A coleção de nautimodelismo estático de Paulo Jacques Goldstein começou a ser formada no segunda metade da década de 1970, depois de 20 anos dedicados ao hobby do plastimodelismo. Inicialmente, Paulo montou kits de madeira para então passar a desenvolver seus projetos a partir de plantas de navios e barcos, um tipo de construção que é feito a partir do zero (sem kit). Segundo Paulo, um modelo pode levar de dois a cinco anos para ficar pronto.

 

ENGLISH VERSION

 

O Colecionador

Paulo começou a praticar plastimodelismo aos 10 anos de idade. Por 20 anos, ele montou kits de fabricantes como a Atma, Revell, Airfix e Monogram, dando preferência aos aviões. Paulo relembra uma interessante história sobre o início da operação da Revell no Brasil. Como a empresa possuía um único tamanho de caixa, seus kits possuíam as mais diversas escalas desde que coubessem na caixa de tamanho padronizado.

 

Paulo montou kits de diversas escalas até chegar à escala 1/32. Em alguns casos, ele preferia montar kits com a escala 1/24 pois a quantidade e qualidade dos detalhes, de uma forma geral, era melhor.

 

Depois de duas décadas dedicadas ao Plastimodelismo, ele perdeu o interesse por montar platismodelos, apesar de suas inúmeras recaídas, e passou a se interessar por modelos de navios em madeira.

 

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Thrift, cargueiro inglês, 1925, escala 1/48

 

Os primeiros modelos

O primeiro kit de madeira foi a fragata Berlin, cujo navio havia sido lançado em  1674 pela cidade-estado de Bradenburgo (escala 1/40). Como o modelo havia sido bastante caro, e com o receio de fazer bobagem e comprometê-lo, Paulo aproveitou os desenhos da planta e ampliou o modelo para a escala 1/28. Para isso, ele utilizou um pantógrafo de madeira.

 

A construção foi conduzida de forma intuitiva (fechamento do casco), até ele perceber que precisava conhecer as técnicas adequadas para construir o modelo. Assim, Paulo comprou seu primeiro livro de nautimodelismo na livraria Avantgarde, conhecida na época por ter uma seção dedicada ao tema. Com as informações obtidas, ele pôde finalmente fechar o casco com segurança. É importante mencionar que a livraria Avantgrade não existe mais.

 

Posteriormente, Paulo se tornou amigo de outro nautimodelista que possuía a planta da fragata americana USS Raleigh, lançada em 1776. A planta foi redesenhada para a escala 1/40 e cada um construiu, a partir do zero, um modelo da fragata com mastreação e cordeamento completo.

 

Para desenvolver novos projetos, Paulo passou a procurar informações sobre madeiras que poderiam ser utilizadas na construção dos modelos, optando pelo pau-marfim, peroba-rosa e peroba-mica (não muito adequada). Aos poucos, ele foi montando sua oficina, reunindo ferramentas novas e usadas para ficar independente de terceiros.

 

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Amapá, navio da Marinha Brasileira construído na Inglaterra em 1910, escala 1/35. Vista geral

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Amapá, navio da Marinha Brasileira construído na Inglaterra em 1910, escala 1/35. Vista dos detalhes

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Amapá, navio da Marinha Brasileira construído na Inglaterra em 1910, escala 1/35. Vista dos detalhes

 

Os livros e a formação de uma biblioteca

Movido pela curiosidade e pela necessidade de conhecer mais sobre o assunto, Paulo começou a formar uma biblioteca dedicada ao nautimodelismo. Passou a importar livros e se tornou cliente assíduo da livraria Avantgarde. Tomou conhecimento de uma obra composta por quatro volumes escrita pelo arquiteto francês Jean Boudriot: Le Vaisseau de 74 canons : traité pratique d’art naval (O navio de 74 armas: um tratado prático sobre arte naval).

