No início dos anos 1920, a produção de esmaltes de Limoges conhecia um novo “boom” na pessoa de Camille Fauré (1874 – 1956). Após a Revolução Francesa, a arte do esmalte desapareceu de Limoges por algumas décadas, tornando-se rapidamente um assunto de grande interesse histórico. Na primeira metade do século XIX, as artes da Idade Média e do Renascimento são redescobertas e uma é particularmente apreciada pelos estudiosos e artistas: a técnica da esmaltagem em objetos de arte. A redescoberta dessas técnicas de esmalte faz com que a partir de meados do século XIX, a manufatura de Sèvres e várias outras da região de Limoges comecem a fazer criações interessantes de objetos artísticos em vários estilos, se utilizando da esmaltagem. Assim, alguns artistas dessas oficinas procuram renovar a produção tradicional, destacando-se Paul Bonnaud, Jules Sarlandie e Alexandre Marty.

 

Camille Fauré e os esmaltes de arte

Em 1895, Camille começou a exercer suas atividades artísticas, especializando-se na pintura e decoração de placas, de vitrines, de igrejas e da arte do “falso mármore”, que imitava o material original. Em constante contato com o meio de produção dos esmaltadores da região de Limoges, ele decidiu, em 1920, começar a dedicar parte de sua atividade aos esmaltes de arte. Ele, então, contrata Alexandre Marty, já um experimentado esmaltador que trabalhava com o designer de porcelanas Alfred Broussillon, para criar pequenos objetos como vasos florescidos e esmerilados, e que conteriam a marca carimbada “Fauré Marty Limoges”. Esta parceria durou até 1924, quando Fauré se separou de Marty desejando mudar sua clientela. Assim, a sua produção passa a se destinar a uma classe mais abastada composta por compradores estrangeiros, lojas especializadas e estabelecimentos parisienses do elegante Faubourg Saint-Honoré.

 

O art Déco

Camille Fauré contrata, então, alguns esmaltadores de grande talento, entre eles Louis Valade, Lucie Dadat e Pierre Bardy, deixando-os trabalharem ao seu próprio ritmo, para criar peças excepcionais marcadas pela estética do art Déco, tão em voga à época. Até 1930, os vasos com decorações geométricas e cubistas explodem no mercado de arte e seduzem toda Paris. Esta é a moda dos esmaltes em relevo. Os objetos criados nesta época permanecem hoje como os mais prestigiados de toda a produção da manufatura, destacando-se com grande sucesso na Feira de Lyon entre os anos de 1925 e 1930, quando é atingido pela crise econômica que assolava o mundo.

 

Um novo direcionamento

Diante da crise, Fauré decidiu mais uma vez reorientar sua produção direcionando este tempo para um mercado de massa, confeccionando obras de baixo valor com decoração floral e naturalista. Paralelamente, ele também continua, ao mesmo tempo, a editar vasos do período anterior para uma clientela mais seleta e restrita.

 

Depois de Camille Fauré

A atividade da oficina de Camille Fauré cresceu até a década de 1960, produzindo muitas peças para todos os orçamentos. Camille Fauré morreu em 1956. Seus herdeiros tentaram dar continuidade ao seu trabalho, mas a empresa acabou encerrando suas atividades em 1985. Um dos motivos era o de que a moda dos objetos esmaltados, definitivamente, havia mudado, chegado ao seu fim no mercado comercial. No entanto, suas produções artísticas continuaram sendo apreciadas e disputadas pelo mercado colecionador de arte. Até os dias de hoje, continuam em alta.

 

 

 

Dica Literária

CAMILLE FAURÉ – LIMOGES ART DECO ENAMELS . THE GEOMETRY OF JOY
Alberto Shayo
Ed. Antique Collectors’ Club, 2007

Este livro inclui ilustrações de mais de duzentos vasos e outros objetos tirados de museus e coleções particulares em todo o mundo. Assim, ele fornece um resumo da arte do esmalte em Limoges, na França, principalmente durante o período art Déco (1920 – 1930). Shayo faz um estudo importante e prolífico da produção artística de Camille Fauré, destacando a alta qualidade, principalmente de vasos, que confeccionava. O autor mostra que uma ávida clientela não só na França, mas também no Japão e no Brasil, acolheu seus projetos geométricos e florais, com cores vibrantes e brilhantes. Este livro mostra a trajetória da manufatura até 1985, data do seu encerramento.

Para quem quiser conhecer mais sobre a arte da esmaltagem, principalmente a de Fauré, este livro é fundamental.

Edição em inglês.

 

 

Antiguidades e obras de arte

José Márcio Viezzi Molfi é fundador da VM Escritório de Arte, antiquário clássico de São Paulo especializado na comercialização de obras de arte e antiguidades; pesquisa, catalogação, avaliação e gestão de acervos; consultoria em “art investment” para colecionadores e instituições públicas e privadas; realização de exposições e leilões de arte e antiguidades, e assessoria em serviços de restauração.

 

 

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