O Patrimônio antiguidades é um antiquário de São Paulo especializado em arte tribal proveniente da África, Ásia, Oceania e América. Ele foi fundado pelo parisiense Christian-Jack Heymès.

 

Christian

Christian iniciou sua coleção de arte tribal no final da década de 1960, ao comprar sua primeira peça no Taiti, enquanto prestava o serviço militar. Seus pais eram colecionadores de objetos de arte, entre eles objetos de arte pré-colombiana. Inclusive, sua mãe foi dona de uma galeria de arte em Paris.

Formou-se em arquitetura e chegou ao Brasil pouco tempo depois. Começou a trabalhar com decoração e, em 1982, abriu a primeira de suas três lojas, cada uma dedicada a um tema: antiguidades, principalmente móveis coloniais; mobiliário do século XX e arte tribal. Em meados da década de 2000, Christian passou a se dedicar exclusivamente à arte tribal.

Para compor sua coleção e, posteriormente, o acervo de sua loja, Christian viajou por lugares como a Polinésia, Indonésia, Peru, Colômbia, Equador, Bolívia, Índia, Paquistão, Nepal, Sri Lanka, Máli, Níger, Burkina Farko e Costa do Marfim.

 

Arte tribal

Christian esclarece que os objetos de arte tribal são sacros. Eles pertencem à própria tribo, e não a um indivíduo. A função desses objetos sempre foi reequilibrar a angústia da morte, sendo utilizados para agradar e pedir ajuda dos espíritos para plantios e colheitas produtivas; proteção contra incêndios e doenças; celebração de casamentos e guarda das famílias. As estátuas são objetos de poder cuja finalidade é a proteção do clã e das famílias. São para elas que os membros do clã pedem conselhos e benções para casamentos e caças, por exemplo. As máscaras são objetos de saber utilizados na transmissão oral da história da tribo, principalmente aos mais jovens.

Existem locais em que os significados mudaram com o tempo. No Malí, por exemplo, a tribo dos Bambaras, islamizada há alguns séculos, passaram a usar as máscaras apenas nas festividades de casamentos, nascimentos, plantios e colheitas.

Christian ressalta que as peças de arte tribal são positivas. Existem pouquíssimas tribos que fazem objetos para cerimônias obscuras. Mesmo nesses poucos casos, esses objetos são destruídos logo após a realização da cerimônia para evitar que os espíritos se voltem contra as pessoas que os invocaram.

 

A produção

A arte tribal é produzida em diversos lugares espalhados pela África, Ásia, Oceania e América. As tribos brasileiras, devido a sua característica nômade e ao clima úmido, se destacaram pela arte plumária, cuja comercialização é proibida. Os objetos mais raros são os provenientes da Oceania, enquanto a África, por possuir uma grande concentração de tribos, é o principal foco de produção artística tribal, principalmente na sua porção Oeste.

Esses objetos são caracterizados por não serem assinados e datados. Pode-se estimar quando eles foram feitos, mas é impossível saber seus autores. Outro ponto: mais importante que a idade de uma peça, é o fato dela ter sido utilizada por sua tribo. Um objeto de arte tribal de 10 anos tem mais importância que uma antiguidade étnica de 100 anos que foi feita especificamente para ser vendida ou oferecida.

Christian destaca que um dos maiores acervos de arte tribal do mundo está no Museu francês do Quai Branly Jacques Chirac, onde podem ser vistos objetos dos séculos XIV, XV e XVI.

 

O que é uma tribo?

Segundo Christian, uma tribo é caracterizada pelo tamanho estável, apesar da passagem do tempo; por cultivar seus ancestrais; possuir um forte vínculo com a sua terra; ser isolada o bastante para não ser influenciada pelos vizinhos; não estar localizada num lugar de passagem; ocupar uma terra suficientemente boa para viver, ruim para não ser roubada e sem riquezas no subsolo.

 

Arte tribal, uma das referências da arte moderna

Christian salienta que a arte tribal foi uma das referências da arte moderna. Ele lembra que na passagem do século XIX para o século XX, muitos franceses retornavam das colônias trazendo peças de arte tribal. Foi graças a esse fluxo que Henri Matisse pôde comprar uma máscara que lhe chamou a atenção enquanto passeava pelo bairro de Montparnasse, em Paris. Pablo Picasso ficou impressionadíssimo com a máscara comprada por Matisse e acabou ficando com ela. Essa máscara foi uma de suas inspirações para pintar um dos seus mais famosos quadro, Les demoiselles d´Avignon, que atualmente se encontra no MoMA de Nova York.

 

“As máscaras não eram esculturas como as outras. Nem um pouco. Eram coisas mágicas […] Eu olhava sempre para os fetiches […], tinham o mesmo propósito. Eram armas. Para ajudar as pessoas a não serem mais escravas dos espíritos, a tornarem-se independentes. Ferramentas. Se damos uma forma aos espíritos, nos tornamos independentes. […]. Eu entendi por que era pintor. Sozinho nesse museu horrível [Trocadéro] com suas máscaras, bonecas peles-vermelhas, manequins empoeirados. As Demoiselles d’Avignon devem ter surgido nesse dia.”

– Picasso a André Malraux

 

 

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Patrimônio Antiguidades, Christian-Jack Heymès

Alameda Ministro Rocha de Azevedo nº 1077, 1º andar, São Paulo-SP

Telefones: 55-11-99225-7570;

E-mail: heymes@uol.com.br;

Atendimento: visitas com horário marcado de segunda a quinta; aberto ao público nas sextas.

http://www.patrimonioantiguidades.com