 

Nesta obra, Boudriot discorre sobre o funcionamento de portos, bases navais e estaleiros; sobre o desenvolvimento dos projetos de navios de guerra da marinha francesa; avaliação, escolha e corte de madeiras (carvalho); cálculos de flutuabilidade e deslocamento, e sobre todo o processo de construção, armamento, mastreação, cordeamento, vida a bordo e situações de combate. No total, são mais de 1.000 páginas ricamente ilustradas e também contendo as plantas de navios.

 

Os quatro volumes de Le Vaisseau de 74 canons : traité pratique d’art naval foram publicados pela editora francesa Ancre, que também lançou outras 25 monografias escritas por Boudriot, todas dedicadas a navios franceses de guerra, mercantes, das Companhias das Índias e um navio negreiro. Além dos livros do Boudriot, a Ancre já publicou inúmeros livros dedicados ao tema escritos por outros autores.

 

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Rebocador inglês de porto, escala 1/24. Vista geral

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Rebocador inglês de porto, escala 1/24. Vista dos detalhes

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Rebocador inglês de porto, escala 1/24. Vista dos detalhes

 

As plantas

Para execução dos projetos de nautimodelismo estático é fundamental ter as plantas do navio escolhido. Além dos livros da Ancre, Paulo destaca as publicações da Gerard Delacroix e da Conway Maritime Press, atual Bloomsbury Publishing, bem como as excelentes monografias da Seawatch Books, onde além das plantas, há centenas de fotografias da construção de modelos com descrições, citação de ferramentas, madeiras, adesivos, etc.

 

O maior acervo de plantas de navios que se conhece está no National Maritime Museum, situado em Londres. O acervo possui mais de um milhão de plantas (obs.: um navio pode ter mais de uma planta). Para os apreciadores do assunto, o Museu disponibiliza em seu site (Vessels) centenas de fotos de modelos e de plantas a partir do início do século XVIII, que podem ser adquiridas diretamente com o museu.

 

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Belle of the Clyde, Brig inglesa de transporte de óleo de palma, escala 1/35. A planta na parede é referente à fragata HMS Pandora, 1779

 

Os modelos de navios estáticos

Segundo Paulo, os modelos podem ser construídos com a mastreação completa, com as velas recolhidas ou não, ou com parte dos mastros, o que é mais comum. Nos museus que visitou, a grande maioria dos modelos expostos possui parte dos mastros.

 

O fato de um modelo não possuir mastros, velas e cabos, não quer dizer que ele seja menos bonito. Isso apenas facilita a apreciação do deck (convés). Em suas viagens, Paulo pôde apreciar três modelos de Clipper, em escala 1/36, com mastros, velas e cabos, ressaltando que os três eram belíssimos. Os Clipper eram veleiros extremamente velozes utilizados no século XIX para o tranporte rápido de cargas de alto valor.

 

Atualmente, Paulo se dedica a dois projetos: a construção de um Brig de 1870, que tinha casco de ferro, e que terá a mastreação completa, e a conclusão do casco do Titania, um Clipper inglês lançado em 1866 com casco misto (armação de ferro recoberta por madeira).

 

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USS Raleigh, fragata americana, 1776. Vista geral, escala 1/40

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USS Raleigh, fragata americana, 1776. Vista geral, escala 1/40

 

A apreciação dos modelos

Paulo admira os modelos pelo conjunto da obra: o casco e seu formato; a beleza e harmonia da proa e da popa; a carpintaria bem feita; os detalhes do deck; as pinturas e esculturas na proa e na popa.

 

Para ele, os modelos devem ter escala de até 1/24, o que possibilita a apreciação por completo.

 

Um modelo demora de dois a cinco anos para ficar pronto. Paulo menciona a história do modelo do HMS Royal George, que demorou mais tempo que o próprio navio inglês, lançado em 1756, para ficar pronto. Esse nautimodelo seria presenteado ao Rei George II, mas ele morreu em 1760, antes de sua conclusão.

