O mascote, também conhecido como a tampa do radiador de antigos automóveis, aparece no nascimento do motor a combustão com o sistema de refrigeração líquida, no início do século XX. Rapidamente este acessório útil para o funcionamento do veículo vai se transformar em um representante simbólico de várias marcas de automóveis. As marcas de carros mais luxuosas competirão em beleza para produzirem este objeto icônico.

 

Os anos dourados

Nos anos dourados (1920 – 1935), muitos desses objetos são criados em inúmeros formatos que vão desde formas realistas de modelos femininos, de temas esportivos e animalescos, até figuras estilizadas de diversas formas. Especialmente na França e nos EUA, artistas de renome, como René Lalique (1860 – 1945), por exemplo, criaram artisticamente mascotes para embelezarem e identificarem os veículos de várias marcas da indústria automobilística. Essas criações encontraram campo de trabalho em todos os países com uma indústria automobilística desenvolvida à época.

Esses acessórios, na maioria das vezes em bronze, podiam ser feitos de vários materiais, inclusive no tão precioso cristal. Eles eram frequentemente assinados e alguns escultores foram particularmente reconhecidos na criação de mascotes para diversos modelos de automóveis, como François Bazin (1897 – 1956), Casimir Brau (1878 – 1934) e Maurice Guiraud-Rivière (1881 – 1947), além do próprio Lalique já citado.

 

Os mascotes

O mascote mais famoso é o “Spirit of Ecstasy”, emblemático da marca Rolls-Royce, inspirado na vitória de Samotrácia e feito pelo escultor Charles Skykes (1875 – 1950). Outras marcas adotaram mascote específico, como as cegonhas do escultor Bazin para a marca de automóveis Hispano-Suiza. Muitas vezes, também, os proprietários das montadoras escolhiam personalizar a tampa do radiador de algum modelo, como fez a Delage para o seu Greyhound, por volta de 1929, que encomendou a Brau um mascote exclusivo feito em latão niquelado na forma estilizada de um animal em movimento, peça esta que era assinada na base pelo próprio artista.

 

Um símbolo de prestígio

Apesar do desaparecimento de radiadores aparentes em modelos de carros produzidos posteriormente a partir da segunda metade do século XX, estas pequenas esculturas não desapareceram completamente já que permanecem símbolos de marcas de prestígio como Rolls Royce, Mercedes Benz ou Bentley, ainda hoje.

 

Um item de coleção desejado

Por fim, esses objetos icônicos passaram a ser itens colecionáveis mundo afora, altamente disputados e desejados por colecionadores de memorabilia relacionada ao automobilismo.

 

 

Dica Literária

THE ESSENTIAL RENÉ LALIQUE
William Warmus
Ed. Harry N. Abrams, 2003

Como o ex-diretor do MMA Thomas Hoving escreveu, “Lalique se tornou uma força vital no universo das artes decorativas”. Ele fez pelo vidro o que Coco Chanel fez pela moda. Lalique, como Chanel, é facilmente identificável, sendo único e, ao mesmo tempo, acessível àqueles que o apreciam No entanto, o gênio de Lalique se estende para além das artes decorativas, pois seu trabalho reflete sua evolução, de joalheiro a fabricante de vidro e artista da arquitetura. Verdadeiramente um homem renascentista, Lalique criou obras de arte únicas, bem como peças de mesa e mascotes para carros, e nunca teve medo de um desafio, mesmo que isso significasse produzir componentes arquitetônicos para os gigantescos navios de cruzeiro da época. ou uma banheira de trabalho feito inteiramente de vidro. Em “The Essential René Lalique”, os leitores vão aprender que ele foi um dos primeiros artistas multimídia que desempenhou um papel de liderança nos dois movimentos artísticos distintamente únicos em sua época: o art Nouveau e o art Déco.

Livro para os amantes da arte do vidro, colecionadores e profissionais da área.

Edição em inglês.

 

 

Antiguidades e obras de arte

José Márcio Viezzi Molfi é fundador da VM Escritório de Arte, antiquário clássico de São Paulo especializado na comercialização de obras de arte e antiguidades; pesquisa, catalogação, avaliação e gestão de acervos; consultoria em “art investment” para colecionadores e instituições públicas e privadas; realização de exposições e leilões de arte e antiguidades, e assessoria em serviços de restauração.

 

 

VM Escritório de Arte

José Márcio Viezzi Molfi

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