A Iznik é um tipo de cerâmica policromada de grande beleza, cuja produção se iniciou no século XVI no Oriente Médio, mais precisamente na região do antigo Império Otomano onde está a atual Turquia, apresentando decoração de motivos predominantemente vegetalistas. A cerâmica Iznik difere da faiança convencional porque esta é revestida normalmente de vidrado de óxido estanífero que se aplica diretamente na terracota, enquanto aquela é coberta de engobe, que é uma camada de barro colorido aplicado na superfície da peça, que serve de base à decoração efetuada sob o vidrado transparente de óxido de chumbo.

 

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As peças de Iznik e Portugal

Ao que parece, e segundo estudos efetuados pelo especialista inglês John Carswell, ter-se-ia verificado em meados do século XVI um fugaz momento de influência sino-portuguesa na decoração de peças Iznik, relacionada com a peculiar decoração azul e branca de taças e pratos covos pintados com a esfera armilar e o brasão de armas de Portugal, encomendadas pelos primeiros navegadores e jesuítas que chegaram à China e de que existem muito poucos exemplares em museus mundo afora. Há alguns raros exemplares que se encontram em museus de Londres, Istambul, Nova Iorque e Nápoles.

 

Curiosamente algumas peças de cerâmica Iznik revelam padrões semelhantes aos da esfera armilar com desenhos e motivos inspirados ou adaptados, cuja distribuição é idêntica à que se verifica nas peças encomendadas para o rei lusitano D. Manuel I. Acredita-se que um exemplar existente no museu Topkapi Saray, de Istambul, tenha circulado entre os ceramistas de Iznik, antes de recolhida definitivamente ao museu, e ali tenha sido objeto de inspiração dos artífices. Por outro lado, são relativamente comuns as peças, sobretudo pratos, inspiradas na decoração chinesa do tipo “celadon”.

 

Sabe-se que os padrões de Iznik foram muito apreciados na Europa em meados do século XIX e terão servido de modelo a alguns artistas. No Museu da Fundação Gulbenkian, em Lisboa, e no Museu Britânico, em Londres, encontram-se duas das mais notáveis confecções de cerâmica deste tipo, tendo a de Lisboa sido objeto da edição de um excelente catálogo, com numerosas ilustrações, publicado em 1999.

 

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A cidade de Iznik

Por fim, como curiosidade, Iznik, cidade hoje adormecida, está situada a cerca de cem quilômetros ao sul de Istambul e era designada, durante a vigência do Império Bizantino, pelo nome “cristão” de Niceia. Naqueles tempos a sua cerâmica fez a fama e a riqueza da cidade. Hoje ela ainda continua a ser lembrada, mas pelas lindas peças que saíram das mãos de seus inúmeros artesãos.

 

Dica Literária

IZNIK POTTERY
John Carswell
Ed. Interlink Pub Group Inc., 2006

Algumas das maiores glórias da arte otomana são as luxuosas vasilhas de cerâmica e os esplêndidos azulejos feitos para decorar mesquitas e palácios recém-fundados pela cerâmica turca de Iznik (antiga Niceia). Seus desenhos combinam motivos puramente turcos com elementos engenhosamente transpostos de porcelanas chinesas azuis e brancas importadas. Com o tempo, um estilo pictórico mais sutil e paleta complexa foram desenvolvidos, culminando na combinação brilhante de azul cobalto, turquesa, verde-oliva, magenta e vermelho que se tornou a marca registrada internacionalmente reconhecida de Iznik. As cerâmicas de Iznik eram altamente valorizadas muito além do Império Otomano e, embora as fábricas tivessem passado pelo auge no final do século XVII, sua influência perdurou por imitações européias do século XIX por ceramistas como William de Morgan e Cantagalli.

Este livro é uma referência na arte da cerâmica Iznik.

Edição em inglês.

 

 

Antiguidades e obras de arte

José Márcio Viezzi Molfi é fundador da VM Escritório de Arte, antiquário clássico de São Paulo especializado na comercialização de obras de arte e antiguidades; pesquisa, catalogação, avaliação e gestão de acervos; consultoria em “art investment” para colecionadores e instituições públicas e privadas; realização de exposições e leilões de arte e antiguidades, e assessoria em serviços de restauração.

 

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