O sinete, ou selo, é uma peça que, mesmo existindo desde o início do 3º milênio a.C. na Grécia Antiga, foi de larga utilização nos séculos XVI a XVIII. A função deste objeto era a de fazer uma impressão destinada a garantir a autenticidade de um documento ou informação e tornar óbvia sua possível divulgação ou alteração. Para tanto ele era utilizado carimbando um bloco de cera que registrava a marca de seu impressor. Objeto colecionável cujas cópias mais antigas datam de quatro milênios antes de nossa era, o sinete foi usado pela primeira vez para apor a marca pessoal de um personagem para garantir o conteúdo de uma caixa ou envelope e a autenticidade de um documento, como dito anteriormente. Este pequeno selo pessoal foi realmente utilizado na Europa desde a Idade Média.

 

Único em todos os aspectos

Pela importância que tinha, era executado com cuidado e maestria: esculpido geralmente em osso ou marfim, gravado ou derretido em metal nobre como prata e ouro, era retrabalhado no cinzel no final da peça em ferro fundido, onde ia o monograma ou o brasão de seu proprietário. Distinguem-se os selos de tinta, amplamente utilizados desde os tempos antigos no leste da Ásia e que permitem assinar documentos em papel, dos selos em relevo, que imprimem um padrão em um material macio que endurece rapidamente, como a argila úmida, o lacre aquecido com chama e o chumbo. Posteriormente, a partir do século XVI, a cera. Desde os tempos antigos, notou-se que era extremamente difícil fazer uma vedação falsa adequada a partir da impressão autêntica de um sinete.

 

Características

O sinete também podia ser um anel montado com um “intaglio” de pedra dura com o timbre gravado a ouro. No entanto, mais comuns, foram os sinetes formados de uma pedra dura gravada em relevo, como cornalina, granada, safira, cristal de rocha e ágata. Esses pequenos selos eram, às vezes, joias que pendiam de uma corrente ou de um “chatelaine”, como caixas, muitas vezes item de presente. De tamanhos variados, os minúsculos eram encontrados em molduras bonitas de ouro cinzelado, outros, maiores, eram montados em alça de ouro, prata gravada, madrepérola, pedra dura, ou mesmo madeira. Os sinetes anéis eram os mais populares dos sinetes, tendo na maioria das vezes um brasão, que era entalhado em metal ou pedra preciosa. Os mais usados eram feitos de ouro ou de ágata. Era uma tradição nobre na Europa, existindo na Alemanha, Itália, França e Inglaterra, O anel de sinete do papa, por exemplo, é ainda hoje conhecido como “Anel do Pescador”, sendo utilizado pelos sumo pontífices desde o século XIII.

 

Autênticas obras de arte

Os sinetes, como obras de arte, não são apenas uma fonte inestimável de iconografia, testemunhas e atores na evolução de certos temas religiosos ou seculares, mas também estão na vanguarda da moda artística, pesquisa e mudanças estilísticas ao longo dos séculos; em particular, para as matrizes criadas para os grandes personagens e instituições importantes, obras de ourives especializados. Como as artes preciosas, sua criação naturalmente associava várias profissões artísticas que iam de pintores e iluminadores a escultores e ourives.

 

O Japão e a China

Por fim, cabe destacar que os sinetes não foram um objeto apenas de uso europeu nos séculos passados. Chamados de hanko e yinzhang no Japão e na China, os sinetes também foram usados no mundo oriental onde possuíam, como emblema, caracteres orientais e eram fabricados geralmente em madeira, bambu, pedra sabão e até jade. Não eram impressos em cera, mas em nanquim retirado de glândulas de polvos e lulas. Tinham também, como temas, animais do zodíaco chinês dependendo da ocasião. Esses selos foram os predecessores do bloco de madeira chinês no século XX.

 

 

Dica Literária

LES SCEAUX – EMPREINTES DU POUVOIR
Marzia Ratti
Ed. Longlaude, 2001

Este é um livro de capa dura com 224 páginas em cores que apresenta a maior coleção de carimbos já reunida em um exemplar, com selos pertencentes a todos os tempos e a todas as culturas. Nele descobrem-se selos da Mesopotâmia, antiga Grécia, Egito, China e Ásia Oriental, selos islâmicos e modernos dos séculos XIX e XX, feitos de ouro, prata, bronze, marfim e pedras preciosas, vidro e cristal, baquelite e galalite, selos em pendente, estatuetas, selos de René Lalique, bem como selos eróticos e selos com sistema.

Todos são apresentados com uma descrição técnica, contendo período, origem e características.

Os textos são escritos pelos mais eminentes especialistas do campo heráldico e sigilográfico.

Obra imperdível para colecionadores de sinetes, historiadores e antiquários.

Edição em francês.

 

 

Antiguidades e obras de arte

José Márcio Viezzi Molfi é fundador da VM Escritório de Arte, antiquário clássico de São Paulo especializado na comercialização de obras de arte e antiguidades; pesquisa, catalogação, avaliação e gestão de acervos; consultoria em “art investment” para colecionadores e instituições públicas e privadas; realização de exposições e leilões de arte e antiguidades, e assessoria em serviços de restauração.

 

 

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