Criselefantina, originalmente, é um termo que se refere à técnica escultural de ouro e marfim. Na antiguidade clássica, as estátuas de culto criselefantinas gozavam de status elevado na Grécia Antiga. Neste período as esculturas de formas humanas eram construídas em torno de uma base de madeira, com finas placas esculpidas em marfim representando o corpo, e folhas de ouro representando as roupas, armaduras, cabelo e outros detalhes. Em alguns casos, pasta de vidro, vidro e pedras preciosas e semi-preciosas eram também utilizadas para adornar os detalhes das peças.

 

A origem desconhecida

As origens da técnica criselefantina não são conhecidas. Há exemplos conhecidos, a partir do segundo milênio antes de Cristo, de esculturas compostas de marfim e ouro de áreas que se tornaram parte do mundo grego, a mais famosa a chamada “Palaikastro Kouros”, feita cerca de 1500 a.C.. No entanto, não é claro se a tradição criselefantina grega está ligada a elas. A escultura criselefantina generalizou-se durante o período Arcaico (c. 800 a.C. – 500 a.C.), onde mais tarde, estátuas acrolíticas com cabeça e extremidades de mármore, e um tronco de madeira, e detalhes em ouro, foram feitas, sendo comparável às utilizadas para imagens de culto. A construção dessas peças era modular, de modo que parte do ouro pudesse ser removido e derretido para a confecção de moedas em tempos de dificuldade financeira grave, e com a possibilidade de ser reposto mais tarde, quando as finanças fossem recuperadas. Um exemplo foi a figura de Nike na mão direita da Atena Partenos, do escultor grego Fídias (480 a.C. – 430 a.C.), que foi feita de ouro sólido, com esse propósito em mente.

 

Da Idade Antiga e Idade Média, poucas sobreviveram

As esculturas criselefantinas eram não só visualmente impressionantes, mas também apresentavam a riqueza de realizações culturais das nações que as produziam. A criação de tais estátuas envolviam habilidades em escultura, carpintaria e joalheria, por parte dos artífices. Uma vez concluídas, as estátuas tinham necessidade de manutenção constante. Devido ao alto valor de alguns dos materiais utilizados e à natureza perecível de outros, a maioria das peças criselefantinas foram destruídas durante os períodos da Antiguidade e da Idade Média, restando-nos apenas alguns poucos exemplares em fragmentos dessas esculturas do período clássico.

 

A Idade Moderna e Demétre Chiparus

No entanto, na idade moderna, esse tipo de escultura continuou sendo feita por vários artistas e se tornou bastante comum na arte europeia do final do século XIX, especialmente durante o período do estilo art Nouveau, e primeira metade do século XX, com o art Déco. Os materiais, contudo, deixaram de ser apenas o ouro e o marfim usados na confecção das peças e passaram a ser, também, o bronze, o mármore, a prata e o ônix. Após a década de 1890, o significado de “criselefantino” foi estendido para incluir qualquer escultura feita com uma combinação de marfim com todos estes outros materiais. Um dos artistas que mais se destacou na criação desse tipo de escultura foi o romeno Demétre Chiparus (1886 – 1947), que acabou se tornando um dos escultores mais prolíficos dessa arte durante o movimento artístico conhecido como art Déco, entre os anos de 1910 e 1940. Suas obras de arte feitas especialmente em marfim e bronze são altamente apreciadas e procuradas no mercado internacional de arte até os dias de hoje.

 

 

 

Dica Literária

ART DECO AND OTHER FIGURES
Bryan Catley
Ed. Antique Collectors Club, 2003

Este importante livro, agora disponível em uma edição revisada, contém a mais completa gama de figuras art déco já publicadas. Baseia-se em parte nos catálogos de importadores originais e em parte na vasta gama de peças manuseadas pelo autor Bryan Catley, grande especialista no assunto. Entre as guerras emergiu um estilo inteiramente moderno de escultura decorativa que foi uma ruptura completa com as pesadas escolas românticas do final do século XIX, e estava totalmente em sintonia com a vibrante e jovem sociedade mundial dos anos 1920. O uso de bronze e marfim para um grande número dessas figuras sensuais de modo algum obscurece o fato de que muitos são de excepcional qualidade. Acrescente-se a isso o sentido de movimento e ritmo e percebe-se que as grandes quantias que agora demandam essas peças no mercado de arte são um reflexo de um mercado internacional de colecionadores eruditos.

Esse livro é essencial nas bibliotecas de colecionadores, apreciadores e profissionais da área. Uma ótima fonte de consulta.

Edição em inglês.

 

 

Antiguidades e obras de arte

José Márcio Viezzi Molfi é fundador da VM Escritório de Arte, antiquário clássico de São Paulo especializado na comercialização de obras de arte e antiguidades; pesquisa, catalogação, avaliação e gestão de acervos; consultoria em “art investment” para colecionadores e instituições públicas e privadas; realização de exposições e leilões de arte e antiguidades, e assessoria em serviços de restauração.

 

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