O uso de peles de peixe no revestimento de materiais é muito antigo. É no Extremo Oriente que encontramos os primeiros objetos com peles de peixe revestindo e ornamentando objetos, a partir do século VIII no Japão, com os Inros (pequenas caixas médicas que eram penduradas no cinto), com as tsukas dos katanas e wakisashis (anéis de empunhadura das espadas japonesas) e com as sayas (mangas de proteção de vestimentas), dentre outros.

 

O Shagreen, ou Galuchat

O shagreen, como é conhecido em inglês (galuchat, em francês), é um tipo de couro cru que consiste em pele áspera, não patinada, historicamente oriunda de cavalos ou onagros (tipo de asnos selvagens) ou mesmo de tubarões e arraias. Nos tempos modernos, o shagreen é produzido a partir das peles de arraias asiáticas comercialmente cultivadas.

 

Os primeiros vestígios de uso

Na Europa, os primeiros vestígios comprovados de uso remontam ao século XVI. O naturalista francês Pierre Belon (1517 – 1564) afirmava que se cobriam assim as alças de adagas e espadas. Da mesma forma, durante uma viagem à Holanda entre 1520 e 1521, o gravador alemão Albrecht Dürer (1471 – 1528) observava em seus apontamentos de contas a compra de vários objetos cobertos com peixes das “Índias”.

 

Os termos

Até o século XVI, o termo “shagreen” ainda não havia aparecido. O termo utilizado para esse tipo de pele era o de “cachorro do mar”. Não se sabe ao certo o porquê, mas imagina-se que fosse o termo dado associado a algum peixe que lembrasse o formato de um cão.

Quanto à origem do termo francês “galuchat”, remonta, de fato, ao século XVIII e é dado em homenagem ao primeiro artesão que, no Ocidente, conseguiu trabalhar com a pele de cações e com o couro de arraia, Jean-Claude Galluchat (1698 – 1774). Ele se tornou um mestre nessa arte da utilização de peles e couros de animais revestindo e decorando objetos raros durante o reinado de Luís XV, tanto que o seu próprio nome se tornou sinônimo do material.

 

A fama

A arte do shagreen se tornou popular na Europa no século XVIII, sendo utilizada para cobrir pequenos objetos preciosos, como caixas de rapé, necéssaires de costura em prata e ouro, frascos de perfume, vidros de farmácia, talheres, malas, “coffrets”, e até para detalhes de instrumentos musicais e caixas para armazenar telescópios e objetos óticos. Diz a história que Madame de Pompadour adorava objetos que tivessem esse tipo de revestimento e decoração.

 

As características

A meio caminho entre a aparência de um couro e a de um mineral, o shagreen é coberto com contas de sílica, tendo diferentes aspectos de efeitos granular, brilhante, com a utilização de pátinas de cera ou verniz, e lixado em opacidade, que acaba por revelar uma pequena superfície compartimentada de células. Neste caso, existem dois tipos de shagreen: o de grão pequeno e o de grão grosso, dependendo do tipo de acabamento que o artista dá ao material e da proveniência da pele/couro do animal. Por fim, após lixadas, as peles podem receber camadas de tinta em cores.

 

O desuso e o retorno com o art Déco

No século XIX esta técnica artística do shagreen caiu em desuso e apreciação, voltando à moda nas artes decorativas em 1920, principalmente durante o período conhecido como art Déco, quando começou a se destacar pela sua utilização em mobiliários assinados pelos famosos designers Paul Iribe (1883 – 1935), André Groult (1884 – 1966), Jacques-Emile Ruhlmann (1879 – 1933) e Jules Leleu (1883 – 1961).

 

 

Dica Literária

LE GALUCHAT
Jean Perfettini
Ed. Vial

Perfettini é um estudioso dessa maravilhosa técnica que utiliza escamas, peles e couros de peixes, principalmente arraias, para revestir objetos de arte e que leva o nome, em francês, do seu maior artífice na Europa, Jean-Claude Galluchat. Este livro mostra toda a beleza e técnica desse tipo de arte. Uma referência para profissionais da área de antiguidades e arte, bem como para colecionadores e apreciadores desses objetos.

Edição em francês.

 

 

Antiguidades e obras de arte

José Márcio Viezzi Molfi é fundador da VM Escritório de Arte, antiquário clássico de São Paulo especializado na comercialização de obras de arte e antiguidades; pesquisa, catalogação, avaliação e gestão de acervos; consultoria em “art investment” para colecionadores e instituições públicas e privadas; realização de exposições e leilões de arte e antiguidades, e assessoria em serviços de restauração.

 

 

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