O Pinball Clube de São Paulo é um local de preservação da história do Pinball e de suas máquinas.

 

O início do fim do reinado dos Pinballs

As máquinas de Pinball reinaram absolutas até meados da década de 1980, quando passaram a sofrer a concorrência dos Arcades, também conhecidos como vídeo-games, e de consoles caseiros como o Atari. Os Arcades tinham a manutenção mais simples e ocupavam menos espaço. O consoles caseiros tiravam clientes dos fliperamas. Mesmo assim, os Pinballs resistiram por mais alguns anos.

 

Taito do Brasil, a primeira a sair do mercado brasileiro

Dos grandes fabricantes brasileiros, a Taito do Brasil, única subsidiária da empresa japonesa fora do Japão, foi o primeiro a encerrar a operação. Ela honrou todos os seus compromissos e fechou as portas em 1985. A J Esteban e a LTD encerraram suas operações posteriormente.

 

Na década de 1990, mais um concorrente

Na década de 1990, os Pinballs passaram a sofrer com mais um concorrente: as máquinas de caça-níqueis. Muitas padarias e bares, que possuíam pelo menos um Pinball para atrair clientes, passaram a substitui-los por caça-níqueis. Ao contrário dos Pinballs, os caça-níqueis ocupavam menos espaço, tinham a manutenção mais simples e geravam mais dinheiro.

No final da Década de 1990, os Pinballs praticamente desapareceram.

 

Nos Estados Unidos, os fabricantes também saem do mercado

Nos Estados Unidos, acontecia movimento similar. A WMS (Williams) deixou de fabricar Pinballs no final da Década de 1990, depois de comprar a Bally/Midway em 1988. A Gottilieb encerrou sua operação em 1996. A única que se manteve no mercado foi a Stern Pinball.

 

Ressurge o Pinball no Brasil

Após o desaparecimento dos Pinballs, o jornalista Gabriel Torres criou um chat dedicado às máquinas no site Clube do Hardware. Em pouco tempo, as pessoas que frequentavam o chat organizaram um grupo para troca de e-mails. Das cinzas de um mercado que havia desaparecido, as pessoas começaram a se organizar para partir em busca de máquinas e peças de reposição. Um dos envolvidos criou o site Pinball Brasil.

Pinballs e peças começaram a ser encontrados. Muitos tiveram que ser restaurados. Com o desaparecimento das redes de assistência técnica, os usuários tiveram que aprender a fazer a manutenção das máquinas. Com o tempo, profissionais que haviam saído do mercado começaram a perceber o retorno da demanda e voltaram a prestar serviços de manutenção.

Com a gradativa recuperação dos Pinballs, surgiu a necessidade de se organizar um espaço para guardar as máquinas. Assim, surgiram os clubes como o Pinball Clube de São Paulo e o Rio Pinball Clube.

 

Os desafios enfrentados pelos proprietários

Existem dois grandes desafios que são enfrentados pelos proprietários das máquinas: encontrar peças de reposição, o que em alguns casos é muito difícil, e a tecnologia. Até o final da Década de 1970, a tecnologia utilizada nos Pinballs era a eletromecânica. A partir da Década de 1980, passou-se a utilizar a tecnologia eletrônica (solid state). Ou seja, pelo tempo transcorrido, é dificílimo encontrar pessoas que possam dar manutenção nas máquinas eletromecânicas.

 

Depois de tantos anos, o Pinball voltará a ser fabricado no Brasil

Com relação a fabricação, depois de muitos anos sem haver um fabricante no Brasil, foi divulgada a informação de que a Stern fabricará máquinas em associação com a EletroMatic, empresa que pertence a Família Steban, que foi proprietária da LTD. Inicialmente, as máquinas serão importadas prontas, cabendo a EletroMatic a montagem dos caixotes. A previsão é de que esse processo se inicie no final de 2017.

