Paulo Hatanaka trabalha com o restauro de cerâmicas e porcelanas utilizando a técnica japonesa Kintsugi.

 

Paulo Hatanaka

Os pais de Paulo Hatanaka se casaram e vieram ainda jovens para o Brasil. Seu pai, Minoru, era professor e foi lecionar em uma comunidade de imigrantes japoneses no interior do Amazonas. Sua mãe, Toshi, lhe contava as histórias de seu avô, Jinshici, que havia sido um grande colecionador na cidade japonesa de Gifu, próxima a Nagoia. Mesmo sendo filho de japoneses, Paulo cresceu tendo como referência a Europa pois seu pai era fascinado pelo velho continente.

 

Paulo e sua relação com a arte

Sua família sempre incentivou a relação com a arte. Desde pequeno, Paulo estudou piano, 15 anos no total, fez esculturas e pintou quadros. Começou a estudar Arquitetura, e em paralelo, estudou dois anos de regência. Durante a Faculdade, aprendeu a fazer esculturas de terracota com Tadakiyo Sakai, mais conhecido como Sakai do Embu. Em 1978, dois anos após terminar a Faculdade, foi morar na Itália para fazer o curso de Especialização em Restauração de Monumentos Históricos na Universidade de Roma.

Depois de quatro anos, retornou ao Brasil. Em 1983, começou a trabalhar na Fundação Roberto Marinho no Rio de Janeiro. Paulo trabalhava na área de patrimônio histórico com a seleção de projetos que seriam financiados pela Fundação e por seus parceiros.

 

Paulo inicia seu trabalho de restaurador

A partir de 1988, Paulo passou a trabalhar com arquitetura e decoração em São Paulo. Primeiro trabalhou nos escritórios de Julio Pechman e Leo Shehtman. Posteriormente, abriu seu escritório e passou a desenvolver projetos para clientes como o Hospital Albert Eistein. Em 1998, Paulo passou a ter aulas de restauração com o espanhol Eduardo Molinero, tendo aprendido a restaurar quadros e objetos de madeira e marfim. Com o conhecimento que já havia acumulado sobre pinturas e esculturas, Paulo passou a trabalhar profissionalmente com restaurações em paralelo ao seu trabalho de arquitetura e decoração.

 

Um motivo especial para aprender o Kintsugi

Em 2012, Paulo se deparou com o falecimento de sua mãe. Ela era ceramista por hobby, e deixou uma série de objetos, muitos dos quais quebrados. Como Paulo não fazia restauração de objetos de cerâmica, ele começou a estudar métodos para restaurar os objetos deixados. Paulo tinha claro que não queria fazer a restauração com grampos, e por isso passou a analisar a utilização de colas específicas. Contudo, a cerâmica e a porcelana possuem uma característica: como elas são feitas sob tensão, uma vez quebradas, as peças se expandem. Mesmo que sejam coladas, as peças não encaixam perfeitamente. Na busca por um processo que fosse esteticamente aceitável, Paulo se deparou com a técnica japonesa Kintsugi.

 

O Kintsugi

Kintsugi, ou Kintsukuroi, é a técnica de reparo de porcelanas e cerâmicas com a utilização de laca ou cola misturadas a ouro, prata ou platina. Essa técnica possui três estilos: Hibi, que consiste na utilização de resina ou cola misturada com ouro para colar as peças; Kake, que consiste no preenchimento de um pedaço que está faltando com ouro ou resina misturada com ouro; e Yobitsugi, que consiste na utilização de um fragmento que não corresponde à peça para completar um pedaço que está faltando.

Desde então, Paulo passou também a trabalhar com a restauração de cerâmicas e porcelanas utilizando as técnicas de Kintsugi.

 

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Cerâmica restaurada com duas técnicas de Kintsugi. Na parte superior foi preenchida a parte faltante (Kake) e no lado esquerdo foi feita a colagem (Hibi)

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Cerâmica restaurada com a técnica Hibi

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A mesma cerâmica da foto anterior por outro ângulo

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Cerâmica restaurada com duas técnicas de Kintsugi. Em destaque a parte que foi restaurada com a técnica Hibi

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A mesma cerâmica de outro ângulo com destaque para a parte que foi restaurada com a técnica Kake

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As duas laterias da alça dessa cerâmica foram restauradas com a técnica Hibi

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A mesma cerâmica da foto anterior por outro ângulo

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Prato de porcelana restaurado com grampos (parte superior direita) e com a técnica Hibi do Kintsugi (parte superior esquerda)

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O verso do mesmo prato da foto anterior onde se pode ver melhor a diferença estética entre os dois processos de restauração aplicados

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Prato de porcelana antes de ser restaurado

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O mesmo prato da foto anterior após o processo de restauração com as técnicas Hibi e Yobitsugi (parte inferior direita)

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Prato de porcelana japonesa antes do processo de restauração

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Verso do prato da foto anterior antes do processo de restauração. Em destaque, os furos dos grampos e a pintura que foram utilizados em restaurações anteriores e o suporte de metal não recomendado devido ao processo de ferrugem

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O mesmo prato após o processo de restauração feito por Paulo. A tinta utilizada na restauração anterior foi removida e o prato foi restaurado com a técnica Hibi. Existem dois pequenos pontos nas bordas que foram restaurados com a técnica Kake

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Prato visto de frente após a restauração. Destaque para a restauração com a técnica Hibi. Os dois pontos restaurados com a técnica Kake não aparecem nessa foto

 

Paulo Hatanaka

Restauração de obras de arte

Telefone: 55-11-94155-3636

E-mail: phatanakap@gmail.com