O castelo francês de Champs-sur-Marne é um exemplo magnífico do que eram as casas de campo no século XVIII, construídas para o prazer e o bem viver que permitia um novo estilo de vida. Erguido entre os anos de 1703 e 1708 pelos arquitetos Pierre Bullet (1639 – 1716) e Jean-Baptiste Bullet de Chamblain (1665 – 1726), a pedido do financista de Luís XIV, Paul Poisson de Bourvallais, o castelo tem suntuosas decorações rococó, bem como decorações de “chinoiseries” pintadas em meados do século XVIII pelo grande artista francês Christophe Huet (1700 – 1759).

Comprado em 1895 por um rico banqueiro, o conde Louis Cahen d’Anvers, o castelo foi restaurado pelo arquiteto Walter Destailleur (1867 – 1940) e o seu parque foi recriado por Henri Duchêne (1841 – 1902) e seu filho Achille (1866 – 1947), adeptos de um retorno à tradição do jardim francês. Entre os anos de 2006 e 2013 ele foi novamente restaurado em todo o seu esplendor.

 

O Gabinete “Camaïeu”

O gabinete “camaïeu” (monocromático) do castelo é o ambiente mais deslumbrante da construção. Até 1928, a sala servia de “salle de bain”, passando posteriormente a ser um gabinete de estudo, após reforma.

A decoração em azul é característica deste cômodo, sendo uma reminiscência das cores branca e azul dos antigos vasos chineses. Christophe Huet foi quem realizou as decorações desse salão em motivo chinês no ano de 1748, a pedido do duque de La Vallière que queria imitar a decoração feita no castelo de Choisy pelo rei Luís XV.

 

A ornamentação

A ornamentação do ambiente é marcada por painéis onde se veem representações de chinesas se deliciando com os prazeres do campo, em cenas típicas de pagodes, jardinagens, pescas, caças, tendo molduras e detalhes em baixo relevo adornados com pássaros, flores exóticas e arabescos.

Huet soube muito bem captar o que o proprietário de Champs-sur-Marne queria, realizando uma das decorações mais elegantes em ambientes palacianos franceses. A construção está aí até os nossos dias para comprovar o refinamento das artes plásticas no século XVIII com artistas de qualidade e talento ímpares.

 

 

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Dica Literária

LE SERVICE CAMAÏEU CARMIN DE FONTAINEBLEAU
Yves Carlier
Ed. RMN, 2007

Fartamente ilustrado em cores, este livro apresenta o serviço “Camaieu Carmin” de Fontainebleau feito para o rei francês Luís XV pela manufatura de Vincennes, a futura manufatura de Sèvres, no século XVIII.

Desde 1987, o castelo de Fontainebleau exibe mais de cento e vinte peças desse serviço que era destinado exclusivamente para a mesa dos pequenos apartamentos do rei. Os componentes são todos pintados de uma única cor que dá nome ao serviço. Ele nunca caiu em desuso durante a monarquia. Feito em 1756 e, em seguida, completado ao longo do reinado de Luís XV, ele foi cultivado e usado até o reinado de Luís XVI, seu sucessor.

Essa aparente simplicidade não deve obscurecer o fato de que, criado para o rei, esse serviço era caro por causa do uso de uma única cor cuja implementação exigia o uso de ouro. Este era um detalhe importante que o tornava único e raro.

O livro mostra toda a beleza dessas peças.

Edição em francês.

 

 

Antiguidades e obras de arte

José Márcio Viezzi Molfi é fundador da VM Escritório de Arte, antiquário clássico de São Paulo especializado na comercialização de obras de arte e antiguidades; pesquisa, catalogação, avaliação e gestão de acervos; consultoria em “art investment” para colecionadores e instituições públicas e privadas; realização de exposições e leilões de arte e antiguidades, e assessoria em serviços de restauração.

 

 

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