A coleção de militaria em questão é uma das maiores e mais diversificadas do Brasil. Ela vem sendo formada há mais de 30 anos com dedicação e paixão. Há alguns anos, o colecionador passou a formar uma coleção dedicada à Revolução Constitucionalista de 1932 que possui diversos itens como documentos, fotografias, cartofilia, numismática e filatelia.

 

ENGLISH VERSION

 

O Colecionador

O Colecionador nasceu em um hospital que pertenceu a Força Pública de São Paulo, atualmente sob responsabilidade da Polícia Militar do Estado. Um dos seus avós serviu à mesma Força tendo trabalhado por muito tempo no Palácio dos Campos Elíseos, sede do Governo Paulista até 1965. Desde pequeno, o Colecionador gostava de brincadeiras com temas militares e via a série de TV “Combat” estrelada por Vic Morrow, produzida nos Estados Unidos de 1962 a 1967 e exibida no Brasil pelas TVs Excelsior e Record. Em 1959, quando a Marinha Brasileira comprou o Porta-Aviões Minas Gerais (A-11), o Colecionador fez uma réplica inspirada na embarcação. Na juventude, um dos documentários que mais lhe marcou foi Memórias da Segunda Guerra Mundial de Winston Churchill, exibido na época pela TV Cultura de São Paulo.

 

A história, uma dimensão diferenciada

Há muitos anos, o Colecionador teve que organizar os documentos de sua família para obter o Passaporte da Comunidade Européia. O que para muitos seria um processo burocrático, para ele foi um processo de descobertas. O Colecionador precisava do documento de casamento do seu bisavô, que havia chegado ao Brasil ainda no tempo do Império. Primeiro, ele fez a busca na igreja onde seu bisavô teria casado, sem sucesso. Teve então que recorrer a Cúria para tentar encontrá-lo, o que de fato aconteceu. O Colecionador ficou emocionado quando pôde ver pela primeira vez o documento com as assinaturas do seu bisavô e de sua bisavó, além dos padrinhos. No decorrer desse processo, ele descobriu que uma tia havia guardado o diário do seu bisavô, escrito em português e na língua nativa, com as informações de que ele havia chegado ao Brasil em 1876 e que havia sido mascate de roupas no interior de São Paulo.

 

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O emblema com um javali era parte da fuselagem de um avião da Força Aérea Alemã, Luftwaffe, abatido durante a Segunda Guerra Mundial

 

Os primeiros itens da coleção

O primeiro item de sua coleção foi dado por sua mãe. Tratava-se do broche com número de registro do Exército Brasileiro que havia pertencido ao seu pai.

 

Passaram-se alguns anos para que o Colecionador adquirisse o segundo item. Em meados da Década de 1980, após uma visita a Sociedade Veteranos de 32-MMDC, o Colecionador adquiriu um capacete da Revolução Constitucionalista de 1932.

 

Estados Unidos, o ambiente perfeito para o desenvolvimento de uma coleção de militaria

No começo da Década de 1990, o Colecionador se mudou para os Estados Unidos. Lá, ele se deparou com uma nova realidade. Além da valorização da história, os americanos possuem um mercado extremamente organizado e sofisticado. Ao contrário do Brasil, onde os eventos são genéricos, nos Estados Unidos os eventos são organizados por tema como Guerra Civil Americana, Primeira Guerra Mundial, Segunda Guerra Mundial, Guerra da Coréia e Guerra do Vietnã.

 

Acompanhado de sua família, o Colecionador visitou museus e eventos onde se reencenavam batalhas e acampamentos. As pessoas se vestiam com uniformes de diversos países, inclusive dos que lutaram contra os Estados Unidos. Percebeu que as pessoas queriam apenas resgatar a história, sem haver brigas ou discussões inúteis. Deparou-se com feiras em que se vendia absolutamente tudo o que se podia imaginar. Em uma delas, viu o uniforme original de Erwin Rommel, um dos mais destacados Generais Alemães da Segunda Guerra Mundial.