 

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Chalupa armada francesa do século XVIII, escala 1/18. Vista dos detalhes

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Chalupa armada francesa do século XVIII, escala 1/18. Vista geral

 

A Europa

A Europa é um lugar especial para o nautimodelismo estático. O modelo europeu mais antigo é o espanhol Coca de Mataró, construído em meados do século XV, pertencente ao Maritime Museum Prins Hendrik, situado em Rotterdam.

 

A partir do final do século XVII, os modelos passaram a ser feitos com uma precisão incrível. Existem modelos perfeitos feitos nos séculos XVII e XVIII que estão bem preservados em museus nacionais e em coleções particulares, como a Kriegsteen Collection, considerada uma das melhores do mundo.

 

Os nautimodelos nasceram para serem analisados pelos membros do governo de seus países, responsáveis pela aprovação do projeto, como por exemplo, o inglês Navy Board, também conhecido como Navy Office, que funcionou de 1546 a 1832.

 

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Pintura mostrando uma reunião do conselho do almirantado inglês do século XVII. Essa pintura é reproduzida na capa do livro “Henry Huddleston Rogers, Collection of Ship Models”, publicado em 1971 pelo Naval Institute Press, Annapolis, Maryland

 

Foi na Inglaterra do século XVII que surgiram os primeiros profissionais que construíam nautimodelos para venda, muitos deles sob encomenda. O National Maritime Museum possui em seu acervo a cópia ampliada do cartão de um desses profissionais do século XVIII através do qual ele oferecia seus serviços.

 

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Cabo Branco, traineira portuguesa, escala 1/28. Vista dos detalhes

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Cabo Branco, traineira portuguesa, escala 1/28. Vista dos detalhes

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Traineira portuguesa Cabo Branco, escala 1/28. Vista dos detalhes

 

As viagens

Paulo fez diversas viagens à Europa, algumas delas marcantes.

 

Museu de Marinha de Portugal e a Coleção Henrique Maufroy de Seixas

Em visita ao Museu de Lisboa, Paulo teve a oportunidade de ver a incrível coleção de Henrique Maufroy de Seixas composta por modelos de navios do Século XIX e XX. Segundo o Museu:

 

“Em 1948 ocorre a doação da extraordinária coleção de Henrique Maufroy de Seixas. Apaixonado pelo mar e por tudo o que com ele se relaciona, Seixas foi construindo, ao longo de mais de trinta anos, um autêntico Museu Naval, localizado na sua própria casa, onde dispunha de uma vasta equipa de modelistas que elaboravam os planos das embarcações, usando posteriormente esses planos para construção dos modelos. Alguns destes modelistas integraram, mais tarde, as oficinas do Museu de Marinha. Para além de modelos, a coleção Seixas incluía outras peças, bem como um riquíssimo espólio fotográfico, composto por cerca de 20.000 chapas fotográficas.”

 

Em visita a oficina do Museu, Paulo foi apresentado a última pessoa viva que havia participado da montagem da coleção de Seixas, o senhor Luis  Antônio Marques. Os dois conversaram por horas. Marques lhe mostrou cada sala do Museu e as plantas guardadas na mapoteca. Eles conversaram sobre a formação da coleção; a pesquisa desenvolvida em Portugal, Angola e Moçambique; o trabalho da esposa de Marques, Clotilde do Carmo Marques, que também participou da empreitada costurando velas de capacho e tecidos para cadeiras espreguiçadeiras na escala 1/48. No final, Marques lhe deu um exemplar autografado do seu livro “História da Colecção Seixas”, onde ele contava a jornada da formação da coleção. O livro foi publicado em 1985 pela Marinha Portuguesa.

 

O National Maritime Museum de Londres e o bunker da Segunda Guerra Mundial

Anos mais tarde, Paulo visitou o National Maritime Museum em Londres. Durante a visita, ele perguntou à equipe do Museu se eles teriam mais nautimodelos para serem vistos. Foi quando lhe disseram que havia a coleção reserva, composta pelos modelos que não estavam sendo expostos naquele momento. Eles combinaram uma visita a essa coleção, que não era guardada no Museu, para dois dias depois. No horário combinado, Paulo foi levado numa van a uma antiga instalação militar na periferia de Londres, provavelmente da Segunda Guerra Mundial. Dentro de um bunker, ele foi conduzido a uma sala onde, uma vez acessa a luz, ele pôde ver centenas de nautimodelos de veleiros militares construídos no século XVIII, como o Royal Yacht Fubbs, lançado em 1682. Nas outras salas, os modelos eram guardados por tipo de embarcação.

