Chantilly é uma porcelana que se destaca por ser de pasta mole (soft paste), produzida entre os anos de 1725 e 1792 na fábrica instalada na cidade de Chantilly pelo Duque de Bourbon, Louis IV Henri. Após a Revolução Francesa, a produção recomeçou irregularmente e durou até o ano de 1870, quando encerrou suas atividades produzindo apenas as porcelanas de pasta dura.

 

O surgimento

Desde o século XVII, a Europa procurava o segredo comercial da confecção de porcelanas para reduzir as importações onerosas do Extremo Oriente, principalmente da China. Chantilly tornou-se um dos primeiros lugares de produção de porcelana na França.

Em 1725, contratado pelo duque de Bourbon, o químico Cicaire Cirou desenvolveu uma porcelana de pasta mole, ou seja, sem caulim, mas que se distinguiu pela sua translucidez. Esta pasta foi obtida a partir de materiais extraídos dos solos da região (Luzarches marl, areia de Aumont, etc) e pó de osso triturado. Cozinhado a uma temperatura mais baixa que a porcelana dura, permitiu o uso de uma gama de cores encobertas muito mais variadas.

O desenhista Jean-Antoine Fraisse, então, também foi contratado e passou a ser o responsável por trazer as decorações de motivos orientais, como os padrões policromados japoneses do Kakiemon, provavelmente inspirado pelas decorações presentes nas ricas coleções principescas da época.

 

A perfeição

Em 1735, o rei Luís XV concedeu por vinte anos um privilégio a Cicaire Cirou, que foi autorizado a produzir uma fina porcelana de todas as cores, espécies, formas e tamanhos, em imitação das japonesas. O processo de produção foi melhorado graças à ação de Claude Humbert Gérin, que conseguiu desenvolver uma pasta mais branca adicionando alúmen calcinado na queima. Assim, ele conseguiu obter uma porcelana branca perfeita.

 

As mudanças e o fim

Após a morte do duque de Bourbon em 1740, as encomendas tornaram-se mais raras e a produção diminuiu. O superintendente de finanças da fábrica, Jean-Louis Henri Orry Fulvy, acabou saindo e levando seus melhores trabalhadores, os irmãos Robert e Gilles Dubois , Claude Humbert Gérin e Louis François Gravant para fundar a Manufatura Real de Vincennes, que, mais tarde, iria se tornar a famosa fábrica de porcelanas de Sèvres.

A porcelana de Chantilly continuou, no entanto, a ser produzida em pasta mole até 1802, apesar das suas numerosas imperfeições técnicas. Em 1792, um inglês, Christophe Potter, comprou a fábrica para fazer porcelana fina, macia e dura. Ele possuía em Chantilly duas fábricas. A de porcelana dura foi criada em 1795 e produziu até 1870, ano em que a fábrica encerra totalmente suas atividades.

 

As formas e o estilo Kakiemon

As formas das peças de Chantilly podiam ser elaboradas por moldagem, estamparia ou até por tornagem. Depois de uma primeira cozedura, a peça era embebida em um banho de esmalte e depois cozida a uma temperatura muito alta para obter a porcelana. Uma primeira forma de decoração podia ser colocada em relevo por peletização ou perfuração.

O estilo Kakiemon foi um dos mais utilizados pela manufatura, onde os desenhos de flores e pássaros eram bastante apreciados nas ornamentações. Como no Extremo Oriente, o vazio branco estruturava e organizava a composição, geralmente assimétrica, das peças dando-lhes uma característica peculiar do estilo. Foi o que deu fama à manufatura até os dias de hoje.

 

A identificação

A identificação das peças de Chantilly é dada pela marca na porcelana de uma trompa de caça, pintada no verso das peças, sob o verniz. Frequentemente as peças eram acompanhadas por uma carta que indicava a série à qual pertenciam, bem como a época da confecção.

 

Os principais ceramistas e pintores

Os principais ceramistas e pintores da fábrica Chantilly foram: Robert Dubois, ativo de 1732 a 1738, Gilles Dubois, ativo de 1736 a 1738, Claude Humbert Gérin, provavelmente atuante até 1740, Louis François Gravant, ativo de 1737 a 1740 e diretor da fábrica de 1776 a 1779, Jean-Jacques Antheaume, pintor de cerâmicas ativo de 1753 a 1754, Michel Jossé Leriche, pintor de porcelanas proveniente da fábrica de Sèvres ativo de 1792 a 1802, e Joseph Zwinger, importante químico e pintor de porcelanas ativo entre os anos de 1792 e 1795.

 

 

 

Dica Literária

PORCELAINE TENDRE DE CHANTILLY AU XVIIIe SIÈCLE
Geneviève Le Duc
Ed. Hazan, 1996

Um livro-catálogo sobre as peças em porcelana produzidas por essa importante manufatura francesa que encerrou suas atividades em 1870. Ricamente ilustrado, traz detalhes técnicos, estéticos e históricos sobre Chantilly.

Uma grande fonte de consulta para os colecionadores, amantes da porcelana e profissionais do mercado de antiguidades.

Edição em francês.

 

 

Antiguidades e obras de arte

José Márcio Viezzi Molfi é fundador da VM Escritório de Arte, antiquário clássico de São Paulo especializado na comercialização de obras de arte e antiguidades; pesquisa, catalogação, avaliação e gestão de acervos; consultoria em “art investment” para colecionadores e instituições públicas e privadas; realização de exposições e leilões de arte e antiguidades, e assessoria em serviços de restauração.

 

 

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