Iniciador da arte cerâmica moderna, Theodore Deck (1823 – 1891) se destacou como um dos principais ceramistas franceses, rapidamente se tornando, na segunda metade do século XIX, um dos artistas mais reconhecidos tanto pela diversidade das formas dos objetos que criou quanto pela pesquisa técnica que liderou, contribuindo assim para a renovação de sua arte. A originalidade de suas marcas de decoração se dá antes de 1900, ou seja, no pré-nascimento daquele que seria um dos estilos mais inventivos na virada dos séculos XIX e XX, o art Nouveau.

 

Deck, único em seu estilo

Único em seu estilo, Deck desenha um vocabulário artístico que, longe de copiar ou imitar produções existentes, reinventa formas originais. Suas inspirações, no momento de suas criações, têm diferentes fontes de referência, onde o seu virtuosismo, seu ecletismo e o aperfeiçoamento das técnicas antigas, particularmente no campo da faiança fina, o faz ter uma forte predileção e apreciação pelas cores, o que o leva a estudar a arte oriental – em especial a “arte persa” e a do Extremo Oriente.

 

A beleza e o “azul de Deck”

Seu conhecimento dos artistas franceses e italianos do período renascentista permite que ele considere testar uma diversidade de receitas e formas ao criar sua arte. Na verdade, é ao estudar a faiança turca de Iznik e tentando reproduzir a intensidade e o brilho das sombras que ele acaba por produzir objetos de grande beleza. Expondo no Salão das Artes e Indústrias de Paris em 1861, suas obras são um enorme sucesso, já que acaba por criar produtos que, pelo brilho e a sedução das cores, passam a ser comparados com os mais finos talheres orientais, tão apreciados à época. Em 1864, na Exposição de Artes Industriais, exibe sua primeira faiança coberta com esmaltes alcalinos, azul turquesa colorido, e dá à luz um azul profundo e claro, o famoso “azul de Deck”. Os fundos decorados ou gravados com suavidade evocam as artes chinesa e japonesa.

 

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“The Four Seasons” em Courbevoie e a decoração do Orangerie de Bécon Park

Durante sua carreira, Theodore Deck fundou sua manufatura em 1858 (fechada em 1905) e viajou para vários países compondo não apenas objetos, mas também conjuntos de motivos decorativos. Assim, ele acabou sendo convidado pelo príncipe romeno Georges B. Stirbey, em 1874, para ornamentar a sua residência em Courbevoie, criando um conjunto decorativo composto de trinta placas esmaltadas com decorações diversas. Para o Orangerie do castelo de Bécon, propriedade da aristocrática família Fould, Deck desenvolveu uma ornamentação com oito cabeças em medalhões, integrados em um conjunto maior de cartuchos de couro e alegorias evocando o tema “Four Seasons”, as Quatro Estações. Os motivos foram feitos pelos artistas contratados Jules Antoine Legrain e Albert Anker e, em seguida, finalizados e assinados por Deck.

 

Deck e a cerâmica francesa

A maior contribuição de Theodore Deck para a arte cerâmica francesa foi a de ser um dos grandes iniciadores do renascimento das cerâmicas arquitetônicas aplicadas a decorações de interiores. A partir de seus trabalhos para grandes clientes, um público de amadores e colecionadores passou a requisitar suas peças, sendo apreciadas até os dias atuais.

 

 

 

 

Dica Literária

ALBERT ANKER – FAÏENCES
Sandor Kuthy
Ed. Librairie Marguerat, 1985

Anker foi um dos grandes colaboradores na criação artística de Theodore Deck. Ricamente ilustrado em cores e p&b, este livro mostra essa profícua parceria entre os dois artistas que durou anos. Este compêndio é uma excelente fonte de consulta para estudiosos, profissionais, colecionadores e apreciadores da arte cerâmica.

Edição em francês.

 

Antiguidades e obras de arte

José Márcio Viezzi Molfi é fundador da VM Escritório de Arte, antiquário clássico de São Paulo especializado na comercialização de obras de arte e antiguidades; pesquisa, catalogação, avaliação e gestão de acervos; consultoria em “art investment” para colecionadores e instituições públicas e privadas; realização de exposições e leilões de arte e antiguidades, e assessoria em serviços de restauração.

 

 

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