 

Anos depois, a coleção do National Maritime Museum foi instalada num prédio, devidamente preparado para recebê-la, localizado no mais antigo estaleiro inglês ainda existente, Chatham Dockyard, em Kent. Outra coleção incrível localizada na Inglaterra é a do Science Museum de Londres, porém ela não pode mais ser apreciada pelos visitantes, pois os nautimodelos foram aguardados pelo Museu.

 

O encontro com Bernard Frölich e Jean Boudriot

No começo da década de 1990, Paulo teve oportunidade de conhecer um dos principais nautimodelistas europeus, o francês Bernard Frölich, autor do livro L’Art du Modélisme.

 

Anos depois, ele conheceu Jean Boudriot, que gentilmente o recebeu em seu escritório em Paris. Depois de duas horas de conversa, Boudriot assinou dois dos quatro livros de Le Vaisseau de 74 canons que Paulo levava consigoEsse encontro, que se deu ao acaso, foi justamente no dia do seu aniversário.

 

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Planta de um submarino americano Classe R, 1917, escala 1/35. Casco em construção

 

Uma coleção que atravessa o tempo

Uma das coleções mais impressionantes do mundo pertenceu ao americano Henry Huddleston Rogers. Após o seu falecimento, em 1935, a coleção foi doada para o US Naval Academy Museum dos Estados Unidos. Essa coleção começou a ser formada no século XVII pelo inglês Charles Sergison, que trabalhou na Marinha Real Britânica e foi político na Câmara dos Comuns (House of Commons). Sergison faleceu em 1732, e desde então, sua coleção foi passando por diversos colecionadores até chegar as mãos de Rogers, no começo do século XX, e, finalmente, ao US Naval Academy Museum, em Annapolis, na década de 1930. Essa foi a última coleção inglesa que saiu em definitivo da Inglaterra. Sua venda fez com que as coleções inglesas de nautimodelos passassem a ser consideradas patrimônio nacional, não podendo mais ser vendidas para o exterior.

 

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Fragata inglesa de 1790, escala 1/32. Em construção

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Fragata inglesa de 1790, escala 1/32. Em construção

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Fragata inglesa de 1790, escala 1/32. Em construção

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Fragata inglesa de 1790, escala 1/32. Em construção

 

O significado da coleção

Para Paulo, sua coleção é o resultado de um hobby que lhe fascina. Ele gosta de olhar sua coleção e reviver sua história: o planejamento, execução e conclusão dos modelos; a montagem da oficina; a formação de sua biblioteca; as leituras; as amizades; a troca de informações e as viagens que o levaram a conhecer lugares, muitas vezes inusitados, e pessoas especiais.

 

Museus

National Maritime Museum (Londres, Inglaterra)
Maritime Museum Prins Hendrik (Rotterdam, Holanda)
Museu de Marinha de Portugal (Lisboa, Portugal)
Science Museum (Londres, Inglaterra)
Chatham Dockyard (Kent, Inglaterra)
US Naval Academy Museum (Annapolis, Estados Unidos)

Personalidades: Jean Boudriot e Bernard Frölich
Editoras: Ancre, Gerard DelacroixBloomsbury Publishing.

 

Paulo Jacques Goldstein, 55-11-98398-9885

 

 

PAUL GOLDSTEIN COLLECTION OF STATIC NAUTIMODELISM
Paul Jacques Goldstein’s collection of static nautimodelism began to be formed in the second half of the 1970s, after 20 years devoted to the hobby of plastimodelism. Initially, Paul assembled wooden kits and then started to develop his own projects using plants of ships and boats, a type of construction made without kit. According to Paul, a model can take two to five years to get ready.

