Emile Gallé, nascido em Nancy em 1846 e morto na mesma cidade em 1904, foi um dos maiores mestres vidreiros, além de exímio marceneiro e ceramista. Foi, também, o fundador e primeiro presidente da famosa Escola de Nancy, um dos mais importantes polos do movimento art Nouveau na França, em 1901.

 

A importância de Gallé

Gallé é uma das figuras mais destacadas das artes aplicadas de sua época e um dos pioneiros do estilo art Nouveau. Também foi precursor do estudo da genética e evolução no mundo vegetal. Este seu trabalho, desconhecido do público em geral, é, no entanto, de grande relevância, uma vez que precede o de Gregor Mendel (1822 – 1884), conhecido como o “pai da genética”, e anuncia as suas principais linhas. Na porta de sua oficina em Nancy, pode-se ainda ler o lema que a emoldura: “Nossas raízes estão no fundo da floresta, entre o musgo, ao redor das nascentes”. Também suas peças mostram a sua paixão por esse tema, já que muitas apresentavam motivos vegetais com flores e folhas em suas decorações.

 

Como citado, Gallé foi exímio na produção de móveis e cerâmicas, mas ele se superou na produção de vidros artísticos. São estas peças que farão a sua fama.

 

O trabalho em vidro

É bastante impróprio falarmos do trabalho em vidro de Émile Gallé, sob o nome de “pâte de verre” (pasta de vidro). No fundo, o seu trabalho é marcado pela produção não apenas destes vidros fundidos de material granulado com opacidade, mas principalmente pela sua produção “soufflé” (soprada), não em vidro, mas em cristal, ou seja, com a adição de sais de chumbo. Sua técnica refinada permitia que se adicionassem novas camadas coloridas de óxidos metálicos, antes de soprar a peça, retrabalhando-a com novas inclusões de camadas de óxidos, folhas de ouro ou prata. As peças, então, eram ornadas em gravações com ácido fluorídrico proporcionando uma decoração conhecida como “cameo”. Por ser um trabalho delicado, no resfriamento, as diferenças na expansão dessas camadas causavam acidentes muito frequentes, quebrando-as, o que acabou tornando estas peças, raridades.

 

Gallé foi também o inventor de várias técnicas, incluindo a mais conhecida delas, a da marchetaria de vidro, desenvolvida em 1898, que consistia em depositar pequenas inclusões de vidro na pasta fundida.

 

A assinatura

Cada peça traz a assinatura de Gallé, com centenas de variantes que dão origem ao catálogo, mas nem todas são referenciadas. Com raras exceções, as peças são todas assinadas, seja embaixo, seja no corpo da peça. Durante a vida de Gallé, as assinaturas foram particularmente procuradas e supervisionadas pelo próprio artista. Posteriormente, após 1904, as marcas “Gallé” se tornaram relativamente padronizadas. As assinaturas e marcas permitem, em princípio, datar as peças. Na produção de peças entre os anos de 1904 e 1906, a assinatura é precedida por uma pequena estrela. Depois de 1906, já tendo Gallé falecido, esta marca foi abolida, já que passou a ser considerada mórbida pelos apreciadores desta arte.

 

A produção depois da morte de Gallé

De 1904 a 1914, a produção ficou muito próxima das peças industriais que saíram da fábrica de Gallé antes de sua morte. São quase exclusivamente peças de vidro multicamadas gravadas com ácido, às vezes retocadas pela trituração para eliminar falhas, e os padrões de decoração são quase os mesmos que os criados durante a sua vida. De 1918 a 1936, uma produção padronizada e em grande escala acontece. A maioria das peças no mercado hoje remonta a esta época, sendo em vidro e revestida com ácido ou multicamadas. A produção é de boa qualidade técnica, pelo menos para as grandes peças. Neste período novos padrões foram criados, às vezes se distanciando do estilo art Nouveau, com decorações estilizadas e se utilizando de uma nova técnica denominada de sopro de molde. Mas a banalização dessa produção em larga escala e a falta de renovação artística, agravada por uma crise econômica, pôs fim à produção da fábrica de Gallé em 1936, ano em que encerra suas atividades.

 

As falsificações

Por fim, cabe ressaltar que a alta demanda pelas peças de vidro artístico de Gallé no final da década de 1980, começou a atrair falsificadores para esses objetos artísticos. Muitas falsificações começaram a circular no mercado internacional, forjando razoavelmente as assinaturas originais do mestre vidreiro, às vezes acompanhadas da menção “Tip”. Essas falsificações, na maioria das vezes cópias medíocres, são interpretações de lâmpadas e vasos acidados, podendo ser reconhecidas por certos detalhes técnicos que denotam a qualidade inferior da sua execução, incompatível com as peças originais.

 

 

 

Dica Literária

EMILE GALLÉ
Timothy Newark
Ed. Book Sales, 1989

Um livro referencial sobre a arte em vidro e cristal desse grande mestre vidreiro francês. Fartamente ilustrado, traz os modelos, as decorações, as técnicas e a diversidade de peças que produziu, muitas delas dentro do estilo art Nouveau.

Um belo catálogo para constar em qualquer biblioteca.

Edição em inglês.

 

 

Antiguidades e obras de arte

José Márcio Viezzi Molfi é fundador da VM Escritório de Arte, antiquário clássico de São Paulo especializado na comercialização de obras de arte e antiguidades; pesquisa, catalogação, avaliação e gestão de acervos; consultoria em “art investment” para colecionadores e instituições públicas e privadas; realização de exposições e leilões de arte e antiguidades, e assessoria em serviços de restauração.

 

 

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