A prata do Reino Unido (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte), vulgarmente conhecida como “prata inglesa”, e Irlanda é universalmente reconhecida como a melhor do mundo, seja em termos de qualidade e beleza, seja em termos de autenticidade e informação. Isso se deve a um dos sistemas de marcação mais estruturados no mundo, rigidamente controlados pelo Estado e por leis garantidoras.

 

As marcações

Geralmente composta por quatro marcações, denominadas punções, elas indicam o teor/pureza, o prateiro, a origem e a data de suas confecções. No caso das pratas de exportação, as peças ainda possuem um selo de identificação com o perfil do soberano à época da confecção da peça. Uma outra marca de prata que reconhece o padrão de pureza esterlina é a chamada “Leão Passante” que acompanha as marcas de algumas cidades inglesas, existindo também outras variações ao longo dos séculos passados como, mais notavelmente, a marca de pureza “Britannia”. Este padrão foi obrigatório na Grã-Bretanha entre os anos de 1697 e 1720 para tentar ajudar a evitar que as moedas de prata esterlina britânicas fossem derretidas para fazer chapas de prata . Tornou-se um padrão opcional a partir de então, e no Reino Unido e na Irlanda é agora denotado pela marca de precisão millesimal “958”, com o símbolo da “Britannia” sendo aplicado opcionalmente. No caso da prata irlandesa, a marca de pureza é a harpa coroada.

Com relação às marcações tradicionais, as peças de prata inglesa possuem, em sua maioria, os seguintes timbres de informação:

 

  • A marca da data, denominada “letra-data”, indica o ano exato em que a peça foi feita. O tipo de letra, se a letra é maiúscula ou minúscula, e mesmo a forma dentro da qual a letra está carimbada, devem ser tomadas em conjunto para determinar o ano;

  • A marca da cidade já não indica a cidade em que a peça foi testada, ou que o item foi testado no Reino Unido, mas sim o local em que foi confeccionada pelo prateiro. As praças de Londres, Sheffield, Birmingham, Chester, Exeter, Newcastle, York, Dublin, Edinburgo e Glasgow são as principais;

  • A marca do prateiro, onde cada fabricante de prata tem sua própria marca, sendo esta única. Este punção registrado geralmente é um conjunto de iniciais dentro de um escudo. Alguns dos prateiros mais renomados, pela excelência das peças que produziam, foram Paul de Lamerie (1688 – 1751), Peter Bateman (1740 – 1825), Paul Storr (1771 – 1844), Robert II Garrard (1793 – 1881) e Nathaniel Mills (1746 – 1840), só para citar alguns poucos entre tantos grandes artífices.

 

Cabe notar que a prata irlandesa também contém a imagem da “Hibernia”, junto com as demais marcações. Esta marca foi introduzida em 1730, e ainda está em uso até os dias atuais.

Toda a série de marcas descritas acima, referidas ao Reino Unido, também ainda estão em uso atualmente.

 

Duas marcações descontinuadas

Por fim, apenas por curiosidade, existem duas marcas de prata que foram descontinuadas em suas utilizações. A partir de 1 de dezembro de 1784, a lei britânica exigia que uma marca de serviço fosse aplicada a peças de prata. Isso mostrava que o imposto exigido havia sido pago à Coroa. A marca de serviço era um perfil da cabeça do monarca reinante, sendo rei George III de 1785 a 1821, rei George IV de 1822 a 1833, rei William IV de 1834 a 1837 e rainha Victória de 1838 a 1890, quando a marca foi interrompida. Também uma outra marca registrada britânica, adicional, que já não é usada é a marca de contagem, referente especificamente ao registro das peças feitas por cada artesão para que cada um pudesse receber o pagamento adequado devido.

Independente, contudo, de marcações, cada vez mais as peças de origem desses países são altamente apreciáveis, bastante procuradas por colecionadores, decoradores e apreciadores da arte da prataria.

 

 

Dica Literária

ENGLISH GOLDSMITHS AND THEIR MARKS
Sir Charles J. Jackson
Ed. Dover Publications, 1964

Com 747 páginas, este livro é um catálogo referencial sobre a prataria do Reino Unido. Traz em seu escopo todas as marcas, punções e timbres, além de uma relação completa dos prateiros que atuaram ao longo dos séculos passados. Publicação obrigatória para profissionais da área e colecionadores.

Edição em inglês.

 

 

Antiguidades e obras de arte

José Márcio Viezzi Molfi é fundador da VM Escritório de Arte, antiquário clássico de São Paulo especializado na comercialização de obras de arte e antiguidades; pesquisa, catalogação, avaliação e gestão de acervos; consultoria em “art investment” para colecionadores e instituições públicas e privadas; realização de exposições e leilões de arte e antiguidades, e assessoria em serviços de restauração.

 

 

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