A Fundação Edson Queiroz está promovendo no Espaço Cultural da Universidade de Fortaleza a exposição “Coleção Airton Queiroz”. A curadoria é de Fábio Magalhães, José Roberto Teixeira e Max Perlingueiro. São 254 obras de 115 artistas divididas em 5 partes: Do Brasil Holandês a República, Modernismo, Abstração, Contemporâneo e Presença Estrangeira.

A importância da exposição foi traduzida pelo curador Max Pelingeiro: “a exposição é de grande importância, em primeiro lugar, porque o colecionador é cearense. E poderia ser feita em qualquer parte do mundo porque tem uma representatividade da arte brasileira muito grande. E não é uma coleção curada. Não houve um personagem que orientasse o colecionador a adquirir as suas obras. Foi o olhar estético dele. O que é mais emocionante é que ele está sendo generoso ao compartilhar com um público anônimo a sua coleção. Você sabe quando essas obras vão ser vistas novamente? Nunca. Essa oportunidade é única. Uma exposição como essa geralmente é formada, por exemplo, por um museu que quer fazer um panorama da arte brasileira. Ele vai buscar as obras em diversas coleções pelo país, em vários museus, coleções particulares em diversos estados. Aqui, são todas de uma única casa. É extraordinário”.

A história da formação de um acervo particular tão magnifíco é contada pelo senhor Airton Queiroz no catálogo da exposição:

“Cerca de 50 anos atrás, iniciamos uma coleção de pinturas e objetos de arte decorativa despretesiosamente. No início e durante sua formação, contei com o olhar estético de Celina, minha mulher; hoje, sigo o apoio de Patrícia e Edson, meus filhos. Durante todo esse tempo de criação do acervo, nossa família criou fortes laços com obras de arte.

Desenvolvemos e aprimoramos o gosto pela arte a partir dos primeiros ensinamentos de nossa mãe, que nos levava a mim e a meus irmãos, ainda muito jovens, para conhecer os museus da Europa. Focar  na arte brasileira foi nossa opção para começar a reunir obras significativas. O amor e a determinação permearam a escolha dos artistas. Com a passagem do tempo, nosso gosto evoluiu, e resolvemos ampliar os nossos horizontes.

Em determinado momento do percurso, constatamos que tínhamos conseguido formar uma coleção consistente que vinha do Século XVII aos Século XXI e um pequeno núcleo de artistas estrangeiros, europeus e latino-americanos. Ela relfetia, além do nosso gosto pessoal, a certeza de que todas as obras foram escolhidas e adquiridas – cada uma delas – por nós.

Ao entregar ao público mais esta oportunidade de ir além dos olhos, agradecemos a todos os profissionais que tornaram possível tal mostra e, hoje, se confundem, e muito, com as nossas vidas. A exposição que ora apresentamos neste espaço, que já abrigou importantes mostras de artistas brasileiros e estrangeiros, sucessos de público e crítica, foi organizada conforme critérios de natureza didática, propondo uma visão clara e resumida de nossa história de arte.”

Para que se tenha uma ideia da dimensão da exposição, segue a relação dos 115 artistas que a compõe:

Século XVII

Albert Eckhout e Frans Janszonn Post;

Século XVIII

Aleijadinho (Antonio Francisco Lisboa);

Século XIX

Antônio Parreiras, Belmiro Barbosa de Almeida, Benedito Calixto, Domingo Garcia y Vázquez, Eliseu d’Angelo Visonti, Giovanni Battista Castagneto, Gustavo Dall’Ara, Henri-Nicolas Vinet, Henrique Bernardelli, Hipólito Boaventura Caron, Jean-Baptiste Debret, João Batista da Costa, Johann Georg Grimm, Johann Moritz Rugendas, Nicolao Antonio Facchinetti, Nicolas-Antonie Taunay, Oscar Pereira da Silva, Pedro Américo, Pedro Weingärtner, Raimundo Cela, Rodolfo Amoedo, Rodolfo Bernardelli e Victor Meirelles de Lima;

Modernismo

Alberto da Veiga Guinard, Aldo Bonadei, Alfredo Ceschiatti, Aldredo Volpi, Anita Malfatti, Antônio Gomide, Bruno Giorgi, Candido Portinari, Cícero Dias, Djanira da Mota e Silva, Emiliano Di Cavalcanti, Ernesto Di Fiori, Flávio de Carvalho, Iberê Camargo, Ismael Nery, José Pancetti, Lasar Segal, Maria Martins, Milton Dacosta, Rubem Valentim, Tarsilia do Amaral, Vicente do Regô Monteiro e Victor Brecheret;

Abstração

Atelier Abstração – Samson Flexor;

Grupo Ruptura e concretismo – Geraldo de Barros, Hermelindo Fiaminghi, Judith Lauand, Lothar Charoux, Luiz Sacilotto e Waldemar Cordeiro;

Grupo Frente e neoconcretismo – Amilcar de Castro, Franz Waissmann, Helio Oiticica, Ivan Ferreira Serpa, Lygia Clarck, Lygia Pape e Willys de Castro;

Abstração informal – Antonio Bandeira, Manabu Mabe e Tomie Ohtake;

Arte cinética – Abrahan Palatnik e Sérvulo Esmeraldo;

Artistas Geométricos e não vinculados a grupos – Antonio Maluf, Joaquim Tenreiro, Maria Leontina, Mira Schendel, Sergio Camargo e Ubi Bava;

Arte Contemporânea

Adriana Varejão, Ana Holck, Anna Maria Maiolino, Antonio Dias, Beatriz Milhazes, Delson Uchôa, Efrain Almeida, Gonçalo Ivo, Gustavo Rezende, Henrique Oliveira, Jaildo Marinho, Jorge Guinle, José Leonilson Bezerra Dias, Leda Catunda, Marçal Athayde, Tunga e Vik Muniz;

Presença Estrangeira

Bernard Buffet, Carmelo Arden Quin, Claude Monet, Diego Rivera, Fernand Léger, Fernando Botero, François Morellet, Henri Matisse, Henry Moore, Joan Miró, Joaquín Torres-García, Léon Ferrari, Marc Chagall, Maria Helena Vieira da Silva, Marie Laurencin, Maurice Utrillo, Maurice de Vlaminck, Max Ernst, Miquel Barceló, Omar Rayo, Peter Paul Rubens, Pierre-Auguste Renoir, Raoul Dufy e Salvador Dalí.