 

Foi nos Estados Unidos que o Colecionador comprou o terceiro item de sua coleção: um capacete da Força Aérea Alemã, a Luftwaffe. A partir de então, não parou mais. Numa primeira fase, focou em capacetes pois a falsificação é mais difícil. Passou a diversificar sua coleção com a compra de quepes, bibicos, baionetas, bandeiras, botons e medalhas. Com relação as medalhas, o Colecionador foi extremamente cuidadoso por causa das falsificações. Buscava informações em livros, sendo um deles em japonês.

 

A Manion’s International Auction House

O Colecionador destaca a importância da empresa americana Manion’s International Auction House, Inc. Fundada no início da Década de 1970, a Manion’s organizava leilões de itens militares. Seus impecáveis catálogos eram referência de mercado. Mensalmente, a Manion’s fazia quatro catálogos: itens americanos, itens alemães, itens japoneses e itens de outros paises. Em um dos catálogos de itens alemães, o Colecionador viu uma máquina Enigma à venda. Se naquela época a máquina já era cara, hoje o preço é proibitivo. Ele fez uma coleção dos catálogos que recebeu. Cabe ressaltar que a Manion’s não existe mais.

 

A coleção de capacetes depois do retorno ao Brasil

Quando retornou ao Brasil depois de alguns anos, o Colecionador tinha capacetes da Primeira e da Segunda Guerra Mundial, da Guerra do Vietnã e da Guerra do Golfo, das nacionalidades americana, alemã, inglesa, italiana, soviética, japonesa, vietnamita e iraquiana. Com relação a Guerra do Golfo (1990/1991), o Colecionador possui um capacete americano e um capacete iraquiano. O capacete americano era o PASGT (Personnel Armor System for Ground Troops) cuja casca era feita de 19 camadas de Kevlar. Esse capacete substituiu o mítico capacete M1 que foi utilizado pelos americanos na Segunda Guerra Mundial, na Guerra da Coréia e na Guerra do Vietnã. Já o capacete iraquiano era feito de fibra (polietileno), o que mostra como o Exército do Iraque estava mal equipado para enfrentar a coalizão liderada pelos Estados Unidos.

 

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Parte da coleção de capacetes

 

Observações que só um colecionador pode fazer

Nos Estados Unidos, o Colecionador pôde ver como é difícil comprar itens japoneses. Segundo ele, por mais que o tempo tenha passado, os americanos ainda não assimilaram o ataque japonês a Pearl Harbor ocorrido em Dezembro de 1941. Por causa disso, os itens japoneses são extremamente procurados no mercado americano. Outro problema é que o material japonês não era de boa qualidade, o que comprometeu o estado de conservação de muitos itens. Ele cita, por exemplo, que um capacete japonês da Segunda Guerra Mundial tem qualidade inferior a um capacete alemão da Primeira Guerra Mundial. Além disso, a quantidade de itens disponíveis é pequena, pois a quantidade de combatentes japoneses era menor que a quantidade de combatentes alemães. Segundo o Colecionador, o mercado brasileiro demanda itens americanos e alemães, não havendo demanda por itens italianos e japoneses. Com relação aos itens soviéticos, o Colecionador salienta que muitos itens não saíram da União Soviética pois foram destruídos pelos próprios soviéticos. Além disso, após o fim da URSS em 1991, a Rússia seguiu proibindo escavações.

 

As peças passam a procurar o colecionador

Depois do seu retorno ao Brasil, o Colecionador diminuiu o ritmo de suas aquisições, mas continuou a manter contato com vendedores localizados nos Estados Unidos, Alemanha e Inglaterra. Aumentou também o círculo de conhecidos no Brasil. Sem se afastar do mercado, o Colecionador continuou a receber ofertas. Ele destaca que a partir de um momento, as peças passam a procurar um colecionador.

