ou Dot Períod, e vai de 1763 até 1774. Já na segunda fase, o período Marcolini, houve a inserção na marca de uma “estrela” ou “asterisco” que se localiza acima das empunhaduras das espadas cruzadas. Esse período dura de 1774 a 1813. Nesta mesma época, o padrão de qualidade das peças acabadas começou a ser mensurado e identificado. As peças que não passavam pelo crivo exigente do “controle de qualidade”, apresentavam marcações transversais incisivas na pasta da porcelana, sobre a logomarca das espadas cruzadas, e conseqüentemente eram destruídas, para não serem comercializadas. Esta foi uma prática adotada principalmente nos séculos posteriores, apesar da existência de exemplares “rejeitados” pela fábrica que ainda hoje são comercializados.

 

Século XIX: a modernização do estilo Rococó

Já no século XIX, Ernst August Leuteritz modernizou o estilo Rococó alemão das miniaturas até então produzidas e comercializadas, criando “um segundo Rococó”, rico nos detalhes e inovando nos desenhos, principalmente das figuras feitas com movimentos reais, de influência maneirista, e das modelagens de flores nas peças que eram inseridas como ornamentos. Curioso é que, à época, colecionadores ingleses começaram a se referir às porcelanas produzidas sob essa nova estética empregando o termo de “porcelana de Dresden” para descrever este estilo, especialmente para indicarem as estatuetas femininas que sugeriam uma “coquette” ou uma “tímida inocente”.

 

Início do século XX: a recriação de modelos dos “setecentos”

Sob a orientação de Erich Hösel no início do século XX, em 1903, os velhos estilos foram revistos e reinterpretados. Modelos criados no século XVIII foram recuperados por Hösel. Alguns trabalhos inseridos na linha do art nouveau igualmente começaram a ser confeccionados nestes anos, mas o principal da produção de Meissen continuou sendo as recriações de modelos do “setecentos”.

 

A restrição da liberdade artística imposta pelo Nazismo

No ano de 1933, o estado da Saxônia restringiu a liberdade artística nos processos criativos da Arte, sob a égide do regime nazista que começava a governar a Alemanha, atingindo também a produção de Meissen. Alguns criadores com uma concepção vanguardista da arte foram proibidos de atuar na fábrica. Como exemplo, muitos trabalhos do escultor expressionista Ernst Barlach (1879 – 1938) foram tachados de “Arte Degenerada” e, portanto, destruídos e vetados em sua comercialização.

 

Depois da Segunda Guerra Mundial

Após a Segunda Guerra Mundial, sob governo comunista da antiga Alemanha Oriental, a porcelana teve dificuldades em readaptar-se à nova situação política do país, ao tratar-se de um setor tradicional destinado às minorias abastadas. Proletarizar uma indústria como a fábrica de porcelanas de Meissen poderia implicar no perigo da produção em massa e na conseqüente queda de qualidade das peças produzidas. Foi a partir do ano de 1969, em que Karl Petermann foi nomeado diretor da fábrica, é que Meissen retomou suas velhas tradições, permitindo uma expressão artística mais livre sem perder a qualidade.

 

Os “serviços”, uma produção à parte

A fama e a importância de Meissen não se restringiram à produção de peças decorativas, apenas. Já à época de Böttger, a produção de serviços para jantar foi contemplada pela manufatura, sendo a primeira datada por volta de 1720. Os primeiros “jogos de pratos”, assim denominados, eram simples e foi Kändler que introduziu as decorações nesses aparelhos. Em 1740, Meissen criou o famoso jogo conhecido como Schwanenservice , o “serviço do cisne”, composto de mais de mil peças, para o Conde Heinrich von Brühl, ministro principal da Saxônia e o “protetor” de Kändler. Este magnífico aparelho para jantar, após a Segunda Guerra Mundial, teve suas peças dispersadas, mas os moldes foram conservados, o que proporcionou o aparecimento de réplicas atuais das peças e a possibilidade de sua aquisição. Kändler também produziu em 1745 um padrão denominado “corte novo”, que se caracterizou pelo corte ondulado das bordas na modelagem da porcelana. Alguns serviços para chá, da segunda metade daquele século, apresentavam esse “corte novo” de J. J. Kändler.

 

Outro caso interesante para citar, refere-se ao famoso “modelo da cebola” (Zwiebelmuster), conhecido no Brasil como “cebolinha”, um dos destaques de Meissen, sendo produzido ainda hoje, há quase três séculos. Este modelo surgiu de um desenho de Höroldt de 1739, inspirado provavelmente em uma bacia chinesa do período Kangxi. Devido à sua popularidade, chegou a ser copiado por mais de sessenta concorrentes ao longo dos séculos. Muitas peças que imitam os famosos adornos desse modelo foram criados por esses concorrentes, se apropriando, inclusive, do nome de Meissen para identificá-los. Esse padrão era tão popular e estava tão difundido, que a corte suprema da Alemanha declarou o termo Meissener Zwiebelmuster (modelo da “cebola de Meissen”) de domínio público, em 1926.

