A Escola de Barbizon se refere informalmente ao centro geográfico e espiritual de uma sucessão de colônias de pintores paisagistas estabelecidos em torno de Barbizon, e o desejo deles em trabalhar ao ar livre, junto à natureza, na floresta de Fontainebleau.

 

Camille Corot, o primeiro artista da Escola Barbizon

O primeiro artista a ir para a floresta de Fontainebleau foi, sem dúvida, Camille Corot que explorou este lugar a partir de 1822. Corot vai ser o grande expoente dessa “escola” ao buscar a representação realista da paisagem, sem excessos ou maneirismos. Esta floresta vai oferecer ao pintor uma espécie de selva em redução onde ele começará a aprimorar o seu estudo sobre a incidência da luz natural, do jogo de sombras, da perspectiva e da observação real das cores e matizes da natureza, longe dos centros urbanos, como Paris. Neste sentido, ele será um dos precursores da pintura a “plein air”.

 

O termo “Escola”

O termo “Escola” é utilizado de maneira metafórica, já que ao longo das décadas seguintes grupos de pintores com estilos muito diferentes se dirigiram a Fontainebleau como uma fonte de inspiração. O nome “Escola de Barbizon” foi cunhado em 1891 pelo crítico de arte britânico David Thomson Croal (1855 – 1930) para se referir aos grupos de artistas que se aglomeraram por quase cinquenta anos, entre 1825 e 1875, naquela região de Barbizon.

 

Além de Camille Corot

Os pioneiros que exploraram esses lugares foram, além de Jean-Baptiste-Camille Corot (1822), Theodore Caruelle de Aligny, Alexandre Desgoffe (1805 – 1882), Narcisse Diaz de la Peña (1836), Lazare Bruandet e, depois, Charles-François Daubigny (1843), Jean-François Millet (1849) e Théodore Rousseau, que também são considerados expoentes. Gustave Courbet parece ter estado presente a partir de 1841, mas com mais certeza em 1849, e depois até 1861. Muitos outros artistas os seguiram.

 

Uma reação

A “Escola de Barbizon” se destacou por formar um estilo de pintura em reação aos critérios artísticos que moldavam o tradicionalismo dos movimentos neoclássico, acadêmico e romântico. Na tradição acadêmica, a observação sensível da natureza era considerada inferior à experiência intelectual, e a paisagem permanecia como um gênero menor nas artes plásticas. Artistas como Rousseau e Daubigny vão formar uma reação a esses preceitos, inclusive ao da nascente industrialização dos grandes centros, trazendo um retorno à natureza, à sua contemplação, mostrando que este gênero de pintura nada tinha de inferior aos demais.

 

A natureza como tema ganha força

Em 1824, o Salão de Paris exibiu algumas das obras do inglês John Constable. Suas cenas rurais tiveram uma influência decisiva sobre os artistas mais jovens, levando-os a abandonar o formalismo da época e a inspirar-se na natureza, realizando telas com temas paisagísticos campestres. Durante a revolução de 1848, os pintores já reunidos sob o nome de “Escola de Crozant” escolheram seguir deliberadamente os preceitos de John Constable, a fim de tornar a própria natureza sujeita a suas pinturas. Entre eles, Jean-François Millet que estendeu sua visão das paisagens aos personagens, pintando o campesinato e o trabalho dos campos. Outros pintores, como Albert Charpin (1842 – 1924), também ampliou os conceitos da pintura naturalística ao representar em suas obras muitas paisagens com rebanhos de ovelhas e gado.

 

A importância da Escola de Barbizon

A pintura de Barbizon foi uma das fontes de inspiração para muitos artistas, especialmente para os pintores impressionistas. O surgimento do movimento impressionista na segunda metade do século XIX também se deve em parte à influência exercida pelos pintores da escola de Barbizon. O legado de suas obras acabou inspirando também muitos artistas fora da França. No Brasil da segunda metade do século XIX, o grupo de artistas que gravitavam em torno do alemão Georg Grimm seguiam os preceitos estéticos dessa escola. Todas essas maravilhosas obras produzidas ao longo do século XIX estão presentes até hoje, sejam em museus, sejam em coleções particulares, para provarem as excelências técnica e estética que possuíam.

 

 

 

Dica Literária

L’ÉCOLE DE BARBIZON ET LE PAYSAGE FRANÇAIS AU XIXe SIÈCLE
Jean Bouret
Ed. Editions Ides et Calendes, 2000

Um livro que mostra toda a magnitude das obras e dos artistas que a produziram, dentro da estética de Barbizon. Com muitas ilustrações em cores, traz detalhes sobre as obras em técnica e estilo. Também uma biografia referencial dos pintores desse movimento artístico.

Obra para constar em qualquer biblioteca.

Edição em francês.

 

 

Antiguidades e obras de arte

José Márcio Viezzi Molfi é fundador da VM Escritório de Arte, antiquário clássico de São Paulo especializado na comercialização de obras de arte e antiguidades; pesquisa, catalogação, avaliação e gestão de acervos; consultoria em “art investment” para colecionadores e instituições públicas e privadas; realização de exposições e leilões de arte e antiguidades, e assessoria em serviços de restauração.

 

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