 

The collector

Paul began practicing plastimodelism at the age of ten. For 20 years, he assembled kits from manufacturers such as Atma, Revell, Airfix and Monogram, giving preference to airplanes. Paulo recalls an interesting story about the beginning of Revell’s operation in Brazil. As the company had a single box size, its kits had the most diverse scales as long as they fit in the standard sized box.

 

Paul assembled kits of various scales until he reached the 1/32 scale. In some cases, he preferred to assemble kits with the 1/24 scale because the quantity and quality of details, in general, was better.

 

After two decades dedicated to Plastimodelism, he lost interest in assemble plastimodels, despite his innumerable relapses, and became interested in wooden ships models.

 

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Thrift, cargueiro inglês, 1925, escala 1/48

 

The first models

The first wooden kit was the Berlin frigate, launched in 1674 by the city-state of Bradenburg (1/40 scale). As the model had been quite expensive, and with the fear of compromising it, Paulo took advantage of the plants and expanded the model to the 1/28 scale. For this, he used a wooden pantograph.

 

The construction was conducted intuitively (closure of the hull), until he realized that he needed to know the proper techniques to build the model. Thus, Paul bought his first book of nautimodelism in the bookstore Avantgarde, well-known at the time for having a section dedicated to the subject. With the information obtained, he was finally able to close the hull safely. It is important to mention that the Avantgrade bookstore no longer exists.

 

Later, Paulo became friend of another nautimodeler who owned the plant of the american frigate USS Raleigh, launched in 1776. The plant was redesigned for scale 1/40 and each one constructed, from zero, a model of the frigate with complete rigging and masts.

 

In order to develop new projects, Paulo began to look for information on woods that could be used in the construction of the models, opting for pink-ivory, peroba rosa (pink-peroba) and peroba mica (not very suitable). Gradually, he set up his workshop, bringing together new and used tools to stay independent of others.

 

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Amapá, navio da Marinha Brasileira construído na Inglaterra em 1910, escala 1/35. Vista geral

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Amapá, navio da Marinha Brasileira construído na Inglaterra em 1910, escala 1/35. Vista dos detalhes

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Amapá, navio da Marinha Brasileira construído na Inglaterra em 1910, escala 1/35. Vista dos detalhes

 

Books and the formation of a library

Moved by curiosity and the need to know more about it, Paul began to form a library dedicated to nautimodelism. He began to import books and became a frequent customer of the Avantgarde bookstore. He learned of a work composed of four volumes written by the french architect Jean Boudriot: Le Vaisseau de 74 canons: traité pratique d’art naval (The 74-gun ship: a practical treatise on naval art).

 

In this work, Boudriot wrote about the functioning of ports, naval bases and shipyards; on the development of French naval warship projects; evaluation, choice and cutting of wood (oak); calculations of buoyancy and displacement, and the whole process of construction, armament, rigging, masts, life on board and combat situations. In total, the book has more than 1,000 richly illustrated pages also containing the plants of ships.

 

The four volumes of Le Vaisseau de 74 canons: traite pratique d’art naval were published by the french publisher Ancre, who also released 25 monographs written by Boudriot, all dedicated to french war ships, merchant ships, India Companies ships and a slave ship. In addition to the Boudriot books, Ancre has already published numerous books dedicated to the subject written by other authors.

 

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Rebocador inglês de porto, escala 1/24. Vista geral

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Rebocador inglês de porto, escala 1/24. Vista dos detalhes

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Rebocador inglês de porto, escala 1/24. Vista dos detalhes

 

The plants

For the execution of the static nautimodelism projects it is fundamental to have the plants of the chosen ship. In addition to Ancre’s books, Paul highlights the publications of Gerard Delacroix and Conway Maritime Press, now Bloomsbury Publishing, as well as the excellent monographs of Seawatch Books, where, in addition to plants, there are hundreds of photographs of building models with descriptions, tools, woods, stickers, etc.

