O movimento Arts & Crafts, literalmente “Artes e Ofícios”, foi um movimento artístico reformista nos campos da arquitetura, artes decorativas, pintura e escultura, nascido na Inglaterra na década de 1860. Defendia o artesanato criativo como alternativa à mecanização e à produção em massa e pregava o fim da distinção entre o artesão e o artista. Fez frente aos avanços da indústria e pretendia imprimir em móveis e objetos o traço do artesão-artista, que mais tarde seria conhecido como designer.

 

As influências

O movimento foi influenciado pelas ideias do romântico John Ruskin (1819 – 1900) e liderado pelo socialista e escritor medievalista William Morris (1834 – 1896). Sob o impulso de Morris, se desenvolveu durante os anos de 1880 a 1910, no final da era vitoriana, sendo considerado o iniciador do estilo moderno, concorrente anglo-saxão da “art Nouveau” francesa e belga.

O movimento ecoa as preocupações de então desses artistas-artesãos diante do progresso e de suas consequências, como as desigualdades sociais geradas.

 

A disseminação dos valores

Compreendendo a necessidade do público de ter mobiliários artísticos, William Morris uniu-se em 1861 a seis amigos, todos artesãos e artistas, para fundar a “Morris, Marshall, Faulkner & Co.”, primeira empresa comercial a disseminar os valores da “Arts & Crafts”. Suas criações variaram de decoração de parede a afrescos, incluindo esculturas, vitrais, cerâmicas, trabalhos em metal, e joalherias. A demanda explodiu e o sucesso foi rápido, inspirando outros artistas.

 

A felicidade no artesanato

A ideia básica do movimento era comum e simples, pregando que a felicidade estava no artesanato porque um trabalhador podia florescer e ter orgulho de seu trabalho, somente se ele participasse, em cada estágio de sua realização e de sua fabricação. Por isso, era urgente não só reabilitar o trabalho artesanal, mas também salvaguardar e reaprender as técnicas tradicionais. Rapidamente, esses artistas se tornaram os iniciadores da fundação de novas escolas para formar artífices em tapeçaria, bordado, estamparia, esmaltagem, metalaria, cerâmica, pigmento natural, marchetaria e marcenaria.

 

A ênfase na simplicidade

Os artistas-artesãos destacavam a habilidade manual e o uso do material, onde o mobiliário era feito de madeira maciça, a modelagem da argila era manufaturada e o martelar da prataria e o latão eram feitos à mão. Assim, em resposta aos processos industriais da era vitoriana, eles enfatizavam a simplicidade, acreditando que um belo mobiliário manufaturado era auto-suficiente. As decorações de suas criações eram, assim, marcadas pelos desenhos estilizados de plantas e animais, símbolos que remetiam à natureza.

 

“Arts & Crafts” e “Bauhaus”

Por fim, cabe ressaltar que o “Arts & Crafts” foi uma importante influência para o surgimento posterior da “Bauhaus” alemã, que assim como os ingleses do século XIX, também acreditavam que o ensino e a produção do design deveria ser estruturado em pequenas comunidades de artesãos-artistas, sob a orientação de um ou mais mestres. A Bauhaus desejou, assim, uma produção de objetos feitos por poucos e adquirido por poucos, nos quais a assinatura do artesão tinha um valor simbólico fundamental. De forma ampla, a Bauhaus herda a reação gerada no movimento de Morris contra a produtividade massificada e anônima dos objetos da revolução industrial.

 

 

Dica Literária

THE ARTS AND CRAFTS MOVEMENT
Elizabeth Cumming & Wendy Kaplan
Ed. Thames and Hudson, 1991

Este volume analisa o movimento de design “Artes e Ofícios” que foi muito influente na segunda metade do século XIX, abarcando arquitetura, mobiliário, vidro, cerâmica, metalurgia, têxteis e livros, na Grã-Bretanha, América e Europa. Embora os estilos adotados pelo movimento fossem diversos, seus principais arquitetos, artistas e designers de artesanato, incluindo William Morris, Frank Lloyd Wright, Josef Hoffman e Eliel Saarinen, se uniram para promover a superioridade moral do design “honesto” e materiais naturais em uma era industrial. Com muitas ilustrações, sendo trinta e uma em cores, este livro é uma referência para quem quer saber mais sobre esse movimento artístico.

Edição em inglês.

 

 

Antiguidades e obras de arte

José Márcio Viezzi Molfi é fundador da VM Escritório de Arte, antiquário clássico de São Paulo especializado na comercialização de obras de arte e antiguidades; pesquisa, catalogação, avaliação e gestão de acervos; consultoria em “art investment” para colecionadores e instituições públicas e privadas; realização de exposições e leilões de arte e antiguidades, e assessoria em serviços de restauração.

 

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