 

Negociação física x Negociação na Internet

No final da Década de 1990, o Colecionador voltou a adquirir itens para sua coleção. Naquele momento, a internet começava a ganhar força, o que potencializou os contatos. Ele destaca que por mais que a Internet tenha facilitado o acesso, a negociação através da rede é fria. O Colecionador prefere a negociação física onde se pode ver a peça, senti-la, analisá-la, poder conversar com o vendedor, principalmente se ele conhece de fato sua história. Como exemplo, ele cita quando esteve em Montevidéu há alguns anos. O Colecionador visitou um antiquário clássico que não parecia ter itens militares e perguntou se havia alguma coisa do couraçado alemão Graff Spee. Depois que o antiquário lhe mostrou duas moedas da cantina do navio, eles passaram horas conversando e o Colecionador adquiriu os dois itens. O couraçado Graff Spee foi afundado por sua própria tripulação em Dezembro de 1939, próximo a Montevidéu, após se envolver na Batalha do Rio da Prata contra os cruzadores ingleses Exeter e Ajax, e o cruzador neozelandes Achilles.

 

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Coleção de maços de cigarro da Revolução Constitucionalista de 1932

 

A diversificação da coleção ganha força

Com o tempo, o Colecionador começou a colecionar numismática de períodos de guerra. Seu primeiro item foi uma moeda americana de um cent feita de sucatas de guerra. Até então, as moedas eram feitas de cobre, mas devido a escassez de materiais durante a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos fizeram moedas com materiais alternativos. Foi nessa época que o Colecionador adquiriu um item extremamente diferenciado, mas cuja história também está relacionada à Segunda Guerra Mundial: um carro europeu, que teve a fabricação interrompida por causa da guerra, e que voltou a ser fabricado, no mesmo modelo, após o seu fim. O Colecionador também teve um carro muito associado à Resistência Francesa e uma viatura militar, além de uma carreta utilizada com a viatura militar.

 

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Numismática – Cédulas produzidas pelo Estado de São Paulo durante a Revolução Constitucionalista de 1932. As cédulas à direita foram invalidadas após o término da Revolução

 

O início da coleção da Revolução Constitucionalista de 1932

Alguns anos depois, o Colecionador esteve em um evento de aniversário da Revolução Constitucionalista de 1932. A partir de então, passou a se envolver com a Associação e a formar um círculo de amizades. Começou a ler e se interar mais detalhadamente sobre a Revolução, e tomou a decisão de iniciar uma coleção sobre o tema. A coleção possui diversos itens como documentos, fotos, itens de numismática e objetos de casa tão variados como porta-jóias ou cinzeiros, todos relacionados à Revolução de 1932. O Colecionador possui um especial fascínio pelos itens referentes às batalhas como documentos, braçadeiras, cintos, uma baioneta Mauser 1908 utilizada pela Força Pública, um facão produzido pelas indústrias paulistas para os soldados e uma Matraca, instrumento desenvolvido na época pelo Professor Otávio Teixeira Mendes, de Piracicaba, para simular o som de uma metralhadora. Estima-se que tenham sido produzidas de cem a cento e cinquenta matracas. O Colecionador destaca que os itens da Revolução de 1932 possuem como característica a despadronização. Por exemplo, com exceção da Força Pública, as tropas paulistas utilizaram vários tipos de fardamento. O colecionador lembra que morreram mais brasileiros na Revolução Constitucionalista de 1932 do que na Segunda Guerra Mundial.

 

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Coleção encadernada do Estado de São Paulo com as edições que tratavam da Revolução Constitucionalista de 1932. Esse item é composto pelos jornais de antes, durante e depois da Revolução

 

Começa a coleção de documentos

O Colecionador também passou a colecionar documentos. O ponto de partida foi um fac-símile de um relatório de uma patrulha da Força Expedicionária Brasileira na Itália com informações como a quantidade de feridos e de prisioneiros alemães. Fac-símile era uma cópia de um documento original, nesse caso feita para ser entregue aos demais comandantes. O Colecionador também possui documentos de italianos e japoneses que foram confinados pelo Governo Brasileiro durante a Segunda Guerra Mundial.