 

The largest collection of ship plants that is known is in the National Maritime Museum, located in London. The collection has more than one million plants (note: a ship can have more than one plant). For the lovers of the subject, the Museum makes available on its website (Vessels) hundreds of photos of models and plants from the beginning of the 18th century, which can be purchased directly from the museum.

 

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Bolle of the Clyde, Brig inglesa de transporte de óleo de palma, escala 1/35. A planta na parede é referente à fragata HMS Pandora, 1779

 

The models of static ships

According to Paul, the models can be built with complete rigging, with the sails picked up or not, or with part of the masts, which is more common. In the museums he has visited, the vast majority of exhibited models have part of the masts.

 

The fact that a model does not have masts, sails and cables, does not mean that it is less beautiful. This only makes it easier to appreciate the deck. In his travels, Paul was able to appreciate three models of Clipper, in scale 1/36, with masts, sails and cables, emphasizing that the three were beautiful. The Clippers were extremely fast sailing boats used in the 19th century for the fast transport of high value cargoes.

 

Currently, Paul is engaged in two projects: the construction of an 1870 Brig, which had an iron hull, which will have complete masts and rigging, and the completion of the Titania hull, an english Clipper launched in 1866 with a mixed hull (iron covered by wood).

 

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USS Raleigh, fragata americana, 1776. Vista geral, escala 1/40

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USS Raleigh, fragata americana, 1776. Vista geral, escala 1/40

 

The appreciation of the models

Paulo admires the models for the whole of the work: the hull and its format; the beauty and harmony of the bow and stern; the carpentry well done; deck details; the paintings and sculptures in the bow and stern.

 

For him, the models must have a scale up to 1/24, which allows for full appreciation.

 

A model takes two to five years to get ready. Paul mentions the story of HMS Royal George’s model, which took longer to be ready than the ship itself, launched in 1756. This nautimodel would be presented to King George II, but he died in 1760, before its completion.

 

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Chalupa armada francesa do século XVIII, escala 1/18. Vista dos detalhes

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Chalupa armada francesa do século XVIII, escala 1/18. Vista geral

 

Europe

Europe is a special place for static nautimodelism. The oldest European model is the spanish Coca de Mataró, built in the mid 15th century, belonging to the Maritime Museum Prins Hendrik, located in Rotterdam.

 

From the end of the 17th century onwards, models were made with incredible precision. There are perfect models made in the seventeenth and eighteenth centuries that are well preserved in national museums and private collections, such as the Kriegsteen Collection, considered one of the best in the world.

 

The nautimodels were born to be analyzed by members of the government of their countries, responsible for approving the project, such as the English Navy Board, also known as Navy Office, which ran from 1546 to 1832.

 

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It was in the England from the seventeenth-century that emerged the first professionals who built nautimodels for sale, many of them ordered. The National Maritime Museum has in its collection an enlarged copy of the card of one of those eighteenth-century professionals through which he offered his services.

 

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Cabo Branco, traineira portuguesa, escala 1/28. Vista dos detalhes

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Cabo Branco, traineira portuguesa, escala 1/28. Vista dos detalhes

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Cabo Branco, traineira portuguesa, escala 1/28. Vista dos detalhes

 

The trips

Paul made several trips to Europe, some of them remarkable.

 

The Portugal Navy Museum and the Henrique Maufroy de Seixas Collection

On a visit to the Portugal Navy Museum, Paulo had the opportunity to see the incredible collection of Henrique Maufroy de Seixas composed of ship models of the 19th and 20th centuries. According to the Museum:

 

“In 1948, the extraordinary collection of Henrique Maufroy de Seixas were donated. Passionate about the sea and everything related to it, Seixas built, for more than thirty years, an authentic Naval Museum, located in his own house, where he had a large team of modelers who elaborated the plans of the vessesl, using later these plans for the construction of the models. Some of these modelers later joined the Navy Museum workshops. In addition to models, the Seixas collection included other pieces, as well as a very rich photographic collection, composed of about 20,000 photographic plates.”