 

O Pinball Clube de São Paulo

O Pinball Clube de São Paulo conta com 38 sócios. Ele foi fundado por Paulo, Maranho, Cláudio, Carlos César e Williams. Ele é organizado em Diretores, associados que possuem Pinballs, e Frequentadores, associados que não possuem Pinballs. As máquinas do clube pertencem aos associados. O Clube é responsável por receber a final do campeonato brasileiro de Pinball, cujo campeão participa do mundial disputado na Pennsylvania nos Estados Unidos. O Pinball Clube de São Paulo organiza pelo menos três “Open House” por ano.

 

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Hot Line, fabricado pela Williams, 1966. O Pinball mais antigo do Clube. Essa máquina é um exemplo de Pinball eletromecânico

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Shook, Fire Action e Oba Oba. Os três Pinballs foram fabricados pela Taito do Brasil no começo da década de 1980. A Taito do Brasil copiava Pinballs de fabricantes estrangeiros. As referências dessas máquinas são Flash, Fire Power e Playboy, respectivamente. Os nomes dados pela Taito Brasil possuíam a mesma quantidade de letras dos nomes originais

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Drakor, fabricado pela Taito do Brasil, início da década de 1980. A próxima foto é da máquina original que foi copiada pela Taito do Brasil

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Gorgar, fabricado pela Williams, 1979. O nome da máquina fabricada pela Taito do Brasil (Drakor) possui a mesma quantidade de letras da máquina fabricada pela Williams (Gorgar). A Taito do Brasil desenvolveu um modelo padrão de display, sendo esse o único detalhe que diferenciava seus Pinballs dos originais. Isso pode ser observado comparando as fotos do Drakor e do Gorgar

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Fathon, fabricado pela Bally, 1981. Essa Pinball foi restaurado por completo recentemente

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Hawkman, fabricado pela Taito do Brasil, início da década de 1980. The Champion Club, fabricado pela Bally, 1997. Essas máquinas são ótimos exemplos de suas décadas. Existe um período intermediário entre essas máquinas quando os displays eram alfa-numéricos

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Aerosmith, fabricado pela Stern, 2016. Exemplo de Pinball fabricado recentemente com display de LCD. Essa máquina possui 9 missões, e para cada uma delas, a máquina toca uma música do Aerosmith

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Star Wars, fabricado pela Data East, 1992. A Data East, que havia comprado a Stern Pinball em 1985, fazia Pinballs com temas de filmes. Posteriormente, ela foi comprada pela Sega em 1994, que depois voltou a ser Stern em 1999. Independente das mudanças na empresa, as máquinas com temáticas de filmes continuaram a ser fabricadas. A tela dessa máquina é a mira de uma X-Wing perseguindo um Tie-Fighter. As próximas três fotos são de máquinas com temáticas de filmes

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Apollo 13, fabricado pela Sega, 1995. O display dessa máquina possui uma história muito interessante. Nele, o ator principal do filme, Tom Hanks, não aparece. Ele foi substituído por um astronauta sem identificação. Tudo indica que não se chegou a um acordo para utilização de sua imagem. Os atores retratados são, da esquerda para direita, Ed Harris, Gary Sinise, Bill Paxton e Kevin Bacon

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Lost in Space, fabricado pela Sega, 1998

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Indiana Jones, fabricado pela Stern, 2008. Essa máquina faz referência aos 4 filmes da franquia: Raiders of the Lost Ark, 1981; The Temple of Doom, 1984; The Last Crusade, 1989, e The Kingdom of the Crystal Skull, 2008

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A oficina do Pinball Clube de São Paulo

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Jurassic Park, fabricado pela Date East, 1993. Em processo de restauração

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Exemplos de Arcades, ou vídeo-games, que substituíram muitos Pinballs. Sua manutenção era mais simples e eles ocupavam menos espaço

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Paulo Ligorio, Marcelo Maranho e Adão Sales, os associados do Pinball Clube de São Paulo que me receberam e contaram um pouco da história do Clube e do próprio Pinball

 

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