 

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Fotos originais da Revolução Constitucionalista de 1932

 

Um documento único da Revolução Constitucionalista de 1932

Com relação à Revolução de 1932, o documento mais especial é o diário de um combatente onde a escrita se deteriora com o desenrolar da Revolução. O diário parou de ser escrito antes do final da Revolução, 2 de outubro de 1932, mas o Colecionador acredita que o combatente tenha sobrevivido pois o diário sobreviveu. No diário consta que o combatente estudou em um colégio no Bairro do Brás, fugiu no dia da partida para visitar sua mãe, se reapresentou e partiu para o front. Outro documento especial é um salvo-conduto para que uma pessoa que estava em São Paulo pudesse viajar para o Rio de Janeiro durante a Revolução.

 

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Coleção encadernada do suplemento do Estado de São Paulo com edições que tratavam da Revolução Constitucionalista de 1932. Esse item é composto pelos suplementos de antes, durante e depois da Revolução

 

O impacto da internet e a importância dos antiquários

O Colecionador destaca que por mais que a rede tenha facilitado o contato e a busca de peças, ao mesmo tempo ela fez com que muitas pessoas sem o devido conhecimento se tornassem vendedoras. Isso acabou por criar dificuldades pois alguns vendedores tomam como parâmetro preços que são colocados em sites de venda, muitas vezes sem qualquer critério ou sem considerar o estado de conservação da peça. Isso acabou por dificultar as negociações e encarecer o mercado. O Colecionador ressalta a importância dos antiquários que de fato conhecem as peças, o que dificulta, inclusive, a ação de falsificadores. Com relação a esse problema, é importante destacar que muitas vezes, um comprador e um vendedor, por não serem experts, podem negociar uma peça sem saber que ela é falsificada.

 

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Cartofilia – Cartões Postais da Revolução Constitucionalista de 1932

 

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Cartofilia – Cartões Postais da Revolução Constitucionalista de 1932

 

As reflexões depois de 30 anos construindo a coleção

Por mais que o Colecionador seja apaixonado por sua coleção, ele não diversificaria tanto se fosse começá-la novamente. Outro ponto que ele destaca é que com os preços atuais, não haveria condições de formar uma coleção tão vasta como a que ele vem construindo com dedicação há mais de 30 anos. Além disso, nos últimos anos o governo brasileiro passou a criar uma série de dificuldades como a proibição da importação de peças bélicas, como capacetes, ou de uniformes antigos do Eixo, que tem a importação proibida por questões de Lei Federal. Contudo, quando o mesmo governo vai promover um evento militar, ele busca o apoio de colecionadores para que peças sejam cedidas para exposições. O Colecionador salienta que nos eventos anuais em homanegam à FEB feitos em Montese, Itália, as pessoas podem comparecer com uniformes dos Aliados e dos Países que formaram o Eixo (Alemanha, Itália e Japão), não havendo qualquer tipo de restrição. No Brasil, país que não possui um único monumento à FEB em sua capital, Brasília, é proibido utilizar uniformes de países do Eixo. A simples utilização de um uniforme não é alusão a um regime que não existe mais (Nazismo Alemão, Fascismo Italiano e Imperialismo Japonês), e sim a lembrança e reflexão sobre um fato que aconteceu. Esquecer o passado é correr o risco de repetir os mesmos erros novamente.

 

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Filatelia – Selos da Revolução Constitucionalista de 1932

 

O significado da coleção para o colecionador

Para o Colecionador, sua coleção é uma homenagem aos combatentes que lutaram pelo que acreditavam e pelos muitos que se sacrificaram para que suas famílias tivessem apenas mais um dia de paz.

 

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Ao centro, as espadas da coleção. Algumas delas foram utilizadas no período monárquico da história do Brasil (1822 – 1889)

 

 

A SPECIAL COLLECTION OF MILITARIA

This militaria collection is one of the largest and most diversified in Brazil. It has been built for more than 30 years with dedication and passion. A few years ago, the collector began a new collection dedicated to the Constitutionalist Revolution of 1932, which has several items such as documents, photographs, cartophiles, numismatics and philately.