 

Visiting the Museum’s workshop, Paulo was presented the last living person who had participated in the assembly of Seixas collection, Mr. Luis Antônio Marques. They talked for hours. Marques showed him every room of the Museum and the plants stored in the blueprint cabinets. They talked about the formation of the collection; the research developed in Portugal, Angola and Mozambique; the work of Marques’ wife, Clotilde do Carmo Marques, who also participated in the work by sewing doormat sails and fabrics for sun lounger chairs on the 1/48 scale. In the end, Marques gave him an autographed copy of his book “History of the Seixas Collection”, where he told the journey of the collection forming. The book was published in 1985 by the Portuguese Navy.

 

The National Maritime Museum in London and the bunker of World War II

Years later, Paul visited the National Maritime Museum in London. During the visit, he asked the Museum staff if they would have more nautimodels to see. That was when they told him that there was the reserve collection, made up of models that were not being exposed at the time. They combined a visit to this collection, which was not kept in the Museum, for two days later. At the arranged time, Paul was taken in a van to a former military facility on the outskirts of London, probably from World War II. Inside a bunker, he was taken to a room where, once the light came on, he could see hundreds of nautimodels of military sailboats built in the eighteenth century, such as the Royal Yacht Fubbs, launched in 1682. In the other rooms, the models were organized by type of vessel.

 

Years later, the collection of the National Maritime Museum was installed in a building, properly prepared to receive it, located in the oldest still existing english shipyard, Chatham Dockyard, in Kent. Another incredible collection located in England is the Science Museum’s in London, but it can no longer be enjoyed by visitors as the nautimodels were stored by the Museum.

 

The meeting with Bernard Frölich and Jean Boudriot

In the early 1990s, Paul had the opportunity to meet one of the leading European nautimodelists, the Frenchman Bernard Frölich, author of the book L’Art du Modélisme.

 

Years later, he met Jean Boudriot, who gently received him in his office in Paris. After two hours of conversation, Boudriot signed two out of four books from Le Vaisseau of 74 canons that Paul carried with him. This meeting, which happened at random, was just on his birthday.

 

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Planta de um submarino americano Classe R, 1917, escala 1/35. Casco em construção

 

A collection that goes through time

One of the most impressive collections in the world belonged to American Henry Huddleston Rogers. After his death, in 1935, the collection was donated to the US Naval Academy Museum of the United States. This collection began to be formed in the seventeenth century by the englishman Charles Sergison, who worked in the British Royal Navy and was a politician in the House of Commons. Sergison died in 1732, and since then, his collection has been going through several collectors until it reached the hands of Rogers in the early twentieth century and, later, the US Naval Academy Museum in Annapolis in the 1930s. It was the last english collection that came out definitively from England. After its sale, english collections of nautimodels were considered national patrimony, being no longer able to be sold abroad.

 

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Fragata inglesa de 1790, escala 1/32. Em construção

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Fragata inglesa de 1790, escala 1/32. Em construção

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Fragata inglesa de 1790, escala 1/32. Em construção

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Fragata inglesa de 1790, escala 1/32. Em construção

 

The meaning of the collection

For Paulo, his collection is the result of a hobby that fascinates him. He likes to look at his collection and relive its history: the planning, execution and conclusion of the models; assembly of workshop; the formation of his library; the readings; the friendships; the exchange of information and the trips that led him to visit places, often unusual, and special people.

 

Museums

National Maritime Museum (Londres, Inglaterra)
Maritime Museum Prins Hendrik (Rotterdam, Holanda)
Museu de Marinha de Portugal (Lisboa, Portugal)
Science Museum (Londres, Inglaterra)
Chatham Dockyard (Kent, Inglaterra)
US Naval Academy Museum (Annapolis, Estados Unidos)

Personalities: Jean Boudriot e Bernard Frölich
Publishers: Ancre, Gerard DelacroixBloomsbury Publishing.