 

Outros modelos populares que continuam ainda hoje sendo produzidos são o da “rosa púrpura” e o das “folhas de parreira”. Uma outra série de aparelhos para servir, também de sucesso comercial, têm gravados sob o vidrado o motivo de dragões vermelhos e dourados que voam em torno da borda do prato, com um medalhão no centro do molde. Diz a história que uma versão deste modelo foi usada no refúgio bávaro do ditador nazista Adolf Hitler, descoberto ao final da Segunda Guerra Mundial.

 

Um pouco de colecionismo

A extrema raridade de algumas peças de porcelana de Meissen e do enorme valor comercial agregado pela qualidade do material utilizado e pelas refinadas técnica e estética, fizeram com que Meissen fosse ítem exclusivo e obrigatório nas coleções da nobreza e da realeza européia ao longo dos séculos anteriores. Esta manufatura alemã foi encarregada, ao longo de todos esses anos, de produzir peças sob encomenda não apenas para a nobreza alemã, mas principalmente para a realeza de países como a Rússia, a França e a Inglaterra, entre outras casas reais européias. Desta forma, a porcelana produzida sob o padrão de qualidade “Meissen” foi sendo gradualmente distribuída e fazendo parte de diferentes coleções. Quando começaram a surgir as classes abastadas norte-americanas na segunda metade do século XIX, os Estados Unidos passaram também a adquirir partes de antigas coleções do Velho Continente como, por exemplo, a proeminente família dos Vanderbilt, que acabou por iniciar sua própria coleção. Algumas destas antigas coleções européias podem, inclusive, ser apreciadas em diferentes museus do mundo, o que chancela a importância de Meissen na história da porcelana.

 

Nomes que fizeram Meissen

 

• Ehrenfried Walther von Tschirnhaus, inventor da porcelana européia;
• Johann Friedrich Böttger, introduziu o processo da manufatura de porcelana;
• Heinrich Gottlieb Kühn, inventor do processo de cores;
• Friedrich August Köttig, inventor do conhecido “azul de Meissen”;
• Johann Joachim Kändler, artista famoso e modeleur de excepcionais figuras;
• Johann Gregorius Höroldt, pintor de porcelana, inventor dos corantes para a porcelana;
• Camillo Marcolini, político e diretor de produção.

 

Curiosidade

A ocarina é um instrumento de sopro globular feito de porcelana, terracota ou pedra, semelhante a uma flauta. É um dos instrumentos musicais mais antigos do mundo. Possui normalmente a forma oval tendo de quatro a treze buracos para os dedos, porém há algumas variações nesse desenho. Um tubo projeta-se de seu corpo servindo de bocal. Normalmente é feito de material cerâmico mas também podem ser usados outros materiais como plástico, madeira, vidro ou metal.

 

Foram produzidas ocarinas de porcelana belamente pintadas, como as ocarinas de Meissen. A fábrica de Meissen na Alemanha não construiu ocarinas, mas autorizou os fabricantes de ocarina a usar o padrão Meissen de azul e branco no design exterior.

 

O uso comum da ocarina nos países ocidentais data do século XIX, quando sua forma moderna foi inventada pelo italiano Giuseppe Donati. O nome é derivado do italiano (ocarina “pequeno ganso”). Uma forma anterior era conhecida na Europa, feita de chifre de animal, e conhecida como gemshorn.

 

Dica Literária

EARLY MEISSEN PORCELAIN IN DRESDEN
Ingeloren Menzhausen
Ed. Thames & Hudson, 1990

Fartamente ilustrado, este livro em 212 páginas traz peças produzidas por J. J. Kändler, Reinicke, entre outros artistas e modeladores iniciais desta famosa manufatura. Peças do século XVIII que fizeram a fama de Meissen, na sua mais diversificada produção que ia desde vasos até a esculturas.

Obra referencial para os amantes da arte da porcelana.

Edição em inglês.

 

 

Antiguidades e obras de arte

José Márcio Viezzi Molfi é fundador da VM Escritório de Arte, antiquário clássico de São Paulo especializado na comercialização de obras de arte e antiguidades; pesquisa, catalogação, avaliação e gestão de acervos; consultoria em “art investment” para colecionadores e instituições públicas e privadas; realização de exposições e leilões de arte e antiguidades, e assessoria em serviços de restauração.

 

 

VM Escritório de Arte
José Márcio Viezzi Molfi
Rua Augusta nº 2.203, Loja 18, Galeria América, Cerqueira César, São Paulo-SP
Telefones: 55-11-3311-8578 ou 55-11-99134-4663
Atendimento de segunda-feira a sexta-feira das 9h às 18h
http://www.vmescritarteleiloes.com.br
https://www.facebook.com/marciomolfi/