Dos séculos XVIII ao XX, móveis e objetos de decoração foram feitos de papel machê. Esta técnica de manufatura conheceu o seu auge na França e na Europa em meados do século XIX, sob Napoleão III na França, e na primeira metade do século XX. Uma família se destacou particularmente na fabricação de objetos de papel machê: os Adt.

 

A descoberta, a ideia, a produção

No século XVIII, em Ensheim, território do Sarre, o moleiro Mathias Adt teve a idéia de fazer caixas de rapé de madeira. Este é o começo da grande mania que se tornariam os objetos feitos em papel machê, como caixas de rapé e vários outros artigos feitos para todos os tipos de usos.

 

Mathias descobriu a invenção feita por um impressor parisiense que teve a ideia de colar folhas de papel uma na outra: assim nasceu o papel machê. Os oito filhos do moleiro, e depois os seus descendentes ao longo dos anos, desenvolveram a produção melhorando-a graças a todas as inovações tecnológicas do século XIX. As prensas a vapor, por exemplo, contribuíram decisivamente para a variedade de formas e qualidade dos mais diversos artigos feitos a partir do papel machê.

 

Société Frères Adt

Pierre Adt III, neto primogênito de Mathias, com o desenvolvimento da produção e dos negócios, criou em 1839 a “Société Frères Adt” para seus três filhos Franz, Pierre e Jean Baptiste. A nova empresa se estabeleceu em Forbach, já que a França tornava-se um mercado muito inconstante à época, especialmente para o consumo de caixas de rapé, o produto de proa da empresa. Uma primeira tentativa de produção chegou ao fim em 1844 e depois de três anos, o empreendimento Adt se estabeleceu em Sarreguemines. Posteriormente, no ano de 1853, se reinstalou novamente em Forbach, atraído pelo fato de que a cidade passava a ser servida pela estrada de ferro construída em 1851 que a ligava à cidade alemã de Saarbrücken, um grande mercado consumidor.

 

Produção em massa

A “S. F. Adt” produzia objetos de papel machê industrialmente atendendo a um mercado de massa. Ela se especializou mais especificamente na confecção de objetos e na arte da mesa: bandejas, doceiras, refresqueiras, cestas para pão, cestas para talheres, caixas, além de móveis, como mesas, cadeiras, consoles e bufês. Assim, realizaram uma produção considerável e importante até o início do século XX.

 

A técnica

A técnica utilizada consistia no uso de material-base adicionado com cola e amolecido a vapor. A receita era simples: panos velhos, papéis usados e até palhas eram triturados e moídos usando cortadores de lâmina e fios. Tudo era colocado de molho em tanques de água mantidos em temperaturas amenas. Por dois dias esta pasta era amassada, depois cortada para aparar as fibras e assim ser refinada. A massa era transformada em uma folha, enrolada, moldada em moldes e finalmente colada. Algumas peças eram estampadas em moldes quentes. Estas peças ainda passavam por algumas etapas, incluindo o cozimento em óleo de linhaça, para depois lixar para deixá-las perfeitamente lisas. Após a secagem, as peças estavam prontas para serem decoradas. Por fim, eram aplicadas entre três e dezoito camadas de verniz e, então, pintores altamente qualificados realizavam a ornamentação final dos objetos com pinturas policromadas e até com o uso de folhas de ouro.

 

Adaptação ao gosto

O papel machê poderia se adaptar às formas mais caprichosas e surpreendentes. Os artesãos fizeram móveis excepcionais imitando madeira laqueada ou bambu. A partir de 1860, após uma viagem do imperador Napoleão III pela China, os motivos decorativos chineses e japoneses caíram no gosto dos compradores, tornando-se um grande sucesso de vendas. Leve, sólido e barato, o papel machê tornou-se a indefectível peça de matéria-prima dos móveis do Segundo Império. A mobília assim criada desfrutou de um sucesso sem precedentes nesta nova sociedade de consumo europeia, apaixonada pelo luxo ostensivo e pelo conforto, que viu o início das Exposições Universais e das lojas de departamentos com catálogos ilustrados, propiciando a demanda cada vez maior destas peças.

 

O declínio, mas não o fim

Após a Segunda Guerra Mundial, a indústria do papel machê declinou porque a evolução dos produtos químicos tornou possível fabricar objetos, como os de fibra e plástico, mais acessíveis e baratos.

 

Hoje em dia, o papel machê passou a ser novamente realizado de maneira artesanal e os objetos produzidos vêm especialmente dos países asiáticos, o que demonstra que essa técnica não se extinguiu totalmente com os tempos modernos da alta tecnologia.

 

 

 

Dica Literária

PAPIER MÂCHÉ STYLE
Alex MacCormick
Ed. Michael O’Mara Books, 1994

Este é um guia passo-a-passo para fazer mais de cem projetos de papel machê, indicado para iniciantes ou para artistas mais experientes. Apresentando o trabalho de designers modernos, os projetos vão desde jóias, tigelas, vasos e espelhos para enfeites de árvore de Natal, até prateleiras, bonecas, um teatro de brinquedo e um jogo de xadrez. Explicações claras são dadas sobre como moldar tiras de papel ou polpa moldada usando estruturas como balões, modelagem de plástico, tigelas ou arame. Há muitas ilustrações das técnicas mais recentes e mais tradicionais para projetar, pintar e envernizar o trabalho para dar um acabamento verdadeiramente profissional.

Livro imperdível para os amantes da arte do papel machê.

Edição em inglês.

 

 

Antiguidades e obras de arte

José Márcio Viezzi Molfi é fundador da VM Escritório de Arte, antiquário clássico de São Paulo especializado na comercialização de obras de arte e antiguidades; pesquisa, catalogação, avaliação e gestão de acervos; consultoria em “art investment” para colecionadores e instituições públicas e privadas; realização de exposições e leilões de arte e antiguidades, e assessoria em serviços de restauração.

 

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