Inicialmente incorporado aos apartamentos renascentistas, este salão foi o gabinete de Mesdame de 1528 a 1531, depois tornando-se gabinete do rei ou o pequeno quarto do rei.
O salão do conselho, como é conhecido, foi decorado entre 1543 e 1545.

 

As pinturas

As pinturas foram realizadas a partir de desenhos do italiano Francesco Primaticcio (1504 – 1570), dito “Le Primatice”, que consistiam em representações de heróis e suas virtudes, associadas em pares, às portas dos armários: César e a Força, Cipião e a Temperança, Ulisses e a Prudência, Zaleucos e a Justiça. “Pequenas histórias” foram pintadas em “grisailles” (cinzas) abaixo dessas figuras. Pelo menos um dos armários foi decorado sob a orientação do também italiano Sebastiano Serlio (1475 – 1554), escultor e arquiteto do rei.

Duas pinturas das mesmas dimensões ficavam penduradas uma ao lado da outra, sobre o console da lareira: “O Mestre da Casa de José procurando a bagagem de seus irmãos” e “Ciclope, as armas do amor na forja de Vulcano”.

 

O teto

O teto foi modificado ao longo do tempo, dependendo da ampliação da sala, mas sempre foi um teto de caixotão em almofadados. A conservação e o seu restauro ao longo do tempo não impediram que, de reparo em reparo, a iconografia da decoração da sala não fosse mantida da mesma maneira desde a sua concepção original.

O atual teto pintado por François Boucher (1703 – 1770) em 1751 retomou o estilo e o tema de uma composição de Le Primatice, conhecida por dois desenhos (a Raça dos carros do Sol e da Lua), que teriam sido feitos entre os anos de 1550 e 1561, no momento em que Charles IX teve a maioria das pinturas em seu apartamento refeitas. Esta grande empreitada iniciou-se em 1737, sendo concluída em 1753. No entanto, o quarto tem uma câmara que foi adicionada em 1773 com o teto decorado com a temática da “Glória cercada por crianças” pintada por Lagernée, o Jovem e “Troféus da Colheita e da Vindima”, pintada por François-Gabriel Vernet. O quarto foi decorado em estilo Luís XV com o teto de caixotões contendo cinco tabelas, sendo as quatro primeiras nos cantos representando um grupo de crianças que simbolizam estações do ano, e a quinta, ao centro, com o tema “Vencedor Phoebus da noite”, todas pintadas por François Boucher entre 1751 e 1753.

 

As paredes e as portas

Os painéis das paredes e portas são adornados com figuras alegóricas alternadamente pintadas em azul e preto e branco e rosa, por Carle Van Loo (1705 – 1765) e Jean-Baptiste Pierre (1714 – 1789): A guerra, a Terra, o Valor, a Força, a Justiça, a Misericórdia, a Prudência, o Outono, o Inverno, o Fogo, a Fama, o Segredo, a Fidelidade, a Paz, a Verdade, a Primavera, o Ar, o Verão, a Água e a História, todos efetuados entre os anos de 1751 e 1753. O resto da decoração se compõe de elementos florais e Troféus de Ciências e Artes (Pintura e Escultura), a Caça, a Manhã, a Marinha, a Pesca, o Comércio, a Abundância, a Arte Militar, a Arquitetura, a Música, a Geometria, a Noite, a Astronomia e as Ciências, executados por Alexis Peyrotte (1699 – 1769).

 

A ornamentação restante

O restante da ornamentação desse belo salão é realizada com tapetes “Savonnerie” da fábrica original de Tournai, mobiliário estilo e época Napoleão I, assentos e encostos com tecidos de sedas que consistem de coroas carmesim damasco e estrelas e brocados com folhas de carvalho (para os assentos) e palmas (para as cortinas), encomendados em 1804 à Maison Pernon de Lyon e inicialmente planejada para o quarto do imperador no castelo de Saint-Cloud.

Por fim, o conjunto de móveis consiste em sofá e duas poltronas do ebanista Marcion, feitos em 1806, e duas poltronas e seis cadeiras feitas por Jacob Desmalter, em 1808. Também compõe o ambiente a presença de dois consoles de madeira dourada que remontam a 1774 e uma mesa “Diretório” coberta com um tapete de veludo e seda verde. Os candelabros são ao estilo e época Luís XV, os castiçais ao estilo Império e os lustres ao estilo Luís XVI, enquanto os apliques de luzes para parede com motivos militares foram feitos por Galle em 1807. Arrematando a decoração desse belo salão, um relógio pendular de mármore preto decorado com uma figura em posição de leitura, confeccionado pelo grande “horlogier” Jean-Baptiste Lepaute (1727 – 1802) em 1800, sintetiza todo o esplendor desse castelo.

 

 

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Dica Literária

A DAY AT CHÂTEAU DE FONTAINEBLEAU
Guillaume Picon
Ed. Flammarion

Do rei François ao imperador Napoleão I, o Château de Fontainebleau, na França, foi o lar de mais de trinta soberanos franceses ao longo dos séculos. Com seus 1.500 quartos e seus 130 acres de jardins requintados, “Um Dia no Castelo de Fontainebleau” é como um passeio vip pelos cantos e bastidores dessa famosa construção, incluindo o salão do conselho e a famosa sala chocolate.

O livro explora um dos lugares históricos mais bonitos do mundo, com o historiador Guillaume Picon e o fotógrafo Eric Sander detalhando os ambientes e espaços. Nele estão registradas áreas de Fontainebleau raramente vistas pelo público, obtendo-se uma visão do significado histórico e da atmosfera deste impressionante palácio. Com caixa acartonada e 224 páginas fartamente ilustradas, este é um livro indicado para todas as pessoas que gostam de arte, história e decoração.

Edição em inglês.

 

 

Antiguidades e obras de arte

José Márcio Viezzi Molfi é fundador da VM Escritório de Arte, antiquário clássico de São Paulo especializado na comercialização de obras de arte e antiguidades; pesquisa, catalogação, avaliação e gestão de acervos; consultoria em “art investment” para colecionadores e instituições públicas e privadas; realização de exposições e leilões de arte e antiguidades, e assessoria em serviços de restauração.

 

 

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