De todos os palácios imperiais de verão que estão localizados a poucos quilômetros de São Petersburgo, Pavlovsk é um dos mais sedutores. Construído no século XVIII, em estilo palladiano, pelo arquiteto escocês Charles Cameron (1743 – 1812), foi doado pela imperatriz Catarina II a seu filho, o imperador Paulo I. O palácio foi, então, ampliado na década de 1790 pelo arquiteto Vincenzo Brenna (1747 – 1820), escolhido do imperador Paulo I, e auxiliado pela imperatriz Maria Feodorovna para a decoração de interiores.

 

A paixão pela arte francesa

Para tanto, o grão-duque e sua esposa realizam uma viagem à Europa que durará mais de um ano. Apaixonado pela arte francesa, o casal mobiliará o palácio adquirindo dos melhores artesãos parisienses móveis de marchetaria do ebanista David Roentgen (1743 – 1807), cadeiras, poltronas e sofás do menuisier Georges Jacob (1739 – 1814), quatro grandes pinturas de Hubert Robert (1733 – 1808), um grande número de cortinas de seda de Lyon, tapeçarias de Gobelins e Beauvais, relógios de bronze dourado e porcelanas de Sèvres. O casal principesco terá a maior coleção de móveis franceses da Europa à época.

 

Depois de Paulo I

Após o assassinato de Paulo I, o palácio perde seu status de residência imperial oficial e gradualmente cai em desuso e quase é destruído durante a Segunda Guerra Mundial. Incrivelmente restaurado no período pós-guerra, o Palácio de Pavlovsk recuperou hoje todo o seu esplendor e é um dos pilares do “Anel de Prata” que rodeia a cidade de São Petersburgo.

 

O Palácio

O palácio é composto por mais de cinquenta quartos e alojamentos ricamente decorados. Andrei Voronikhine (1759 – 1814) e Carlo Rossi (1775 – 1849) participaram da decoração dos interiores do palácio. O primeiro remodelou o palácio em 1803, após um incêndio, enquanto o segundo criou uma série de interiores em 1820. A maioria dos salões cerimoniais de Pavlovsk está nos corpos centrais do edifício, no primeiro andar: o salão italiano, situado sob a grande cúpula que coroa o edifício, é coberto com mármore ocre branco e vermelho, com detalhes em bronze, e a sala grega, que é contígua ao salão, tem a forma de um antigo peristilo com colunas coríntias de cor cinza-esverdeada. Os corredores, conhecidos como “da guerra e da paz” seguem o padrão de decoração do salão grego. Os detalhes são baseados na comunhão de mármore branco artificial nas paredes com o dourado brilhante dos elementos ornamentais da abóbada. Uma série de interiores notáveis por sua unidade artística ainda merece atenção: os apartamentos de Maria Feodorovna (com biblioteca, boudoir e chambre d’etat) e os de Paulo I (com pequeno gabinete, biblioteca e gabinete de tapeçarias). Aqui o mobiliário é composto com peças de decoração em bronze dourado e em cristal lapidado, como vasos, relógios, candelabros, girandoles e arandelas. Belos pisos de madeira em espécies raras e muitas esculturas em mármore complementam a ornamentação de cada um desses ambientes.

 

A arquitetura do interior

A arquitetura do interior mistura várias influências neoclássicas: a egípcia, a grega e a italiana. O vestíbulo é de decoração ao estilo egípcio forrado com estátuas faraônicas e medalhões do zodíaco. No primeiro andar, o salão italiano – ou rotunda – e o salão de baile – ou hall de entrada – são ricamente adornados em influência greco-romana que lembram um antigo templo. A Sala do Grande Trono é o quarto mais impressionante. Além de seus quatrocentos metros quadrados, notamos o céu, as colunas e varandas pintadas no teto que dão a ilusão de levantar a sala, em efeito conhecido como “trompe l’oeil”.

 

O esplendor mantido

A majestade desse belo palácio russo pode ser totalmente apreciada até os dias de hoje, mostrando-nos todo o esplendor, riqueza e bom gosto que a corte dos czares teve à época do império.

 

 

Dica Literária

PAVLOVSK: THE LIFE OF A RUSSIAN PALACE
Suzanne Massie
Ed. Heart Tree, 1990

Este belo livro traça a história de vida de mais de duzentos anos do palácio criado pelo imperador Paulo I, filho de Catarina, a Grande, e sua esposa, Maria Feodorovna, no final do século XVIII. Desde residência da família imperial russa até 1915, tornando-se parque público e local para shows atualmente, até à Segunda Guerra Mundial, quando as tropas nazistas o transformaram em um quartel-general militar e o saquearam e o queimaram durante as suas retiradas, ele foi restaurado por milhares de cidadãos após a guerra para adquirir novamente toda a sua glória e esplendor originais. Com maravilhosas fotografias históricas e contemporâneas, muitas coloridas, este livro é uma bela fonte de consulta e pesquisa histórica e estilística.

Edição em inglês.

 

 

Antiguidades e obras de arte

José Márcio Viezzi Molfi é fundador da VM Escritório de Arte, antiquário clássico de São Paulo especializado na comercialização de obras de arte e antiguidades; pesquisa, catalogação, avaliação e gestão de acervos; consultoria em “art investment” para colecionadores e instituições públicas e privadas; realização de exposições e leilões de arte e antiguidades, e assessoria em serviços de restauração.

 

 

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