A Marchetaria é a arte e a técnica de ornamentar as superfícies planas de móveis, painéis, pisos, tetos, através da aplicação de materiais diversos, tais como: madeira, metais, madrepérola, pedras, plásticos, marfins e chifres de animais, tendo como principal suporte a madeira. De acordo com a técnica utilizada pode-se construir, por exemplo, objetos tridimensionais, esculturas, utilitários e jóias.

 

O surgimento e o aprimoramento

Surgida na antiguidade clássica, em regiões como Mesopotâmia, China e Egito, ela foi aprimorada durante o Império Romano, difundindo-se, contudo, apenas no início do século XIV na Itália, principalmente na região da Toscana. No século XV a marchetaria é praticada em particular na cidade de Florença, tendo em Francesco di Giovanni di Mateo (1428 – 1495), fundador da Escola Florentina de Arte, seu principal expoente.

 

As técnicas “tarsia certosina” e “tarsia geométrica”

A primeira técnica utilizada, a “tarsia certosina”, consistia no recorte de elementos do material a ser utilizado (pedra, madeira, metal, entre outros) e a posterior incrustação nas cavidades abertas nas superfícies maciças com o auxílio de formões ou ferramentas similares. Para sua fixação utilizava-se cola.

Também, contemporânea a esta, foi criada a “tarsia geométrica” cujas superfícies a serem decoradas eram inteiramente recobertas com folhas de madeira em lugar das incrustações. Nesta mesma época, século XV, inicia-se o tingimento das madeiras com o uso de óleos penetrantes, corantes diluídos em água aquecida e ácidos. Areia aquecida era utilizada para o sombreamento das obras.

 

A evolução com os mestres italianos

A arte da marchetaria seguiu evoluindo com os mestres italianos que retrataram em suas obras os edifícios característicos de suas vilas, ruas, praças, e também paisagens. Na segunda metade do século XVI, muitos móveis-gabinetes são decorados com folhas de ébano, pois se prestavam a serem esculpidas em baixo-relevo.

 

O surgimento da técnica “tarsia a incastro”

Por volta de 1620, sob a influência da marchetaria italiana, os motivos predominantes são as volutas e arabescos. As técnicas de corte evoluem possibilitando detalhes cada vez mais minuciosos, e é nesta época que surge na Alemanha a “tarsia a incastro”, recorte simultâneo das partes a serem montadas.

Mais tarde, na França, André-Charles Boulle (1642 – 1732), famoso ebanista do Rei Luís XIV, aperfeiçoa esta técnica agregando vários materiais, tais como folhas de cobre, latão, casco de tartaruga, placas de osso e marfim.

A marchetaria também passa a ser popular na Inglaterra a partir do século XVII.

 

A decadência e o ressurgimento com o art Nouveau

Com o passar do tempo, a arte da marchetaria entra em uma fase de decadência, mantida por não mais do que uma centena de artistas, ressurgindo, porém, com o advento do movimento artístico art Nouveau no final do século XIX, onde aparecem então os motivos estilizados, tais como flores, pássaros, borboletas, insetos, folhas e vegetais.

 

A marchetaria nos dias de hoje

Atualmente existem na Europa, América do Norte e Austrália muitos ateliês de marchetaria e associações de marcheteiros dispostos a não somente manter as antigas tradições da arte em madeira com refinadas criações artísticas de caráter contemporâneo, mas também as restaurações de obras antigas. Ao longo do ano são realizadas várias exposições e há um mercado já consolidado neste campo, onde se vê esta arte na construção de objetos utilitários, em bijuterias, na reciclagem e restauração de móveis e em painéis para decoração, quadros e esculturas.

 

 

 

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