 

The collector

The Collector was born in a hospital that belonged to the Public Force of São Paulo, currently under the responsibility of the State Military Police. One of his grandfathers served the same Force, having worked for a long time in the Campos Elíseos Palace, headquarters of the Paulista Government until 1965. From a young age, the Collector liked to play with military themes and watched the TV series “Combat” starring Vic Morrow , produced in the United States from 1962 to 1967 and shown in Brazil by the channels Excelsior and Record. In 1959, when the Brazilian Navy bought the Aircraft Carrier Minas Gerais (A-11), the Collector made a replica inspired in the vessel. In his youth, one of the most remarkable documentaries that he watched was Winston Churchill’s Memories of the Second World War, screened at the time by TV Cultura de São Paulo.

 

The history, a differentiated dimension

Many years ago, the collector had to organize his family’s papers to obtain the European Community Passport. What for many would be a bureaucratic process, for him was a process of discovery. The Collector needed the document of marriage of his great-grandfather, who had arrived in Brazil still in the time of the Empire. First, he searched in the church where his great-grandfather would have married without success. So, he had to search in the Curia to try to find the document, which actually happened. The Collector was thrilled when he was able to see for the first time the document bearing the signatures of his great-grandfather and great-grandmother, as well as the godparents. In the course of this process, he discovered that an aunt had kept his great-grandfather’s diary, written in Portuguese and in the native language, with the information that he had arrived in Brazil in 1876 and that he had been a clothing peddler in the interior of São Paulo .

 

The first items in the collection

The first item in his collection was given by his mother. It was the brooch with the registration number of the Brazilian Army that had belonged to his father.

 

It took a few years for the Collector to purchase the second item. In the mid-1980s, after a visit to the Veterans Society of 32-MMDC, the Collector bought a helmet from the Constitutionalist Revolution of 1932.

 

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O emblema com um javali era parte da fuselagem de um avião da Força Aérea Alemã, Luftwaffe, abatido durante a Segunda Guerra Mundial

 

United States, the perfect environment for the development of a militaria collection

At the beginning of the 1990s, the Collector moved to the United States. There, he came across with a new reality. In addition to valuing history, Americans have an extremely organized and sophisticated market. Unlike Brazil, where events are generic, in the United States the events are organized by theme such as American Civil War, World War I and II, Korean and Vietnam War.

 

Accompanied by his family, the Collector visited museums and events where battles and camps were reenacted. People dressed in uniforms from various countries, including those who fought against the United States. He realized that the people just wanted to rescue the history, with no arguments or useless discussions. He came across fairs selling everything that could be imagined. In one of them, he saw the original uniform of Erwin Rommel, one of the most prominent German Generals of World War II.

 

It was in the United States that the Collector bought the third item in his collection: a helmet from the German Air Force, the Luftwaffe. From then on, he did not stop. In the first phase, he focused on helmets because forgeries is more difficult. He began to diversify his collection with the purchase of caps, bayonets, flags, buttons and medals. Regarding the medals, the Collector was extremely careful because of the forgeries. He looked for information in books, one of them in Japanese.

 

The Manion’s International Auction House

The Collector highlights the importance of the American company Manion’s International Auction House, Inc. Founded in the early 1970s, Manion’s organized auctions of military items. His impeccable catalogs were references for the market. Monthly, Manion’s made four catalogs: American items, German items, Japanese items and items from other countries. In one of the German catalogs, the Collector saw an Enigma machine for sale. If at that time the machine was already expensive, today the price is prohibitive. He made a collection of the catalogs he received. It is important to be noted that Manion’s no longer exists.