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A Fundação Edson Queiroz e o Espaço Cultural Unifor

Nos últimos anos a Fundação Edson Queiroz promoveu uma série de exposições no Espaço Cultural Unifor. Puderam ser vistas obras de artistas cearenses, brasileiros e estrangeiros. Também foram montadas três exposições com obras do próprio acervo da Fundação, sendo uma delas em conjunto com obras do acervo da Coleção Roberto Marinho.

Exposições de artistas cearenses

Raimundo Cela (Set/2004); A História do Ceará em obras sacras e decorativas (Mai/2006); Antônio Bandeira (Out/2008); Diário de Bordo: uma viagem com Leonilson, José Leonilson Bezerra Dias (Fev/2009); Vinte aos Pedaços, Francisco de Almeida (Abr/2010); Rio das Pedras, Antônio Rabelo (Ago/2010); Presságios, Bruno Pedrosa (Out/2011); Tramando Mundos, Luiz Hermano (Fev/2012); Pulsações, Rodrigo Frota (Ago/2012); Leonilson: arquivo e memória vivos, José Leonilson Bezerra Dias (Mar/2017) e Vacas Magras, Márcia Pinheiro (Jan/2017).

Exposições de artistas brasileiros e estrangeiros

Mirabolante Miró (Dez/2006); Rembrandt e a Arte da Gravura (Mar/2007); Rubens, o gênio do barroco e sua obra gráfica (Abr/2008); Edward S. Curtis: Legado Sagrado (Nov/2009); Vik Muniz (Abr/2010); Burle Marx (Set/2010); Coleção Brasiliana Itaú (Fev/2011); Otto Cavalcanti (Mai/2011); Tesouros e Simbolismos da Colômbia Pré-Hispânica (Jul/2011); Harcourt, Escultor de Luz (Ago/2012); Guerra e Paz, Candido Portinari (Out/2012); O Egito sob o olhar de Napoleão (Out/2012); Narrativas Poéticas (Out/2014); Coleção de Motivos, Beatriz Milhazes (Fev/2015); Pele do Tempo, Adriana Varejão (Ago/2015) e Estrutura Corpo Cor, Hélio Oiticica (Jan/2016).

Exposições de obras do próprio acervo da Fundação Edson Queiroz

Acervo da Fundação Edson Queiroz (Out/2012); Arte Brasileira na Coleção Fundação Edson Queiroz (Mar/2013) e Abstrações – Coleção Fundação Edson Queiroz e Coleção Roberto Marinho (Jul/2014).

A exposição Abstrações foi composta por 107 obras da Fundação Edson Queiroz e por 62 obras da Coleção Roberto Marinho.

Tendo como referência outras universidades, o acervo da Fundação Edson Queiroz é superado apenas pelo Museu D. João VI da UFRJ e pelo Museu de Arte Contemporânea da USP, ambas universidades públicas. Considerando apenas as universidades privadas, a Fundação Edson Queiroz possui o maior acervo de artes visuais do Brasil.

Os Acervos Especiais da Biblioteca Unifor

A biblioteca da Unifor possui um segmento para obras raras chamado Acervos Especiais. Seu ponto de partida foi a compra da Biblioteca Francisco Matarazzo Sobrinho. Atualmente o acervo possui mais de 7 mil livros, sendo composto por livros de artes, literatura, biografias, história do Brasil, geografia, direito, filosofia e psicologia. Existe uma atenção especial com as obras que tratam da história do Ceará (história, geografia, literatura, artes, fotografias).

Entre as obras que mais se destacam estão: “DANTE con l´espositioni di Christoforo Landino” (1578); “Geschichte in Brasilien” de Gaspar Barleus (1659); “Castrioto Lusitano” de Raphael de Jesus (1679); a primeira edição da “Opere Varie di Architettura”, de Giovanni-Batista Piranesi (1750) que traz a série completa de gravuras dos cáceres de Roma; a primeira edição da “Malerische Reise in Brasilien” do ilustrador alemão Moritz Rugendas (1835) composta por 100 litografias que retratam características físicas, hábitos e costumes da população brasileira; “Le vite de’ più eccellenti pittori, scultori e architettori” de Giorgio Vasari; a coleção completa “Sociedade dos Cem Bibliófilos” composta por 23 volumes, e o álbum “Miserere” composto por 58 litografias de Georges Rouault.

Outros destaques são as publicações do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro de 1840 a 1964; o Arquivo da História do Ceará organizado por Thomaz Pompeu Gomes de Matos, e a Biblioteca Francisco Pati, escritor, advogado e conselheiro da Bienal Internacional de São Paulo.

 

Referências:

Magalhães, Fábio. Coleção Airton Queiroz/ Fábio Magalhães, José Roberto Teixeira Leite; organização Camila Perlingueiro. 1ª Edição. Rio de Janeiro: Edições Pinakotheke, 2016. 443 páginas.

Site do Espaço Cultural Unifor:

http://www.unifor.br/index.php?option=com_content&view=category&layout=date&id=226&Itemid=47