A tapeçaria é um objeto decorativo feito em uma tela de tear mecânico, ou manual, cuja tecelagem representa motivos ornamentais. A tecelagem consiste em dois conjuntos de fios entrelaçados, aqueles paralelos ao comprimento, denominados fios de urdidura, e aqueles paralelos à largura, classificados de fios de trama. O fio da urdidura é colocado sob tensão em um tear, e o fio de trama é transmitido por um movimento mecânico de um lado para o outro sobre toda ou parte da estrutura.

Muitas vezes, a tapeçaria é utilizada como peça decorativa para paredes, para o mobiliário e também para o piso.

 

Uma arte antiga

A arte da tapeçaria existiu desde a antiguidade e muitos povos a praticaram, como na Grécia antiga, na China imperial, no antigo Egito e nas civilizações pré-colombianas. Porém, a tapeçaria passou a ser apreciada no Ocidente a partir do século XIV, quando, na França, o Duque Louis I de Anjou encomendou uma peça ilustrada com o tema hoje conhecido como Apocalipse. A partir do século XV, inúmeras fábricas de tapeçaria começaram a surgir principalmente na França e na região da antiga Flandres.

As técnicas também começaram a se aprimorar, com a utilização de relevos e perspectivas dadas pelas técnicas do “basse lissé” e “haut lissé”, cujos trabalhos eram realizados em um tear de tecidos com pinos e cordões altos ou baixos. O tecelão que realizava este tipo de trabalho passou a ser denominado de “licier” ou “lissier”.

 

A diversificação de matérias-primas

A utilização de matérias-primas também se diversificou ao longo dos séculos XV ao XVIII, sendo a lã o principal material utilizado para fazer uma tapeçaria, já que era fácil de colorir e de manter o calor no tingimento para a fixação dos pigmentos. Também a seda produzida pelo bicho da seda passou a ser apreciada já que proporcionava às peças uma aparência luminosa, apesar de seu alto preço. Em exemplares antigos, nas tapeçarias mais ricas, os fios de lã multicoloridos eram misturados com fios de seda, ou mesmo com fios de ouro ou prata, gerando um efeito estético de rara beleza.

 

As tapeçarias de parede

Cabe ressaltar que a arte das tapeçarias de parede é marcada pela diversidade de cores e temas que foram surgindo ao longo dos séculos. No início, era criado um cartão, que era o esboço em dimensões reais da tapeçaria. Este cartão, geralmente de papelão, era um tipo de modelo pintado que indicava a composição, os padrões e as cores que iriam compor a peça. Inicialmente realizada por estofadores, posteriormente tornou-se uma atividade em si mesma, onde tais profissionais passaram a ser conhecidos como “pintores-cartonniers”. Eles deram um grande impulso a essa arte principalmente nos séculos XVII e XVIII, já que geralmente, de grandes dimensões, elas serviam para embelezar os grandes ambientes de castelos e palácios.

 

Manufaturas e artistas famosos

Por fim, algumas das mais famosas manufaturas de tapeçaria que surgiram ao longo do tempo, destacando-se pela beleza e qualidade excepcionais das peças que produziam, foram a Manufatura d’Aubusson, a Fábrica de Savonnerie, a Manufatura de Gobelins, a Fábrica de Beauvais, a Oficina de Tournai e a Manufatura de Bruxelas, onde grandes artistas desenharam e fizeram peças, como Nicolas Bataille (1330 – 1405), Pasquier Grenier (1425 – 1493), Bernard van Orley (1488 – 1541), Willem de Pannemaker (1512 – 1581), Jan Cornelisz Vermeyen (1500 – 1559) e Jean-Baptiste Oudry (1686 – 1755) , dentre tantos outros ao longo dos séculos.

 

 

Dica Literária

FRENCH TAPESTRIES & TEXTILES
Charissa Bremer-David
Ed. J. Paul Getty Museum, 1997

Este livro, amplamente ilustrado, é uma pesquisa sobre os têxteis franceses desde o século XIV contidos na coleção do museu Getty – uma das melhores do mundo. Apresentando vinte e cinco tapeçarias extraordinárias tecidas nos principais fabricantes, como Gobelins e Beauvais, o catálogo também destaca três tapetes, duas telas de nó e dois conjuntos de tapeçarias bordadas, uma das quais é a única feita a partir de uma iluminura do século XIV conhecida como “Leito da Duquesa”. O livro inclui informações históricas completas sobre as peças e informações sobre a fonte literária, histórica e visual das imagens, bem como o contexto da encomenda aos artistas e a produção de cada têxtil.

Para os amantes das artes decorativas francesas e conhecedores de têxteis, este belo livro torna-se indispensável.

Edição em inglês.

 

 

Antiguidades e obras de arte

José Márcio Viezzi Molfi é fundador da VM Escritório de Arte, antiquário clássico de São Paulo especializado na comercialização de obras de arte e antiguidades; pesquisa, catalogação, avaliação e gestão de acervos; consultoria em “art investment” para colecionadores e instituições públicas e privadas; realização de exposições e leilões de arte e antiguidades, e assessoria em serviços de restauração.

 

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