 

The collection of helmets after returning to Brazil

When he returned to Brazil after a few years, the Collector had helmets from the First and Second World War, Vietnam War and Gulf War, from nationalities such as American, German, English, Italian, Soviet, Japanese, Vietnamese and Iraqi. Regarding the Gulf War (1990-1991), the Collector has an American helmet and an Iraqi helmet. The American helmet was the PASGT (Personnel Armor System for Ground Troops) whose shell was made of 19 layers of Kevlar. This helmet replaced the mythical M1 helmet that was used by the Americans in World War II, Korean War and Vietnam War. The Iraqi helmet was made of fiber (polyethylene), which shows how the Iraqi Army was ill equipped to face the US-led coalition.

 

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Parte da coleção de capacetes

 

Observations that only a collector can make

In the United States, the Collector was able to see how difficult is to buy Japanese items. According to him, no matter how long the time has passed, the Americans have not yet assimilated the Japanese attack on Pearl Harbor in December 1941. Because of this, Japanese items are highly sought after in the American market. Another problem is that the Japanese material was not of good quality, which compromised the state of conservation of many items. He mentions, for example, that a Japanese World War II helmet is inferior to a German World War I helmet. In addition, the amount of items available is small, as the number of Japanese fighters was less than the number of German fighters. According to the Collector, the Brazilian market demands American and German items, with no demand for Italian and Japanese items. Regarding the Soviet items, the Collector points out that many items did not leave the Soviet Union because they were destroyed by the Soviets themselves. In addition, after the end of the USSR in 1991, Russia continued to prohibit excavations.

 

The pieces start looking for the collector

After his return to Brazil, the Collector slowed down his acquisitions, but continued to maintain contact with sellers located in the United States, Germany and England. It also increased the circle of acquaintances in Brazil. Without departing from the market, the Collector continued to receive offers. He points out that from a moment, the pieces begin to look for a collector.

 

Physical Negotiation x Internet Negotiation

At the end of the 1990s, the Collector returned to purchase items for his collection. At that moment, the internet was beginning to gain strength, which enhanced the contacts. He points out that although the Internet has facilitated access, negotiation on the network is cold. The Collector prefers physical negotiation where one can see the piece, feel it, analyze it, be able to talk to the seller, especially if he really knows his story. As an example, he quotes when he was in Montevideo a few years ago. The Collector visited a classic antique shop that did not look like to have military items and asked if there was anything about the german battheship Graff Spee. After the antique dealer showed him two coins from the ship’s canteen, they spent hours talking and the Collector got the two items. The Graff Spee battleship was sunk by its own crew in December 1939, near Montevideo, after the Battle of the River Plate against the English cruisers Exeter and Ajax, and the New Zealand cruiser Achilles.

 

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Coleção de maços de cigarro da Revolução Constitucionalista de 1932

 

The diversification of the collection increases

Over time, the Collector began collecting numismatics from periods of war. His first item was a one-cent American coin made of scrap metal. Until then, the coins were made of copper, but due to a shortage of materials during World War II, the United States made coins with alternative materials. At this time, the Collector acquired an extremely differentiated item, but whose history is also related to the Second World War: a European car, which had its production interrupted because of the war, and which was re-manufactured in the same model after the war was over. The Collector also had a car very associated with the French Resistance and a military vehicle, besides a wagon used with the military vehicle.

 

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Numismática – Cédulas produzidas pelo Estado de São Paulo durante a Revolução Constitucionalista de 1932. As cédulas à direita foram invalidadas após o término da Revolução

 

The beginning of the collection of the Constitutionalist Revolution of 1932

A few years later, the Collector attended an anniversary event of the Constitutionalist Revolution of 1932. From then on, he became involved with the Association and formed a circle of friendships. He began to read and interact in more detail about the Revolution, and made the decision to start a collection on the subject. The collection has several items such as documents, photos, numismatic items and objects as varied as jewelry or ashtrays, all related to the Revolution of 1932. The Collector has a special fascination for items related to battles such as documents, armbands, belts, a Mauser 1908 bayonet used by the Public Force, a machete produced for soldiers by the industries of São Paulo, and a Matraca, an instrument developed by Professor Otávio Teixeira Mendes of Piracicaba, to simulate the sound of a machine gun. It is estimated that were produced no more than one hundred and fifty Matracas. The Collector points out that the items of the Revolution of 1932 are not standardized. For example, with the exception of the Public Force, the troops from São Paulo used various types of uniforms. The collector remembers that more Brazilians died in the Constitutionalist Revolution of 1932 than in World War II.

