Pintor de miniaturas, Jacques-Joseph de Gault (1778 – 1851) foi o primeiro artista a pintar imitações de pedras antigas em grisaille para a decoração de caixas de rapé, que fez sua imensa fama, além de muitos retratos em miniatura. Sua pintura de delicadeza extrema ilustra o refinamento das artes decorativas sob o reinado de Luís XVI.

 

A especialidade

Pintados em placa de cristal, em marfim ou em esmalte, estas cenas em imitação de “cameos” antigos, incluindo os camafeus, eram a especialidade de Gault, que acabou por desenvolver a técnica em relevos conhecida como “trompe l’oeil” entre 1808 e 1810, quando praticava sua arte como pintor de porcelanas na Manufatura de Sèvres.

 

Em perfeita harmonia com o neoclassicismo que então dominava a arte francesa, suas pinturas foram exibidas em 1777 na Academia de São Lucas e seu sucesso foi tal que em 1787 Gault foi chamado para fazer os medalhões e painéis adornando com cenas mitológicas um camafeu do conjunto de jóias que o joalheiro Jean-Ferdinand Schwerdfeger (1734 – 1818) apresentou para a rainha Maria Antonieta.

 

O diferencial

Gault sempre se destacou dos demais pintores por elaborar principalmente cenas em miniatura com motivos representando “bacchanalias”, ou inspiradas na antiguidade clássica, realizando trabalhos para os mais importantes ourives parisienses da época, especializados na confecção de caixas preciosas para rapé, como Pierre-François Drais (1726 – 1788), Jean-Charles Ducrollay (1712 – 1766), Charles Ouizille (1744 – 1830) e Adrien-Jean-Maximilian Vachette (1753 – 1839).

 

Gault e os artigos de luxo como as caixas para rapé

Na Europa do século XVIII, Paris liderou a produção de artigos de luxo de alta qualidade. Ourives parisienses fizeram uma ampla gama de pequenos itens pessoais, como caixas para rapé, estojos para conter cera de selagem, pinças ou utensílios de costura, diários que continham finas tábuas de marfim para anotações, e navetes para amarrar laços.

 

As caixas para rapé em ouro e decoradas com cabochons de retratos em miniatura eram populares e muitas vezes oferecidas em presentes reais a embaixadores, ou membros de tribunais, quando não ofertadas a monarcas de outros países. Nesse quesito, os trabalhos confeccionados por Jacques-Joseph de Gault foram imbatíveis, sendo até os dias de hoje reconhecidos como dos melhores pela excelência de suas beleza e qualidade.

 

 

Dica Literária

CAMÉES ET INTAILLES
M. L. Vollenweider
Ed. BNF, 2003

Este livro mostra toda a beleza e o refinamento dos cameos e suas técnicas de entalhes em miniaturas de retratos e cenas antigas. Fartamente ilustrado, é um item obrigatório nas bibliotecas de colecionadores e antiquários.

Edição em francês.

 

 

Antiguidades e obras de arte

José Márcio Viezzi Molfi é fundador da VM Escritório de Arte, antiquário clássico de São Paulo especializado na comercialização de obras de arte e antiguidades; pesquisa, catalogação, avaliação e gestão de acervos; consultoria em “art investment” para colecionadores e instituições públicas e privadas; realização de exposições e leilões de arte e antiguidades, e assessoria em serviços de restauração.

 

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