 

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Coleção encadernada do Estado de São Paulo com as edições que tratavam da Revolução Constitucionalista de 1932. Esse item é composto pelos jornais de antes, durante e depois da Revolução

 

The collection of documents begins

The Collector also started to collect documents. The starting point was a facsimile of a report from a patrol of the Brazilian Expeditionary Force in Italy with information such as the number of German wounded and prisoners. Facsimile was a copy of an original document, in this case made to be handed over to the other commanders. The Collector also has documents of Italian and Japanese that were confined by the Brazilian Government during World War II.

 

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Fotos originais da Revolução Constitucionalista de 1932

 

A single document of the Constitutionalist Revolution of 1932

With regard to the Revolution of 1932, the most special document is the diary of a fighter where the writing deteriorates with the development of the Revolution. The diary stopped being written before the end of the Revolution, October 2, 1932, but the Collector believes that the combatant survived because the diary survived. In the diary it is reported that the combatant studied at a school in the district of Brás, fled on the day of departure to visit his mother, came back and left for the front. Another special document is a safe-conduct used by a person in São Paulo to travel to Rio de Janeiro during the Revolution.

 

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Coleção encadernada do suplemento do Estado de São Paulo com edições que tratavam da Revolução Constitucionalista de 1932. Esse item é composto pelos suplementos de antes, durante e depois da Revolução

 

The impact of the internet and the importance of antique dealers

The Collector points out that although the network has facilitated contact and the search for items, at the same time it allowed many people without proper knowledge to become sellers. This ended up creating difficulties because some sellers take as parameter prices that are placed on sale sites, often without any criteria or without considering the state of conservation of the piece. This made the negotiations more difficult and the market more expensive. The Collector emphasizes the importance of antique dealers who actually know the pieces, which makes it difficult even to forgeries. Regarding this problem, it is important to highlight that a buyer and a seller, as they are not experts, can trade a forgered piece without knowing it.

 

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Cartofilia – Cartões Postais da Revolução Constitucionalista de 1932

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Cartofilia – Cartões Postais da Revolução Constitucionalista de 1932

 

Reflections after 30 years building the collection

Even being so pasionate with his collection, the collector would not diversify so much if he started it again. He also points out that with the current prices, it would be very difficult to build a collection so vast as the one he has been building for more than 30 years. In addition, in recent years the Brazilian government started to create a series of difficulties, such as the prohibition by federal law of the import of war items such as helmets or old uniforms of the Axis. However, when the same government promotes a military event, it seeks the support of collectors to lend pieces to the exhibitions. The Collector points out that in the annual events in homage to the FEB made in Montese, Italy, people can participate using uniforms from the Allies and the Countries that formed the Axis (Germany, Italy and Japan), without any restrictions. In Brazil, a country that does not have a single monument to the FEB in its capital, Brasília, it is forbidden to use uniforms from Axis countries. The simple use of an uniform is not an allusion to a regime that no longer exists (German Nazism, Italian Fascism and Japanese Imperialism), but the remembrance and reflection on a fact that happened. Forgetting the past is running the risk of repeating the same mistakes again.

 

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Filatelia – Selos da Revolução Constitucionalista de 1932

 

The meaning of the collection for the collector

For the Collector, his collection is a tribute to the fighters who fought for what they believed and for the many who sacrificed themselves so that their families could have just one more day of peace.

 

Coleção de Militaria - Itens militares, numismática, filatelia, cartofilia, documentos

Ao centro, as espadas da coleção. Algumas delas foram utilizadas no período monárquico da história do Brasil (1822 – 1889)